MARCO AURÉLIO BARBOSA SCHAAN
Consultor em gestão de projetos de TI na Trf Da 4 Regiao
Este microscópico ser invisível parece que parou o mundo. Mobilização de todas as áreas da sociedade para a preservação da vida. Mas no mundo dos negócios o Plano de Continuidade foi ativado em função do risco iminente que apontou grandes perdas para nossa saúde empresarial e pública?
O Plano de Continuidade de Negócios é um pequeno pedaço do planejamento das empresas. Internacionalmente, podemos dizer que o país mais avançado em tratar o Plano de Continuidade de Negócios e seus riscos é o Japão. E você, curiosamente, quer saber o motivo. Bem, é simples, a localização geográfica da ilha japonesa fica nas fronteiras das placas tectônicas e favorece o surgimento de terremotos e tsunamis. Estes são fatores de alto risco para a continuidade da vida e dos negócios japoneses. As construções e as atividades da sociedade japonese é toda voltada com o propósito de monitorar e avaliar as situações de riscos que envolvam perdas. Sendo, por isso, o país que estava mais bem preparado para enfrentar a pandemia do SARS-COVID-19.
Então, você pode estar se perguntando o que é 100% web? A resposta é simples: A Visão que o advento da internet trouxe para o mundo dos negócios fez das empresas construídas em suas atividades com 100% web, desde seus funcionários em home-office, até seus produtos em softwares, apresentaram o melhor quadro de prevenção contra a pandemia. Em pleno lockdown essas empresas não sofreram alteração nenhuma na sua forma de trabalho, nem tão pouco nos produtos que entrega. Essa revolução tecnológica não só favoreceu aos que optaram por este tipo de solução, mas também, forçaram toda a cadeia a reformular seus conceitos.
Em 2009, o Tribunal de Contas da União em suas auditorias públicas em órgão federais apontou que 70% ainda não tinham um Plano Estratégico, nem tão pouco um Plano de Continuidade. Na área privada, este quadro é próximo do aceitável em grandes empresas, mas nas empresas de médio e pequeno porte ainda é um item do planejamento não muito trabalhado. Um bom Plano de Continuidade de Negócios requer uma Gestão de Risco inovadora e próxima do caos. Digo isso, em virtude da atual crise que pode ser comparada com a da Gripe Espanhola do início do século passado que durou anos até ser controlada. O Brasil lidera os casos de contaminação. Não pelos seus 100 milhões de pessoas que ainda não tem esgoto cloacal, nem pelos 30 milhões de pessoas que ainda não tem água potável para lavar as mão. E diga-se de passagem, LAVAR AS MÃOS é o básico para o controle da doença. Não são esses itens que nos tornam tão vulneráveis. Na verdade, o que encontramos é falta de Plano de Contingência para as crises. Talvez o único que esteja mais bem preparado é o BOVESPA que, em função da LEI SOX Sarbanes-Oxley, tem uma Gestão de Risco invejável.
Como cidadão brasileiro, e hoje com 56 anos, posso, sem resiliência, declarar que o país sofre com crises constantes, desde crises econômicas, pois já estamos na nona moeda em circulação, crises políticas, turbulências constantes em Brasília e nos estados e municípios, crise na saúde, agora com hospitais de campanha sem respiradores para enfrentar a pandemia. Podemos citar várias crises: energética, educação, desemprego, ... . O que isso tem a ver com o assunto tratado? A análise de risco tem de levar em conta todo o tipo de risco envolvido no negócio. Com este volume de problemas que enfrentamos um bom Plano de Continuidade deve envolver o comitê de crises para solucionar de forma a trazer o menor impacto para os negócios. Numa avaliação feita pelo Fundo Monetário Internacional a contração da economia brasileira será de 9,1%, isto trará alterações nos Planos de Ação empresarial e públicos. Uma lição que se pode tirar do momento com relação a Plano de Continuidade: Quando a Organização Mundial de Saúde lançou o alerta em setembro de 2019, e por isso o COVID-19, tanto as autoridades públicas como os da iniciativa privada deveriam ter tomado as precauções necessárias para não ser lenientes com o que ocorreu. Imagine se o cidadão japonês não der a devida atenção aos alertas de segurança em casos de terremoto ou tsunamis, basicamente o desastre será maior. Por isso, os japoneses foram mais precavidos e bem preparados para este tipo de crise.
O Plano de Continuidade de Negócio é especial para cada tipo de negócio e pode ter similaridade com estas fases:
Declaração de Políticas específicas da empresa para a continuidade;
O objetivo e o escopo devem ser entendido por toda a organização;
Devem todos estar engajados em como o plano será executado (testes devem ser feitos para que o mecanismo do plano seja do conhecimento de todos);
As perdas devem ser dimensionada para que se possa ter noção da gravidade;
Uma Gestão de Risco deve ser imprescindível para o sucesso do PCN;
Definição clara dos procedimentos do Comitê de Crise;
Atribuições de autoridade, responsabilidade e deveres;
Programa de testes com cronograma pré-estabelecido e rotineiro;
A Gestão de Risco, a análise de impacto e o Plano de Ação são os artefatos mais importantes do PCN. Na Governança Corporativa da empresa este será o fator preponderante de sua sobrevivência. O Plano de Continuidade mais básico encontrado é o combate a incêndio. E se você fizer uma estatística sobre quantos estabelecimentos, prédios comerciais, organizações tanto públicas como privadas que o fazem de forma primorosa, bem, não se horrorize com o resultado. Certamente, mais de 70% só possuem o material exigido na liberação do Alvará para funcionamento e nada mais. Não vou nem falar em simulação de incêndio para testar a evacuação do prédio com segurança. É se você começar a entrar no assunto verá que no geral este assunto existe, mas todos tratam com a mesma leniência, pois ele em si, se não ocorrer, não gera valor agregado. Ele só vai dar resultados e soluções quando ocorre. Bem por isso, que sua elaboração despende de orçamento e custos que a empresa, ainda hoje, não pode apostar como sendo imprescindível para sua sobrevivência.
Este assunto se torna rico em informações em momento de crise, só que nos vivemos em crise: crise econômica, crise social, crise política... . Como já abordamos acima, então qual o motivo de não se apostar em Plano de Continuidade. A resposta é: "O resultado só aparece durante a resposta à crise". Por isso, quanto maior a crise, maior o esforço para criar um projeto que atenda a proporção que ela atinge. Usando uma gíria do malandro popular: "Eu confio no meu taco (taco de bilhar)". Esta expressão corresponde aos 70% que não elaboram planejamento antecipado a crises, e, portanto, fazem, sem sombra de dúvidas, planejamentos durante as crises. Só que eles podem ser, como diz a gíria: " A bola da vez (bola 8 na sinuca)", ou seja, desta vez a sua organização não resistiu a crise e mesmo com o plano que você estabeleceu e tudo deu errado.
Ainda não temos o registro do volume de negócios que vão desaparecer ou reaparecer pós pandemia. O certo é que os que possuem gestores prontos para ativar o Plano de Continuidade estão trabalhando, ininterruptamente, para alavancar seus negócios. Os 100% web não estão indiferentes com relação ao seu Plano de Continuidade, aliás, nem por isso eles deixaram de ativa-lo durante a crise. Ocorre que, seu PCN, neste caso, tem outras prerrogativas, pois as diversas soluções que os outros deve dar eles não precisão. Não que não haja nada para ser executado, eles também irão sofrer com faturamentos em função da queda do crescimento mundial, mas o PCN deles é bem mais modesto do que os que estão com as portas fechadas.