Paralisia Lunar
Já é tarde, horário em que as pessoas comuns estão fora de órbita, Todavia também é cedo, tendo em vista que daqui a instantes, sem medo, sem dúvidas, apontará a luz radiante.E foi olhando pela minha janela, casualmente, que a vi: eterna e silenciosa observadora tão bela. Por um instante tudo parou, congelou naquele capítulo, era como estar num lugar onde o tempo não era nem sequer contado ou absorvido. A lua se pareceu comigo, reflexo dos meus desejos : brilhar sem estarrecer, iluminar sem esconder, observar sem julgar, ver sem ansiar. Estás em todos os céus , porém a ironia é que por vezes, casas, prédios e construções, ou até mesmo a janela limitada pelas grades de segurança do meu apartamento, me impedem de ver-te, me colocam de fora , na ausência diante de um espetáculo gratuito, sem segundos intuitos. Assim como a lua, trago uma essência sofrida, uma dor velada, vestida, mas como ela, sem pressa , degustando-a em requinte, sem medos sobre o dia seguinte. Já posso agradecer à essa luz incandescente! Tirou-me o falso riso impertinente, e implantou-me a suavidade e a leveza dum sorriso sincero e quente. -- Elena MorganaDeAvalon













