Memórias de Um Amigo Imaginário.
- Você sabe que eu mais gosto do Max? - pergunto para ele.
- Não - ele diz. - Eu não conheço Max.
- O que eu mais gosto do Max é que ele é muito corajoso.
- O que ele fez de corajoso?
- Não é somente uma coisa - eu digo. - É tudo o que ele faz. Max não é igual a nenhuma outra pessoa no mundo. As crianças zombam dele por ser diferente. A mãe dele tenta transformá-lo em um garoto diferente e o pai o trata como se Max fosse outro garoto. Até os professores o tratam diferente, e nem sempre são gentis. Até mesmo a professora Gosk. Ela é perfeita, mas mesmo assim, ela também trata Max de uma forma diferente. Ninguém o trata como um garoto comum, mas todos querem que ele seja um garoto como os outros ao invés de ser ele próprio. E mesmo com tudo isso, Max ainda levanta da cama pela manhã e vai pra escola, para o parque e até mesmo para a parada do ônibus.
- E isso é ser corajoso? - Oswald pergunta.
- É ser o mais corajoso de todos - respondo. - Eu sou o amigo imaginário mais velho e mais esperto que já conheci. Para mim é bem fácil sair e conhecer outros amigos imaginários, todos eles me respeitam. Eles me perguntam coisas e querem ser como eu [...]
- Mas você tem de ser a pessoa mais corajosa do mundo para sair todos os dias sendo você mesmo, quando ninguém gosta de quem você é - explico eu. - Eu nunca conseguiria ser assim tão corajoso como Max.