4- Minha terceira gestação
Contra todas as expectativas, o tratamento resultou em sucesso, e engravidamos pela terceira vez. Esta gravidez trouxe uma nova esperança, especialmente porque havíamos seguido parte do tratamento recomendado, o que me fez sentir mais segura. Dessa vez, decidimos manter a notícia em segredo e acompanhar a evolução através dos exames de beta hCG, cujos resultados foram surpreendentemente positivos, dobrando maravilhosamente e trazendo uma enxurrada de esperança. Os valores dos betas foram de 59,54 mUI/ml no primeiro teste, 157,78 mUI/ml no segundo, e 956,02 mUI/ml no terceiro. Com esses números encorajadores, optei por não realizar mais exames de beta, seguindo o conselho médico para casos em que os valores dobram corretamente.
Na sexta semana de gestação, ansiosos e cheios de expectativas, fizemos a primeira ultrassonografia. Chegando ao laboratório, o nervosismo era palpável, o medo de não ver o bebê ou de descobrir algo errado era avassalador, reflexo das experiências anteriores com abortos. No entanto, na sala de ultrassom, ao lado do meu marido, lá estava nosso pequenino, com batimentos cardíacos fortes e dentro de todos os parâmetros esperados. A felicidade que sentimos foi indescritível, uma emoção única ao ouvir aquele coraçãozinho batendo. Daria tudo para permanecer naquela sala, apenas para estar mais perto do meu bebê.
Próximo das 8 semanas, um leve sangramento começou, levando-me ao hospital em desespero. Uma dosagem de beta indicou 6587,0 mUI/l, preocupantemente baixo para a idade gestacional, sugerindo que os níveis estavam caindo. O médico solicitou uma ultrassonografia de emergência, porém, mostrou nosso bebê maior e perfeito, aliviando momentaneamente nossos corações. Recebemos orientação para uso de ultragestan e repouso. Infelizmente, o sangramento intensificou no dia seguinte. Retornamos ao hospital e o bebê continuava bem, desafiando todas as expectativas. O médico recomendou repouso absoluto e a continuação da medicação. No entanto, no terceiro dia, a situação piorou drasticamente; um sangramento intenso e coágulos marcaram o fim daquela gravidez tão desejada.
No hospital, o silêncio prolongado durante a ultrassonografia e os olhares compassivos confirmaram o que meu coração já sabia: havíamos perdido nosso bebê. A tristeza e a vergonha me inundaram. A enfermeira que me conduziu à sala de luto me ofereceu um abraço que parecia vir diretamente de Deus, um conforto necessário naquele momento de desolação. Quando meu marido se juntou a mim, compartilhamos um silêncio de luto pelo sonho que havíamos perdido.
Ao retornar para casa após a hospitalização, apesar das afirmações médicas de que havia perdido meu bebê, eu ainda nutria a esperança de um milagre. Contudo, essa esperança foi confrontada com a realidade de uma forma muito íntima e dolorosa. Em um momento solitário no banheiro, ao me limpar, deparei-me com meu bebê em minha mão, não maior que a ponta do meu dedo, mas inteiro e perfeitamente formado. Foi um instante de profunda tristeza e ao mesmo tempo de despedida, permitindo-me ver e me despedir dele, mesmo que por um breve momento. A dor que me consumia era a ideia de que ele tivesse sido levado sem a chance de um adeus, mas nesse momento dolorosamente belo, tive a oportunidade de me despedir adequadamente, um momento de conexão final que jamais esquecerei.
Para meu filho: Ter você, mesmo que por breve tempo, foi uma dádiva. Você me ensinou sobre um amor que transcende todo entendimento, enchendo meus dias de esperança e me transformando em alguém melhor. Olho para o céu sabendo que você está lá, esperando por nosso reencontro. Descanse em paz, meu pequeno amor. Papai e mamãe sempre te amarão, e você jamais será esquecido.