Wilma
A pequena Wilma era uma criança feliz, com grandes e pequenos planos: acordar, estudar, voltar, almoçar, fazer o dever de casa e aproveitar o resto do dia para brincadeiras com seus cinco irmãos e os colegas da rua. Vivia o ápice da liberdade que, talvez, nunca mais viveria. Aproveitava, assim, sem saber que estava em contagem regressiva para iniciar a vida já planejada por seu pai.
Sua mãe, sem que Wilma entendesse o motivo, foi embora, deixando casa, marido e filhos para trás. Para ela, ficou apenas a sensação de abandono e a falta de referência feminina, pois a casa agora, exceto por ela mesma, tinha apenas homens.
Influenciado por associações irreais, seu pai acreditava que a ambição da esposa e suas ideias de trabalhar fora teriam sido a motivação para abandonar o lar. Então, ele criaria a filha para se tornar uma mãe de família perfeita. Ela não continuaria os estudos, se dedicaria unicamente a aprender as tarefas do lar.
Assim, ao terminar a 4ª série do Ensino Fundamental, Wilma recebeu a notícia: no próximo ano, não voltaria a estudar. O presente de celebração era uma máquina de costura, cujo slogan “Costurar é um ato de amor!” havia convencido o pai de que aquele era um ofício importante para uma moça casamenteira.
O tiro saiu pela culatra. Durante as férias, Wilma se lançou na construção de sua campanha publicitária para convencer as tias sobre a importância de continuar a estudar. Convencendo-as, o pai não teria como dizer não. Recortes de jornais, cartolina, cola e lápis coloridos resultaram em cartazes com o slogan “Estudar é um ato de amor!”, espalhados estrategicamente pela casa. Fora da presença do pai, Wilma se colocava a listar para as tias todos os benefícios dos estudos: ajudar com a gestão e as finanças de casa, educar melhor os futuros filhos.
Os dois meses de campanha surtiram efeito, com uma condição: além de estudar, ela teria que aprender todas as tarefas do lar e se tornar uma futura esposa perfeita. Assim, com apenas dez anos, a pequena teceu o seu próprio caminho. Se casou, sim, mas não abandonou os estudos. Fez graduação em Comunicação, se tornou professora, doutora e, hoje, segue escrevendo sua própria história.
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O Diversos Horizontes é projeto realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Belo Horizonte (Modalidade Fundo).

















