[Resposta] Para casais com pessoa trans. Podemos ter filhos acidentalmente mesmo com TH? Probabilidades e prevenção
Essa postagem lida com fertilidade e relações intimas adultas de uma maneira educativa, científica e informacional. Essas informações podem ser gatilhantes para alguns.
Pergunta de: u/meketrefezinho
Sou um homem trans e estou a 5 meses em T e a 1 mês utilizando um anticoncepcional de progesterona. Tenho um relacionamento transcentrado com uma travesti que faz th a 2 anos. ultimamente, devido a troca de hormônio dela para um que não bloqueava a testo (evra), a libido dela voltou com tudo e por eu estar fazendo uso de anticoncepcional, permiti que ela terminasse dentro de mim no calor do momento.
Apesar de eu estar sem menstruar, usando anticoncepcional e ainda estar em T, que diminui muito a probabilidade de ovulação, eu estou com medo de engravidar. Tirando o fato dela também poder ter problemas com fertilidade por fazer a th sozinha e sempre exagerar nas doses.
Estou sendo muito paranoico em achar que posso engravidar depois de uma decisão tomada sem pensar?
Existe possibilidade sim por um motivo muito simples: as unicas formas de prevenção certeiras são não ter relações intimas penetrativas ou ter or orgãos produtores de gametas retirados.
A possibilidade de ter filhos com parceiro no TH é bem, bem pequena mas existe. As vezes raramente, a testosterona (TH da pessoa transmasculina) não te deixa totalmente infertil mesmo que sua menstruação pare. Outras vezes raramente o estrogenio (TH da pessoa transfeminina) não deixa completamente infertil mesmo que a produção de espermatozoides seja bem diminuida. As vezes o proprio anticoncepcional não funciona. Nas verdade, as vezes até camisinha não funciona.
Chances de falha em métodos preventivos
Se seu parceiro/e/a tem gametas combináveis com os seus, tome a maior quantidade de prevenções possiveis, porque elas diminuem a porcentagem de falhas.
Por exemplo: usando anticoncepcional de 1% de falha e preservativo de 10% de falha (margem menor, geralmente é de 8-20% de falha), você teria que ter os dois falharem juntos, oque é uma possibilidade de 10% de 1% que dá 0,1% (1 entre cada mil).
Infelizmente não existem pesquisas aprofundadas que confirmem totalmente as porcentagens de fertilidade de pessoas trans nos hormonios para fazer essa conta. Saiba que com todos esses fatores a chance é pequena. Mas a chance nunca deixa de existir.
Se isso é uma preocupação sua real, comece a usar mais métodos contraceptivos junto para diminuir as chances ainda mais, tenha a cirurgia da histectomia ou pare de ter relações intimas envolvendo penetração.
Importância da prevenção e métodos de terminação
Métodos de impedir gravidez após a relação íntima não são muito bons em questões de acessibilidade e podem ter impactos mentais. É importante que a prevenção comece de maneira agressiva antes da relação para evitar os problemas deles.
Em alguns países, como o Brasil, o aborto é ilegal e pode dar cadeia mesmo se conseguir fazer clandestinamente para assegurar seus direitos. Inclusive, no Brasil ser transmasculino e precisar continuar com tratamento hormonal infelizmente não qualifica como excessão para permitir aborto.
Em outros países, como Portugal, é uma pratica legalizada deixando a pessoa ter dignidade de escolha. Porém, a experiência pode ser algo traumatico mentalmente para a pessoa passar, tanto como transmasculino ou como uma mulher cis que possa ser parceira de alguém trans. Também há custos monetarios para o aborto em vários países.
Uma alternativa que costuma ser legalizada é a pílula Plano B alguns poucos dias após a relação sexual que impede gravidez, mas ela tem uma efetividade que diminue drasticamente cada vez que é usada porque o corpo se acostuma com ela. Ou seja, pode ser usada apenas algumas vezes na vida, apenas antes de se saber a gravidez e ainda não tem certeza de funcionar.
Pense ainda que pessoas transmasculinas em especial podem ter disforia enorme apenas em saber que isso foi uma possibilidade ou que estiveram com gravidez mesmo que essa seja terminada. Para alguns em especial, a gravidez não ser terminada pode chegar a ser um perigo de vida ativo por intuitos suicidas. Isso é piorado pelo fato que eles são obrigados a sair da testosterona durante esse periodo ou arriscar deformidades ao feto que vai se desenvolver. Médicos vão se recusar a continuar o TH e ainda há o problema ético de deixar alguém nascer assim.
Consulte também a página sobre gravidez como pessoa transmasculina se necessário
Mesmo que a pessoa seja transfeminina, o conhecimento de que ela gerou algo assim quando era algo que ela não queria pode ser um fardo pesado na mente dela. Isso é pior em países em que o cadastro mãe e pai é obrigatório em registros da criança, visto que a parceira pode ser barrada de ter seu nome como genitora por ter retificado documentos ou outros motivos. Mesmo que não tenha retificado, o conhecimento para uma pessoa trans de que ela esta com o gênero errado no cadastro do filho pode ser algo muito dificil. Talvez elu prefira ter filhos apenas na época que tiver sua transição em certo ponto, como com cirurgias afirmativas e documentos retificados, ou quando o casal tiver mudado para um país que tenha melhor leis sobre filhos de casais LGBT.
Em geral, não fique no risco quando reproduzir não é seu objetivo no momento.