--- Sabe o que eu acho? Eu acho que a Tay-tay nunca esteve tão certa. --- Levantando da cadeira num ímpeto, Lorenzo cruzou a sala de estar. Seus passos eram letárgicos como de costume e o celular em uma das mãos tinha o Spotify Premium aberto, por onde escolhia a música que, uma vez transmitida através dos auto-falantes do Home Theater, quebraria o silêncio tenso daquela pseudo-conversa sobre segredos do passado. --- You need to calm down, my friend. --- Ele disse em tom sério, ainda que pouco crível após a viradinha dramática para que ficasse frente a frente e pudesse apontar para o ex-colega de sala. O sorriso surgiu assim que a batida contínua da referida canção começou, mais ou menos dois segundos depois e no exato momento em que chegou ao destino: o minibar ao canto. Mãos experientes passaram a equilibrar um litro de Gim Rosê importada, a bituca do cigarro e duas taças de cristal. Antes disso, tinham pego e sutilmente escondido um objeto pequeno no bolso do robe que vestia por cima das roupas de dormir. E daí que já era dia? Estava de férias. Além do mais, não era como se os pais fossem colocar os pés em casa tão cedo para reclamar. --- Quem vive de passado é museu, e até isso só serve pra fazer meme. --- Ele riu baixinho, lembrando de como costumava passar o tempo arrumando legendas improváveis para as obras de arte quando mais novo. Alguns passos de volta e continuou: --- O ponto é: Quem liga pra quem espalhou? Já passou, todo mundo já sabe, pronto, morreu o assunto. Não é como se fossem dar uma de Gossip Girl pra cima da gente depois de, sei lá, um ano. --- Ele esperava. --- Agora toma aqui teu copo.