o último a chegar é assassinado
Ela usava um vestido florido e seus grandes olhos azuis olhavam assustados para os lados. Os encaracolados cabelos loiros estavam presos em marias chiquinhas que já caíam depois daquele agitado dia. Agora ela brincava com suas bonecas esperando que os policias a levassem para detenção juvenil. Ela amava os pais mais que tudo. Ela só queria mais liberdade. Ela era uma psicopata.
A menina fora vista saindo ensanguentada da cena do crime, com a arma ainda na mão. Os policiais não podiam crer que tamanha maldade teria sido realizada por uma criancinha de 10 anos. A imprensa culpava os videogames violentos. As mães, os pais ausentes que pagaram com a vida. Os conservadores, a irresponsabilidade que era o porte de armas liberado.
Ela aprendera a atirar muito cedo. Era seu programa familiar favorito. Depois eles comiam hambúrgueres e riam. Ela era excluída na escola, e seus melhores amigos, os pais. Precisava de atenção. Naquele dia, chegou na escola, anunciando o feito.
-Eu atirei em meus pais! Eles estavam sonhando por causa daquelas pílulas brancas, e foi fácil! Ninguém nem ouviu!
-Ah, conta outra! Até parece...
-Que horror, não brinca com isso!
A falta de palmas para seu espetáculo lhe consumiu. Naquela cadeira fria de polícia, tudo o que ela mais queria era ter se matado também.
http://noticias.r7.com/sao-paulo/caso-pesseghini-marcelo-se-matou-por-fracasso-e-nao-por-arrependimento-diz-psiquiatra-23092013














