parcimônia não é calma
e nada tem a ver com paciência.
esta palavra, tão esdrúxula à linguagem cotidiana
significa, na realidade, poupar.
tento te poupar do silêncio
assassino que se estende pela noite
como pantera que se esgueira pela selva abafada
à procura da caça.
tento te poupar da dor
que minhas palavras, como faca afiada
proporcionam à tua audição aguçada
corte aberto, ferida sangrada
que não se permite estancar.
tento te poupar do sentimento
da dúvida, da esperança
porque o esperançoso nada tem de virtude
de fato, o trabalho do esperançoso é esperar
e a este luxo não posso me dar.
tento te poupar do passado
que te assombra e te aprisiona
em tua mente colorida e alucinada;
quanto mais me escondo
mais por ti sou encontrada.
a passos cautelosos
me aproximo, devagar
tentando, ainda assim, te poupar;
estendendo minha mão
para te impedir de afundar.