Suspiro..., de Maria Reis, não é um disco carregado de raiva punk, tristeza indie ou alegria pop. É um disco em que todas as emoções foram atiradas para dentro de uma centrifugadora e servidas de um jorro.
Suspiro…, de Maria Reis, não é um disco carregado de raiva punk, tristeza indie ou alegria pop. É um disco em que todas as emoções foram atiradas para dentro de uma centrifugadora e servidas de um jorro.
É numa das últimas canções de Suspiro… – “Metadata” – que Maria Reis nos diz ao que vem: “Eu tomava comprimidos se achasse que mudasse / Passou-me p’la cabeça uma fé e converter / Mas entrego-me…
Maria Reis em entrevista: o suspiro de uma riot grrrl
O Altamont falou com Maria Reis acerca do novo disco, Suspiro, lançado na passada semana e do concerto de apresentação no dia 25 de Maio, em Lisboa
O Altamont falou com Maria Reis acerca do novo disco, Suspiro, lançado na passada semana e do concerto de apresentação no dia 25 de Maio, em Lisboa.
Altamont: Após a trilogia de EPs (Chove na Sala, Água nos Olhos; A Flor da Urtiga e Benefício da Dúvida) sai finalmente um LP. Isto é sinal de uma ruptura pensada, ou uma coincidência?
Maria Reis: Eu não considero os meus outros discos EPs, mas…
O ano que agora vai a meio tem sido bem generoso na produção de EPs. Um excelente formato para entremear longas-durações, o EP tem sido escolhido por uma série de músicos portugueses para lançar coisas novas este ano. Maria Reis, das Pega Monstro, tem estado com uma carreira atarefada, com um álbum em 2019, outro em 2021 e agora lança um belíssimo EP: Benefício da Dúvida. E nesta altura já não…
Soundtrack para uma quarentena #05: Pega Monstro - Alfarroba
Explicar Pega Monstro é lixado, principalmente para quem não é pós-adolescente (ou jovem adulto, se preferirem) a conviver com ansiedades, dores de crescer, tristezas de coração, e essas coisas todas. Até hoje não sei precisar se o Alfarroba, o segundo álbum desta dupla, tende mais a ser expressão ou catalisador desses sentimentos.
Maria e Júlia Reis, de Lisboa, irmãs e colegas na música. As Pega Monstro nascem, em parte dessa convivência e dessa intimidade. Porque estas músicas são, de facto, um paradoxo: explosivas e enérgicas, mas intimas e frágeis ao mesmo tempo.
Não há dúvida nenhuma de que o “Alfarroba” é um produto dos nossos tempos. Como muita música indie portuguesa, fala dos sentimentos mais pesados que recheiam estas gerações que cresceram a ter noção do seu próprio lugar no mundo, e do desinteresse do mundo nessa mesma geração. Mas isso lê-se apenas nas entrelinhas, porque tudo o que é cantado nas músicas é pessoal: o desinteresse pessoal, os problemas amorosos, os desastres do dia-a-dia que potenciam o desespero do mundo contemporâneo. É um álbum repleto de ansiedades. Vou bazar / vou pra estrada / pra ver quem sou / pra não ser nada / já começou (“Estrada”).
Indo por partes: a sonoridade, no geral, é a mesma desde “O Juno-60 Nunca Teve Fita” (ep de estreia, em 2011) e do álbum epónimo (em 2012), mas um pouco mais “limpa” e clara; para além disso, notam-se músicas bem mais calmas (“És Tu, Já Sei” e “Fado d’Água Fria”). Não me levem a mal, a atitude ainda lá está, com guitarras e baterias cruas e a roçar o barulhento, com as vozes afogadas em reverb a preencher os espaços. O que muda é, creio, o intuito.
Os lançamentos anteriores tinham músicas francamente, e, assumidamente, parvas. “Paredes de Coura”, uma espécie de paródia a apontar tudo de péssimo que há no festival é ainda uma favorita, e a “Afta” que é sobre, bem, uma afta, é extraordinária pela simples razão de ser só uma música, zangada, com uma afta. Isso não quer dizer que não houvesse espaço para auto-reflexão ou expressão nesse ep e álbum, mas no Alfarroba é esse espírito que toma o leme. Ainda tem o toque de patetice, com letras desconexas ou palavras feias e desnecessárias, mas mesmo essas só contribuem para a humanização das narrativas. Este é um álbum de alguém que olha para dentro, e, com fúria, tenta expulsar o que não gosta.
Outros autores e bandas portuguesas fazem o mesmo, não fosse o hoje e o agora o contexto. Os Capitão Fausto aninham-se e seguem viagem, os Aquaparque esgotam-se em raiva, por aí fora. As Pega Monstro gritam um redondo “não, foda-se!”, e lutam. É uma expressão de um espírito que não se deixa estar.
Por isso é que este álbum é essencial. É um amigo que diz “eu percebo-te, olha para a merda que é a minha vida!”, enquanto se ri dela própria. É um catalisador do mundo moderno. Ou talvez expressão dele. Cada qual o saberá.
Maria Reis lança o seu primeiro disco e em 18 minutos dá a coisa por terminada. O texto devia ter demorado esse tempo a escrever mas obrigou a audições repetidas.
Maria Reis lança o seu primeiro disco e em 18 minutos dá a coisa por terminada. O texto devia ter demorado esse tempo a escrever mas obrigou a audições repetidas.
Em 1968, nos Estados Unidos, um pai obrigou as suas filhas a formar uma banda, intitulada Shaggs. Estas norte-americanas editaram um disco, “Philosophy Of The World”. Indiscutivelmente uma das piores coisas que apareceu musicalmente e…