It’s the start of a new beginning || Parricity {Flashback}
Apesar do que algumas pessoas pareciam pensar sobre Felicity, ela acreditava no amor. Acreditava em sentimentos profundos, principalmente por ter sido criada por um casal que se amava profundamente mesmo depois de tantos anos juntos. Apenas não tinha muita certeza de que ela era destinada àquilo. É claro que tivera suas quedas, algumas nos tempos de Hogwarts e uma grande paixão já depois de ter terminado a escola, enquanto estava no treinamento para aurores. Mas havia algo em seu espírito ansiando por algo mais, algo que ela não sabia se encontraria ali na Inglaterra, por isso terminara tudo com Parrish para sair em viagem pelo mundo, mesmo que tivesse doído em seu peito deixá-lo. Nunca pediria que ele esperasse ela voltar com sua descoberta, até porque não tinha certeza se algum dia voltaria definitivamente, e nem esperava que fizesse. Esperava que ele seguisse em frente, encontrasse alguém que desse mais atenção à ele do que ao trabalho – algo que ela admitia vergonhosamente não fazer – porque sabia que o homem merecia. E, ao finalmente voltar, decidiu por não ir atrás dele. Não porque não tivesse vontade de fazê-lo, o que ela tinha e muito, mas sim porque acreditava que ele já a havia esquecido. Provavelmente nem se lembrava mais de sua existência. Então durante várias semanas trabalhando no Ministério não o viu nem uma única vez, até a tarde anterior quando, ao se esbarrarem, foi como se todos aqueles sentimentos que a Stirling lutara para manter guardados durante aquele tempo viessem novamente à tona e com o dobro da intensidade. Muitos poderiam julgá-la fria por conta de sua seriedade, mas apenas aqueles que a conheciam sabiam o quanto Felicity poderia sentir com tanta intensidade quanto qualquer um, mesmo que tivesse grande controle sobre suas atitudes e palavras.
E naquele momento ela sentira. Sentira muito. Sentira a tristeza por tê-lo deixado, a alegria por tê-lo reencontrado, a esperança de que as coisas pudessem voltar a ser como eram e o medo de alimentar essa esperança. Esta era uma característica muito forte de Felicity. O medo, mesmo que acompanhado de uma grande capacidade de repreendê-lo, ignorá-lo e combatê-lo, estava sempre presente em sua vida. E uma das coisas que ela tinha medo era de amar. Sempre fora extremamente racional e gostava de coisas concretas, como o oceano, das que ela podia apontar e saber o que era. Porém, aquele sentimento não era uma dessas coisas, e isso a assustava mais do que estava preparada para admitir até para si mesma. Mas nem por isso ela lutava contra esse sentimento, acreditava que cada coisa acontecia da forma como tinha que acontecer, e em partes aprendera aquilo com o próprio Parrish, que ela se encaminhava para encontrar. “É apenas um café, Felicity Stirling.” Tentou dizer para si mesma afim de calar os pensamentos que voavam enquanto se encaminhava para encontrá-lo, mas era impossível calá-los. Felicity, que nunca ficava nervosa, sentia-se muito nervosa naquele momento, e aquilo, mais que qualquer coisa, a assustava e muito.










