Preference - One Direction
Um de vocês declara greve
Faz tempo que eu não apareço aqui, hein? Espero que gostem <3
Harry
— Amor, você não vem? — Harry me chama, pela quarta ou quinta vez.
— Já vou! — Grito do escritório.
Desde que fui promovida à gerente na loja em que trabalho, minha carga horária se tornou muito mais puxada do que antes. Não bastavam mais as horas prestes dentro do emprego, também precisava sacrificar algum tempo em casa para finalizar gráficos de vendas e relatórios.
Era cansativo. Mas, também é gratificante.
Finalmente estava colhendo os frutos dos meus esforços e do meu trabalho duro.
O lado ruim, era a falta de tempo para o meu namorado.
Por mais que fosse o meu maior apoiador, Harry era o tipo de namorado que gostava de contato, de atenção.
Estava acostumado a ser o centro das minhas atenções sempre que eu chegava em casa, o que ultimamente, não estava acontecendo.
— Já passou meia hora. — H reclamou, abrindo a porta do escritório.
— Eu já estou terminando, amor. — Prometo, com os olhos fixos na tela do computador.
— É o que você sempre diz. — Resmunga. — Amor, hoje é seu dia de folga, e você não passou nem dez minutos comigo.
— Desculpa, meu bem. — Suspiro. — Mais uns quinze minutos e eu estarei livre, hum?
Ele revira os olhos antes de sair.
Os quinze minutos, viram quase uma hora. E eu saio exausta atrás dele. Com o coração culpado.
Eu também sentia falta dele, e esperava que o período de adaptação acabasse logo para voltarmos ao normal.
Harry estava sentado no sofá, com os olhos fixos na televisão e um balde pela metade de pipocas no colo.
— Começou o filme sem mim? — Perguntei, sentando ao seu lado. Ele sequer virou o rosto para me responder.
— Você disse quinze minutos, faz uma hora. — Deu de ombros. Seu tom grave deixando bem claro que ele estava chateado.
— Me desculpa, meu amor. — Tentei me aproximar, mas ele arrastou o corpo pelo sofá, indo para mais longe. — Achei que queria ficar um tempinho juntos…
— Eu queria, S/N. — Pausou o filme, finalmente me olhando. Ele está a sério, e era muito difícil ver Harry daquela forma. Ele realmente estava chateado, e com toda a razão. — Eu queria passar um tempo com a minha namorada, mas ela estava ocupada demais naquele maldito escritório.
— Hazz… você sabe que é importante. Eu estou no período de adaptação, se me sair mal, vão me rebaixar.
— E eu entendo. De verdade. Mas você não pode esquecer do resto da vida por causa disso! — Cruzou os braços. — É a sua primeira folga em semanas, e eu pedi para cancelarem o ensaio para poder ficar com você, e no final, fiquei o dia todo sozinho. — Seus lábios formaram um bico, o que me deu vontade de rir. Mas eu sabia que pioraria muito a situação.
Harry era uma criança no corpo de um adulto.
Me aproximei novamente, e desta vez ele não se afastou.
— Eu sei, meu amor. Me desculpa. — Segurei suas bochechas. — Eu vou ligar para a senhora Lin e pedir mais uma folga para amanhã. O que acha?
— Eu tenho ensaio. — Resmungou.
— Eu posso ir com você. — O rosto lindo se iluminou com o sorriso.
— Sério?
— Sério. — H desfez a armadura de antes, descruzando os braços para me abraçar. — Eu prometo que vou dar um jeito em tudo, okay? Não vou deixar você de lado.
— Acho bom. — O bico voltou, e dessa vez, eu o beijei.
Estava morrendo de saudade. Mesmo nos vendo todos os dias e dormindo juntos, não estávamos mais sendo tão carinhosos.
Então, o beijo que era para ser só um selinho carinhoso, se tornou algo maior.
Styles segurou meu cabelo, empurrando a língua contra a minha e me fazendo suspirar ao sentir seu gosto depois de tanto tempo.
Mas, antes que eu pudesse aproveitar mais do momento, ele o desfez.
— Vou tomar um banho. — Disse rápido, me deixando confusa.
— Posso ir junto?
— Não. — Foi firme. — Eu posso até ter perdoado você, mas, até que eu note diferença, estou de greve.
— Greve? — Falei sem entender.
— Isso mesmo. Você vai ficar sem esse corpinho gostoso até aprender a dar atenção para o seu namorado lindo.
— Você não está falando sério.
— Seríssimo. — Sorriu. Pisquei algumas vezes, atônita demais. Louis queria aquilo tanto quanto eu, o volume em sua calça deixava isso bem claro.
— Amor, isso é maldade. — Choramingo.
— Você me ignorar também é. — Debocha. — Peça algo para comermos, eu já volto. — Disse praticamente correndo para longe de mim.
Isso só pode ser brincadeira…
Liam
Senti minhas mãos suando tamanho o meu nervosismo. Meu pobre coração batia desesperado á espera dos resultados da premiação.
Liam fora indicado pelo último single solo que lançou. E eu estava torcendo muito. Ele se dedicou por semanas, idealizou o MV, se preocupou com a estética, o figurino e a maquiagem. Também havia obrigado Chris a gravar e regravar a canção pelo menos umas 20 vezes, por mais que o amigo produtor insistisse que estava perfeita.
No sofá da sala do nosso apartamento, recolhi as pernas, quase comendo meus dedos de tanta ansiedade quando seus concorrentes começaram a passar na tela.
Um pedacinho de cada uma das músicas passava, e a imagem ao vivo logo ao lado.
Meu estômago revirou quando meu namorado apareceu, sussurrando alguma coisa no ouvido de uma cantora e piscando um olho logo depois.
A plateia foi à loucura. E eu também.
Confiava em Liam, sabia que ele nunca me trairia.
Mas aquele lado dele, o que aparecia apenas quando estava no meio dos outros famosos, me irritava. Ele adorava flertar.
Independente do gênero da outra pessoa.
Sem esperar pelo resultado, desliguei a televisão e tomei um banho.
Estava deitada há algum tempo quando o Idol entrou em nosso quarto, com um sorriso enorme e uma expressão cansada.
— Não vai dizer nada? — Perguntou com uma sobrancelha erguida.
— Sobre?
— Não assistiu a premiação, amor? — Revirei meus olhos, ainda chateada.
— Não. — Minha resposta o surpreendeu, já que eu sempre assistia a suas premiações.
— Eu ganhei. Melhor single.
— Parabéns. — Resmunguei, me ajeitando embaixo das cobertas e desligando o abajur.
— Eu pensei que iríamos comemorar. — Senti o colchão afundar ao meu lado.
— Não foi para o after party?
— Fui… mas eu queria comemorar com a minha mulher. — Sussurrou, usando o seu melhor tom sedutor. Respirei fundo ao sentir suas mãos entrarem debaixo da camiseta de pijama, deixando um leve aperto em minha cintura. Mas, recobrei minha consciência rapidamente e me desfiz do seu toque. — O que aconteceu?
— Não sabe mesmo?
— Não. Amor…
— Eu estava assistindo a premiação, Payne. — Bufei. — Até você começar a sussurrar no ouvido de outra.
— Ah, foi isso. — Soltou uma risadinha. — Babe, você sabe que eu faço isso para instigar ao público. — Deixou um beijo em meu ombro. — Eu só quero você.
— Eu não estou nem aí, Liam. O mundo inteiro agora está rindo da minha cara e me chamando de corna.
— Você tá exagerando.
— Entre em qualquer rede social. — Desafiei. Mas ele sabia que era verdade, porque era o que acontecia toda vez. Eu virava a chacota do fandom.
— Me desculpe, okay? Não vai mais acontecer. — Repete a promessa que tantas vezes fez e não cumpriu.
— É bom mesmo.
— Vamos comemorar agora, hum?
— Pode comemorar sozinho no banheiro, gato. Até a próxima premiação, eu vou dormir de jeans. — Empurrei a coberta para fora, revelando a minha pequena vingança. Liam arregalou os olhos castanhos..
— O que quer dizer com isso?
— Sem sexo pra você, lindinho. Até cumprir com a sua promessa.
— S/N, a próxima premiação é daqui dois meses! — Fala desesperado.
— Sugiro que comece a malhar o pulso então.
Louis
Isso não pode ser sério.
Depois de quase três semanas fora em turnê, meu namorado realmente está sentado em frente à televisão jogando vídeo game por quase cinco horas seguidas?
Tomei meu terceiro copo d'água, tentando acalmar a minha raiva.
Estava morrendo de saudades de Louis, mas o britânico não parece ter sentido tanto a minha falta assim, já que não desgruda do joystick.
Não sou o tipo de namorada que cobra atenção o tempo inteiro.
Mas, porra. Depois de três semanas inteiras longe?
Quando tudo que podíamos fazer era conversar por mensagens e ligações quando ele podia?
Lisa, minha melhor amiga, havia me convidado para uma festa, que eu neguei por saber da chegada iminente do meu namorado.
Enviei uma mensagem, avisando que iria e fui até o nosso quarto.
Não demorei muito para me arrumar, fiz uma maquiagem simples, arrumei o cabelo e peguei o vestido que eu sabia que mexia com a cabeça dele.
— Vamos sair? — Louis perguntou assim que passei pela sala, colocando os brincos nas orelhas.
— Não. Eu vou.
— Como é? — Pausou o jogo.
— Eu vou sair, ué. — Debochei.
— Eu volto de uma viagem longa e você decide sair? Do nada?
— Você decidiu jogar vídeo game o dia inteiro. Por que eu não posso sair e me divertir um pouco? — Sorri. Me curvei, deixando um beijo rápido em seus lábios, deixando-os marcados com o vermelho do meu batom. — Não me espere acordado, hum? Boa sorte no jogo. — Pisquei um olho.
Assim que entrei na festa, Lisa veio me abraçar. Gritando que não acreditava que eu realmente havia ido e que Lou já havia mandando mensagem perguntando onde eu estava.
Pedi que ela ignorasse e decidi que realmente iria me divertir.
Estava no quarto drink quando um burburinho estranho começou a dispersar as pessoas. Ergui o pescoço, tentando encontrar o grande causador e abrindo um sorriso vitorioso ao ver o britânico se desvencilhando da multidão.
Com uma calça rasgada, uma jaqueta de couro e os cabelos ainda úmidos do banho recente, Louis andou a passos duros até a nossa mesa. Sentando ao meu lado sem nenhum convite.
— Ué, perdeu no jogo, amor? — Enruguei as sobrancelhas, na minha melhor expressão de deboche.
— E eu ia conseguir me concentrar? Sabendo que você está uma delícia nesse vestido no meio de um monte de otário? — Resmungou, todo mal humorado.
Lisa já sabia sobre a minha pequena vingança, segurando a minha mão quando uma música animada começou e me arrastando para a pista, ignorando totalmente a presença dele.
Ela sorria, cúmplice e me girava entre os bêbados.
Mas antes mesmo que o primeiro refrão terminasse, um par forte de mãos segurou minha cintura. Me virei, enlaçando o pescoço do meu namorado.
Mesmo braço, ele continuou seguindo meu ritmo. Encarando feio cada um que tivesse a coragem de me olhar por mais do que um segundo.
Eu estava me divertindo.
Deixei um selinho em seus lábios, que ele fez questão de prolongar em um beijo delicioso e longo. O primeiro desde a sua volta.
— Eu já entendi que não te dei atenção direito, okay? — Sussurrou em meu ouvido, mordendo meu lóbulo em seguida. — Vamos pra casa. Vou cuidar de você.
— Eu estou me divertindo aqui.
— Pode ser bem mais divertido na nossa cama, linda. — Seu tom rouco mexe comigo. Mas eu ainda estou chateada.
— Podemos até voltar, mas a nossa diversão não vai ser a que você planeja.
— Não? — Diz, confuso. Eu nego com a cabeça.
Seven, de Jungkook, começa a tocar alto, arrancando gritos dos presentes.
— Sem seven pra você, amor. Estou de greve. — Ele arregala os olhos enormes.
Estamos acostumados a foder como um casal de coelhos mesmo sem o tempero da saudade. E eu sei que isso também vai me afetar, e que talvez seja infantilidade.
Mas…
Sei que Louis vai aprender a sua lição depois de uma ou duas semanas.
Niall
Tirei meu sapatos assim que adentrei o apartamento. Meus pés agradeceram a falta do aperto e meu corpo inteiro clamava por um banho gostoso e longas horas de sono.
Mas, o cheiro diferente que estava vindo da cozinha me deixou curiosa.
Niall raramente cozinhava, apenas em ocasiões especiais, o que me deixou em alerta.
Caminhei até lá, encontrando a mesa posta de forma romântica. Haviam pétalas de rosas e velas que pareciam ter queimado até a metade.
Merda. Merda. Merda. Merda.
O que será que eu esqueci?
Caminhei até nosso quarto, à procura do meu namorado. Encontrando uma versão emburrada. Com Cookie enrolado em seu colo, ele apenas ergueu os olhos em minha direção, soltando um suspiro longo pelo bico enorme em seus lábios.
— Oi, amor. — Falei baixinho, me aproximando.
— Não esqueceu de nada não?
Repassei as datas em minha cabeça, tentando saber qual delas eu esqueci.
Aniversário de namoro? Não, já passou.
Aniversário dele? Não, ainda faltam muitos meses.
Dia dos namorados? Mês errado.
Então o quê?
— Hoje fazem quatro anos do nosso primeiro beijo. — Resmungou ao ver minha expressão confusa.
Niallhyung gostava dos detalhes. De comemorar datas que nenhum outro casal fazia. Como o dia em que nos conhecemos, o dia em que confessamos, o dia do nosso primeiro encontro
Niall dizia que isso tornava nosso relacionamento especial. E também era mais uma data para usarmos como desculpa para passar o dia enrolados um no outro, trocando juras de amor.
O problema era que eu era terrível com datas.
Mantinhas as principais salvas em meu telefone, mas as outras sempre me confundiam. Geralmente, ele deixava escapar antes o que planejava fazer, e eu nunca deixava claro que não lembrava. Mas não desta vez.
— Sua lasanha preferida está no forno, pode comer se quiser.
— Você fez lasanha? — Falei ainda mais culpada. Ele costumava cozinhar pratos mais fáceis. Comida coreana, que ele estivesse acostumado a fazer, sem arriscar demais, por medo de fazer alguma besteira e estragar nosso jantar.
— Sim. — Suspirou. — Obriguei minha mãe a passar o dia todo no celular para me ajudar com o passo a passo. — Deixou um carinho na cabeça do cachorrinho adormecido.
Meu coração apertou. Sentei ao seu lado na cama.
— Amor, me perdoa. — Falei em um muxoxo. — Você sabe que sou péssima com datas e está chegando uma conferência importante, então fiquei ocupada no escritório…
— Eu entendo. — Suspirou, ainda magoado.
— O que posso fazer para você me perdoar?
— Não precisa.
— Precisa sim, amor. — Segurei sua mão.
— Assiste um filme comigo? Aquele documentário sobre pintura pós-impressionista — Ergueu os olhos, ficando com uma expressão tão fofa quanto a de Cookie quando queria petisco. Por mais que não fosse exatamente o tipo de conteúdo que eu gostava de assistir em minhas folgas, abri um sorriso e assenti.
— Só vou tomar um banho rapidinho antes, okay? — Ele concordou, finalmente abrindo um sorriso.
Niall já não estava mais no quarto quando saí do banheiro.
Ele estava sentado no sofá, o documentário já selecionado no aplicativo da televisão e sobre a mesinha de centro havia um pedaço da lasanha reaquecido.
— Não precisava ter aquecido, amor. Obrigada. — Niall enrugou o nariz, como sempre fazia ao me ouvir agradecer pelas coisas pequenas do cotidiano.
Ele se ajeitou no sofá, apertando o play enquanto eu devorava a comida.
Estava uma delícia. E isso me deixava mais culpada ainda, por saber todo o esforço que ele teve.
Quando fiquei satisfeita, larguei o prato e me aconcheguei a ele. Meu namorado fazia um carinho gostoso em meu cabelo, e eu coloquei a mão dentro de sua camiseta.
Não era nada com segundas intenções, queria apenas sentir o calor de sua pele. Mas a forma como seus músculos endureceram ao meu toque me agradou.
Arrastei as unhas pela sua barriga, ouvindo sua respiração se tornar mais pesada.
— Para. — Disse em tom grave.
— Hã? — Ergui minha cabeça que estava apoiada em seu sombrio até então.
— Eu sei que não foi intencional, mas ainda estou chateado.
— Amor, eu já pedi desculpas. — Murmurei.
— Mesmo assim. É um dia especial, que nós comemoramos há três anos. — Bufou.
— Me perdoa, lindo. — Tentei deixar um selinho em seus lábios, mas ele desviou.
— Até que eu não esteja mais chateado, vai precisar de contentar só com o carinho. — Declara.
— Não entendi.
— Estou em greve?
— Sim. Greve de sexo. — Isso só pode ser brincadeira.
— Um beijo não é sexo. — Argumentei.
— Mas leva á ele. Nós nunca apenas nos beijamos. — Diz com ironia.
— Vamos comemorar o dia do nosso primeiro beijo sem nos beijar?
— Isso mesmo.
— Amor! — Falei alto. — Isso é bobagem.
— A decisão já está tomada. — Sorriu, praticamente rindo da minha cara. — Agora, vamos assistir, está chegando em uma parte boa. — Mudou de assunto.
— Niall…
— Shhh, vão começar a falar sobre Van Gogh. — Me calou, voltando a prestar atenção na tela, como se nada estivesse acontecendo.
Zayn
Empurrei a língua contra a bochecha, tentando controlar a sensação estranha que revirava o meu interior.
Odeio sentir ciúmes.
É um sentimento confuso, que pode acabar com o relacionamento. E é completamente ridículo também.
Confio na minha namorada, sei que ela nunca me trairia em hipótese alguma.
Mas, então, porquê me sinto tão incomodado quando ela conversa animada com o novo staff?
Iniciamos as gravamos do novo MV há algumas horas, e desde que a minha garota chegou e descobriu que a nova adição da equipe é de seu país natal, os dois falam na língua materna sem parar.
Eu sei que se comunicar em sua própria língua é algo que faz falta para S/N. Já que tantas vezes ela tentou me ensinar algumas palavras.
Mas, com a correria do dia a dia, o comeback, o álbum e os ensaios, ficava muito difícil me dedicar em doentes uma nova língua. Principalmente uma tão complicada quanto o português.
— Se olhar pra ele mais um minuto, o garoto cai morto. — Jason debocha baixinho, me fazendo revirar os olhos.
— O que tanto eles conversam, hein? — Resmungo. Meu amigo ri, se divertindo com a cena.
— Zayn. Eu preciso que você se concentre, já gravamos três vezes a mesma cena porque você errou as marcações. — O diretor ralha. Eu engulo em seco, me sentindo um idiota e prometo melhorar.
Estava exausto quando finalmente deitei na minha cama. O banho quente relaxou meus músculos e me deixou pronto para dormir.
Estava lendo, esperando S/N se juntar a mim. Não demorou muito para que o cheiro gostoso do seu perfume preenchesse o quarto e ela deitasse em seu lugar. Larguei o livro na mesinha de cabeceira e me ajeitei, arrastando o nariz em seu pescoço e me divertindo com o arrepio que correu por sua pele.
Estava pronto para colocar as mãos na minha garota quando ela soltou um suspiro manhoso.
— Você estava tão lindo hoje. — Elogiou. E a minha carranca se formou.
— Como sabe? Não tirou os olhos do seu novo amiguinho. — Proferi, virando de costas.
— Amor… está com ciúmes? — Perguntou relutante.
— Não.
— Tem certeza? — Colocou a mão pequena em meu ombro.
— O que tanto vocês conversaram? Porra, o assunto não acabava mais. — A encarei de lado, odiando o sorrisinho que se formou em seus lábios naturalmente rosados.
— De tudo um pouco, Z. Sabe como eu sinto falta de falar na minha língua. — Fez um beicinho. Quase me fazendo ceder.
— Amanhã você não vai. — Aviso.
— Você não acha que está exagerando?
— Não, não acho. — Ela ri de novo, mas concorda com a cabeça.
— Vira pra cá de novo, estava tão gostoso. — Diz baixinho, arrepiando meus pelos.
— Não. Eu tô puto com você.
— Me deixa resolver essa marra, amor. Eu sei exatamente como te deixar calmo. — Fecho os olhos, lutando contra a tentação.
— Não. Sem sexo. — Ela ri.
— Então tá.
— Vai aceitar assim? Sem discussão? — Pergunto incrédulo. Realmente esperava por uma “briga” que acabaria em uma transa deliciosa no final.
— Não. — Negou com uma expressão despreocupada. — Eu sei que você não vai aguentar.
S/N se vira na cama. O lençol escorrega um pouco em seu corpo, revelando a bunda redonda que quase não é coberta pela camisola azul.
Merda.
Eu perdi a guerra antes mesmo de começar a lutar.


















