tento vomitar, mas não é necessariamente a comida que eu gostaria que saísse, mas meu ser. preciso vomitar todas as palavras maldosas, todos os toques indecentes e agressivos, todas as coisas que estiveram presas a mim por tanto tempo. tento vomitar minha alma, para que eu seja enfim livre dos olhares tortos que dirijo a mim mesma. sem dúvida o pior dos olhares que recebo, é o meu. há tanto ódio por mim nestes meus olhos opacos que desistiram de tentar enxergar qualquer luz vinda daqui de dentro. sinto-me enojada por ser quem sou porque não basta ser apenas isso, preciso ser mais, preciso ser melhor e por mais que eu diga que é por mim, todos sabemos que não é. eu preciso da sua aprovação, preciso do seu apoio em cada passo que dou nessa vida que tento fazer ser minha, mas não é. é sua. porque você quis que fosse e eu permiti. secretamente ainda permito, por baixo de tanta máscara, eu ainda preciso que você me diga que estou no caminho certo.
afinal, não é o que mães deveriam fazer?
como serei suficiente para alguém se nunca pude ser para você em todos esses dezoito anos? estou cansada e preciso te vomitar de mim, expulsar cada coisa sua que se alojou em meu peito, quero que se mude, pois aqui já não lhe cabe. serei grande, mamãe, e serei sem você.
- Aza









