Quando o peito chora...
Houve um tempo, num passado distante, onde a perspectiva alheia me era muito cara, assim como opiniões não solicitadas. Eu me importava muito com isso e não compreendia como as pessoas podiam fazer pouco caso disso quando eu, sempre cuidadosa e atenta, tentava ao máximo ajudar em tudo que fosse possível, sempre medindo minhas palavras e tentando usá-las de forma altruísta e positiva.
O tempo passou e pude perceber quão grande era minha perda de tempo com isso; porque ninguém realmente se importava, porque as pessoas falavam e falavam só com a língua, não chegava nem perto do coração.
Eu estava certa em me importar, em me preocupar, sempre estive; erradas eram as pessoas, por serem tão frias umas com as outras.
Demorei pra compreender isso, integralmente; às vezes, ainda me esqueço disso e é ai que surgem algumas frustrações, mas tenho trabalho dentro de mim que quem realmente me entende, me quer bem, se preocupa comigo, é capaz de ler além das minhas entrelinhas...
Já perdi as contas de quanto “não fica assim”, “tudo vai ficar bem”, “não chora”, “não é pra tanto”, “isso vai passar”, “da próxima vez, você também poderá ir” falsos já ouvi; já perdi a conta de quantos discursos motivadores hipócritas tive que ler, e a cada palavra, ouvir reverberar em minha cabeça um alto e claro eles não sabem como soam frios com o que dizem, eles não não entendem o que estou sentindo, eles não compreendem a minha dor...
Tão cruéis, tão banais, tão fúteis e insensíveis...
Para maior esclarecimento, enuncio o último acontecimento... #Speak_Yourself_Tour Show do BTS no Brasil, 25 & 26 de maio.
Foram longos 3 anos sonhando com isso, planejando, me empenhando, juntando dinheiro, me dedicando, organizando e planejando tudo para que finalmente, esse que seria um momento tão único na vida de uma jovem de 23 anos que nunca teve uma experiência juvenil aventureira se realizasse e.... E simplesmente isso é tirado de mim. Tão rápido quanto um farfalhar de asas. Bem diante dos meus olhos.
Assisti tantas pessoas conseguirem e eu não... Elas foram merecedoras, com certeza foram e fico felizes por elas mas... E eu? Eu não merecia? Não merecia realizar esse sonho? Porque alguém que está há tão pouco tempo no fandom conseguiu um ingresso e eu, que batalhei tanto, não consegui?
Estava tudo organizado... Eu tinha tudo prontinho pra isso, dinheiro pros ingressos, para o transporte, alimentação e um extra pra qualquer emergência; tinha rotas de ônibus, valores de restaurantes e até uma listinha do que levar e não levar; e acima de tudo, já tinha a companhia perfeita, a melhor todas: minha mãe. Ela estava sonhando isso comigo e agora, está vivendo essa dor comigo, atenciosa e pacientemente...
E a dor dói... Caramba, como dói. Dói perceber que todo esse trabalho duro, empenho, todas as condições tão meticulosamente arranjadas não serviram de nada. Dói demais porque eu não sei se algum dia, terei uma chance como essa, e ninguém entende isso! Dói demais porque mesmo que eles venham no ano que vem, não sei se até lá eu poderei ir! Não sei nem se existe essa possibilidade... E dói sem tanto saber que eles estarão tão perto, a pouco mais de das horas de distância e eu não estarei lá, cantando ‘Oh oh, I can make it right... Alright, alright!’ junto com a vocal line... E não estarei lá pra viver de amores pelo meu Yoongie, cantando seu solo que tanto significa pra mim... Mas ninguém compreende. Ninguém entende minha dor... Julgam como banal, fútil, desnecessária... Menosprezam um momento que pra mim, é tão valioso, ainda que para terceiros, não seja assim algo tão especial assim.
Pelo menos, no meio disso tudo, tenho a minha mãe... Ah sim, ela é diferente. É a completa exceção a regra. Ela não me julga, me ouve com carinho, atenção e cuidado; respeita minha dor e de forma alguma faz chacota comigo; não menospreza meus sentimentos e nem os deprecia como banais. Não me diz coisas duras, muito menos me coloca pra baixo.
E eu sei que ela sofre junto comigo... Porque ela é a primeira a querer me ajudar a realizar meus sonhos, sejam eles quais forem; ela sempre sonha comigo e quando não consegue torná-los realidade, fica triste, se sente até culpada e faz o possível para me alegrar. Nem sempre ela consegue 100%, mas o que importa, é que ela tenta. Tenta de verdade. E isso é o que vale.
Porque muitos outros nem tentam e eu nem sei porque ainda espero isso... Não espero, na verdade, mas por consequência, acabo me frustrando com a insensibilidade alheia.
Chega a ser cruel ver como as pessoas tratam de forma tão desdenhosa a dor alheia... E para mim, é ainda pior ver pessoas que eu ajudei e consolei com todo o coração, por razões mil, fazerem comigo, o oposto da gentileza que dediquei a elas. É claro que não conto mais com a reciprocidade de ninguém mas... Ao menos empatia? Nem com isso mais podemos contar?! Que tristeza..
E é isso. Estou triste. Muito triste. Triste mesmo, de uma forma que não consigo expressar completamente em palavras. Estou triste por não poder realizar esse sonho; estou triste por não saber se algum dia poderei viver esse momento; estou triste por não poder celebrar meu aniversário nesse show com minha mãe, como eu havíamos sonhado tanto; estou triste por não poder ouvir meu doce Yoongi, cantando seu solo Seesaw, música essa que tem uma história comigo, uma história triste porém, deveras especial e valorosa; estou triste por não poder vibrar com sua energia; estou triste por não poder estar lá... Triste por não poder celebrar com eles a conquista de serem o 1º grupo de música pop coreana a esgotar ingressos para dois dias de show em um estádio no Brasil, triste por não poder ver seus sorrisos de perto, mesmo que esse perto seja através de telões...
Mais uma vez tão perto e tão longe...
Mas ninguém compreende, e tenho que aprender a lidar com isso. Porque ninguém é como eu e meu coração; somos como alienígenas numa terra de falsos iguais. Ainda sim, não pretendo mudar quem sou, não pretendo abandonar minha sensibilidade e emotividade porque os outros são rasos demais para sequer tentarem entender minha profundidade.
Não vou mudar... Mas não vou mais mascarar quando algo me dói e quando alguém intensifica essa dor. Não vale a pena me calar, para não afetar terceiros que pouco se importam. Tenho minha mãe.. ela me ouve e é o bastante.
Ainda sim, a dor precisa ser sentira e será... Porque a forma que dói aqui dentro, poeta nenhum foi capaz ainda de desenhar.
Tudo bem... Vou ficar bem, sempre fico, mas até isso acontecer, eu vou chorar sim, muitas e muitas vezes, vou ficar mal e me sentir vazia... Sem me importar em quantas vezes reguei as plantinhas do jardim da alma, com as gotinhas salgadas das torneirinhas dos meus olhos.
Y. de Carvalho. 17/05/2018, 19:49hs.













