Prelúdios é uma coleção de aforismos e provérbios escritos durante a juventude, e até agora nunca inteiramente lidos por ninguém. Aqui o link para a dedicatória em favor da pureza de minha filha, que este mísero mundo de trapaças não há de corromper.
Em seguida, faço uma pergunta ao leitor, que hoje deve conhecer-se também em seus apreços. E são precisamente esses apreços que conquistarão seu tempo livre (Como achar tempo).
Mas o problema com os gostos populares é serem selecionados sob efeito da cultura das massas e de seu cardápio malsão. Essa cultura opera um estreitamento intelectual e uma uniformidade dos modos (A cultura da uniformidade), e corrompe a própria moral, que ao invés de traduzir-se numa conduta pura e conscienciosa, distribui juízos bitolados que se voltam contra a própria moral e a ridicularizam. O extravio da moral em julgar os outros por meio dela, ao invés de exclusivamente a si mesmo, leva ao endurecimento e ao desamor. O extravio da disciplina é a pretensão dessa estreiteza moral, que se acha preparada para corrigir os outros, naturalmente por meio dessa dureza e severidade que antes os perde. O papel do autoengano na corrupção da moral é a constatação de que, se um homem não vigia contra o mal nem o combate em seu interior, esse mal será capaz de enganá-lo e corromper a virtude em mera aparência dela. Em Onde nadam as vítimas fáceis, a superficialidade com que a cultura moldou as massas deu ao mal um caminho fácil para destruir as virtudes dos povos já a partir dos pequenos conflitos da vida doméstica. E em Nostalgia do mal, a corrupção se torna um prazer do qual a vulgaridade se lembra com saudade ao invés de arrepender-se dela.