•| ⊱ ✿ o mundo parecia querer ser cruel com a canadense, ao que avistou, possivelmente, a única figura feminina que desejava nunca encontrar pelo restante de sua vida. mas claro, lá estava fujiwara nana. o desgosto se fazia presente, e na primeira vez que percebeu estar próxima demais da japonesa, rapidamente afastou-se, inventando uma desculpa a pessoa com quem conversava, de que buscaria mais suco, e distraiu-se o suficiente para não dar mais de cara com a mais velha. ou assim havia pensado. yura estava, agora, inquieta, próxima à mesa com comidas ocidentais, um pouco incerta sobre o que optaria por comer, contudo, sem jamais deixar seu suco de maracujá de lado, sequer para ser um calmante, mas pela paixão possuída pelo mesmo. ironicamente. ❛ ——— uni-duni-tê. —— proferiu baixinho, em seguida pegando um pouco do bacon servido. ⊰ |•
❛ o olhar passava com curiosidade por toda a mesa, observando a longa extensão com seus diversos pratos e bebidas disposta à mesa. sentia-se um tanto aflita pela quantidade, inicialmente gerando uma má reação por certos motivos após arrumar-se como o usual para o comum café que, na maioria das vezes, evitava. entretanto, ocorreu que deveria deixar isso de lado era algo novo e deveria aproveitar, certo? –––– escolha algo para eu provar! –––– a empolgação surgia aos poucos em sua fala, pois além de adorar comunicar-se, ela gostava de aprender com outrem. –––– omo, me passa o croissant, por gentileza. –––– pedia ao apontar com o indicar com um pequeno sorriso nos lábios, ignorando completamente seu mau presságio para que pudesse, pelo menos no começo de seu dia, ter um momento agradável. ❜
&. ━━ ❛ jihoon sabia que estava ficando doente e, mesmo assim, recusava-se a aceitar tal fato. sentia o peso sobre sua cabeça, a fadiga excessiva que parecia torná-lo cada vez mais lento, os calafrios repetitivos que percorriam sua coluna e o faziam suar frio. sabia de tudo aquilo, mas optava por engolir algumas pílulas a mais e seguir com seu dia. havia tentado comer, mas não conseguia, e, após ser acometido por uma fraqueza generalizada, sentou-se sobre o sofá, cabeça entre as pernas, na tentativa de fazer com que aquilo fosse embora. era inútil, é claro. estava doente, e nenhuma força de vontade no mundo o curaria. se antes, sua dor muscular era irritante, agora tornava-se insuportável. havia encontrado um termômetro e, após constatar os 39 graus ali indicados, grunhiu, jogando o aparelho para o lado. tinha uma coreografia para ensaiar, por deus. como iria apresentar-se ao fim daquela semana, estando daquele jeito? levantou-se, apesar da tontura súbita, esbarrando em yura no processo. demorou alguns segundos para reconhecê-la, sua voz soando rouca. ━━ desculpe-me, yura. eu━ não te vi.
┊♔ Quando escutou pela primeira vez as opções de músicas reservadas para as trainees femininas, ZN se identificou automaticamente com Gucci. Parecia que havia sido feita para si, seus ouvidos identificaram rapidamente o flow necessário, e não tardou muito para que a ruiva aprendesse a letra da música. Preferia escrever suas próprias letras, mas como essa não era uma opção, apenas trataria de se familiarizar com as mesmas o quanto antes. Seu costume com esse tipo de coisa fez com que em pouco tempo já soubesse as palavras até de trás para frente, dominava o ritmo e a batida, agora só precisava aprender a coreografia. Comparada com punk right now, a coreografia presente em gucci não era nada demais, não negaria que estava esperando algo mais desafiador nesse quesito. Queria mostrar a sua capacidade na dança. Desde que a lista com seu nome foi vazada, Jinye não conseguia tirar da cabeça que sua avaliação ignorava totalmente suas habilidades na dança. Ela sabia que não era perfeita, mas considerava que estava quase lá.
Caminhou com passos calmos e decididos até o centro da sala, os olhares estavam voltados para si e ela adorava essa sensação. Sua confiança transbordava, como sempre. Sentia falta de estar no centro dos palcos, ser o centro das atenções e especialmente de se apresentar. Fez uma longa reverência para a platéia de trainees, e outra para os instrutores. ❝ —— Eu sou Bae Jinye e vou apresentar para vocês a música Gucci, da Ahra sunbaenim. —— ❞ Fechou os olhos, esperando que a primeira batida da música se fizesse presente, abrindo-os imediatamente ao começar a reproduzir as letras, como se fossem de sua própria autoria. Dominava o palco, exalava confiança e desejo de mostrar o que era capaz, desejava do fundo de seu coração que sua capacidade se refletisse em seu ranking semanal. ❝ —— 'Cause I'm self made, ain't nobody ever made me. I'm in the party, going crazy. —— ❞ Parecia que a letra havia sido feita para ela, em seus momentos de confiança ela se sentia como se valesse tudo isso. ❝ —— I feel like Gucci, baby. I'm a bad motherfucker in the room, yeah. —— ❞ Dançar e cantar ao mesmo tempo não atrapalhavam em sua pronuncia, suas palavras saiam estáveis como se estivesse parada enquanto pronunciava as palavras, anos de treino resultavam nesse tipo de controle vocal.
Findou a apresentação com mais uma grande reverência, sua respiração estava acelerada, suas mãos fechadas em punhos ao lado de seu corpo, não queria levantar a cabeça. A felicidade por estar se apresentando finalmente passou e estava sendo substituída pela ansiedade para o resultado. Será se a sua apresentação havia sido do agrado de todos? Suas unhas perfuravam a palma de sua mão conforme seus pensamentos pairavam mais ao redor disso. Apressou-se para sentar-se em um lugar qualquer, perdida em seus pensamentos enquanto a próxima apresentação tomava início.
—— dumplings! —— exclamou animado, esbarrando o próprio ombro nos de yura enquanto pegava um dos bolinhos, levando na direção dela cuidadosamente. a ideia de ter comidas tradicionais naquela mesa faziam com que o rapaz taiwanês entrasse em estado de êxtase, voltando para seu local de origem à cada mordida. sentia falta. incrível! encostou com leveza a massa contra os lábios da melhor amiga, não querendo que ela tivesse espaço para recusar. —— você já comeu algum dia? é muito famoso em taiwan, na china também! juro que é gostoso... —— riu baixo, usando de sua mão livre para pegar um bolinho para si mesmo, ansioso pela reação da japonesa para com sua sugestão culinária. não que fosse um expert, mas aquela massa era realmente deliciosa.
i’m not afraid of my truth anymore. pov. present time.
A competição mostrara-se um fator importante, os ocorridos durante a mesma fatores culminantes. Certo dizer que a Im Sooyun que colocara os pés dentro daquela casa não seria a mesma a sair. Naturalmente, não havia mudado da água para o vinho, tampouco acreditava que Jesus Cristo o havia feito. Ainda era ela, apenas com alguns acréscimos extras. Algumas palavras novas para dizer.
Pois talvez essa tenha sido sua maior descoberta até então: Possuía algo a dizer. Algo a sentir, algo a pensar. Quando se cresce em meio à reprovações e abanos negativos de cabeça (mesmo que não dos pais), torna-se difícil desvencilhar-se das palavras cruéis e dos risos indiscretos. Quando tomou a decisão de se inscrever na audição para a Red Light, o fez porque a certeza que não queria passar sua vida em Busan existia. As dúvidas acabaram por cessar com o passar dos anos, embora nunca houvesse experimentado vivência tão estressante quanto aquela do Produce 20.
Tinha olhos em suas costas, em suas sombras. Sooyun não conseguia vê-los mas sabia que estavam lá, recebendo a liberdade através do balançar das câmeras. Era vigiada e sabia disso. Contudo, nunca sentira-se mais livre.
É verdade que os aparelhos de filmagem muito a perturbaram durante as primeiras semanas, mas algo havia ocorrido dentro dela e mudara tudo. O maior contato com sua sexualidade a havia impulsionado diretamente para o olho do furacão e Sooyun nem ao menos fazia questão de usar um colete salva-vidas. Jamais sentira tamanha leveza de espírito e conhecimento próprio. Não enxergava-se mais como a menina doce que viera de uma pequena família de Busan para conquistar um sonho. Claro, ainda era todas essas coisas. Entretanto, tornara-se mais.
Após a garantia das amizades não perdidas, ela conseguiu respirar e sentiu-se como se o ar tivesse estado preso em seus pulmões por dias, meses, anos. Não tinha mais medo de encontrar a sua verdade, de sentir as suas próprias emoções e vivenciar suas próprias experiências. Era discutível que passara por tal etapa da vida um tanto tarde, mas essa era uma preocupação da Sooyun de outrora.
Estava na hora de pegar sua independência para si. Em todos os aspectos. Profissional, social, emocional e até sexual. Não necessariamente indo para a literacidade da palavra, mas não tinha mais vergonhas de pensar ou de ter seus devaneios. Não estava mais com medo, ela queria era viver.
E olhando para o ranking e vendo seu nome na posição dois do geral feminino pela segunda vez consecutiva era uma ótima, ótima, maneira de começar.