Eu, de novo.
Uma vez já escrevi aqui. Já me permiti ser várias coisas, passar por inusitadas situações, fazer parte de projetos até que eu jamais fui, de fato, incluída. E recentemente tenho pensado em como fui injusta com o tempo, já que foi graças a ele, o tempo, que eu pude ser eu. Criei histórias, fui protagonista, antagonista e até papel secundário, fui figurante de histórias marcantes, mas acima de tudo fui eu.
Em algumas dessas ocasiões, nas de tristeza principalmente, fui estúpida ao ponto de sempre questionar o tempo. Quando vou ser feliz? Quando vou encontrar alguém que ame de verdade? Quando vou parar de deixar as pessoas me magoarem? Já não passou da hora de aparecer alguém que goste de mim? Já não passou da hora de eu parar de cometer o mesmo erro? Já não passou a hora de eu me sentir infeliz?
Para cada uma dessas perguntas tenho a seguinte sensação: O tempo respirava, sentava, passava a mão na minha cabeça mesmo nos meus momentos de raiva, e me pedia calma. Calma para agir, calma para esperar, calma para pensar, calma para me tornar mais, mais daquilo que eu estava aprendendo a ser, a melhor versão de mim.
Se eu escutei o tempo?
Nenhum de nós o escuta. A gente até tenta, mas é difícil. Eu acredito que nós aprendemos com o tempo, eu principalmente aprendo. Tento recolher todos os meus erros e acertos e decifro todos os códigos que só a mim pertencem, então eu decido qual deles posso ou devo repetir.
Ao tempo eu não sinto que devemos pedir desculpas, jamais. Sinto que devemos apenas respeita-lo, respeitar o nosso tempo e o dos outros, e de tudo que o tempo conseguir tocar. Afinal chegará um dia que não haverá mais tempo para nada.
- N.












