Leonardo
Leonardo teve a impressão de ter acabado de fechar os olhos quando o despertador tocou às 4h30 da manhã, indicando o início de mais um de dia de sua nova rotina: o primeiro universitário da família, do bairro, um dos poucos da sua cidade.
A alegria de ter passado no vestibular se misturava ao sentimento de estar num ambiente totalmente novo, imponente e que mais parecia um labirinto: o Campus UFMG. Em meio a isso, fórmulas gigantescas, às quais nunca tinha sido apresentado em toda sua vida escolar, e a sensação de que aquele não era seu lugar, devido aos constantes olhares de críticas e comentários nem tão sutis.
Lembrou-se que os dias mais difíceis tinham ficado para trás, como o dia em que uma colega disse que ele deveria mudar para um curso mais fácil, pois Estatística não era para alguém como ele. Para superar esses preconceitos, Leonardo teria que superar também uma rotina exigente. Às 5h deveria estar no ponto de ônibus para pegar a linha alimentadora que o levaria até a plataforma do Move intermunicipal. Para isso, seguia num mesmo ritmo. 4h30: levanta-se, passa uma água no rosto. 4h35: se troca e vai para a cozinha, onde encontra sua mãe preparando o café da manhã. 04h45. Passa a margarina no pão comprado na tarde do dia anterior por sua mãe e come com café preto, enquanto conta para a mãe sobre o dia anterior e ouve as novidades sobre a família e vizinhos. 5h04. Chega ao ponto de ônibus. “Ainda cheio. Ótimo, o ônibus não passou”. Às 5h15, o ônibus aparece. Esperar o próximo e ir sentado era uma possibilidade, mas os minutos valiam muito. “Melhor ir em pé mesmo”. 5h40, o ônibus chega à plataforma do Move, onde todos descem. Tantas pessoas andando em diferentes direções. Todas com pressa, imersas em seus compromissos, lembranças, vontades. Sono. Cansaço. Estresse.
06h00: chega o segundo ônibus do seu dia. Em pé novamente. 06h45: desce na Antônio Carlos, em frente à UFMG, onde se forma um rio de universitários vindos de diferentes regiões da cidade. 07h00: depois de uma caminhada de alguns minutos chega, finalmente, à sala de aula. Essa era apenas a primeira parte do seu dia.
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