A partir de hoje, dou início ao Projeto O Som Das Palavras.
Toda segunda-feira a noite um texto inspirado em uma música que eu gosto, misturando as coisas que eu mais amo no mundo: ouvir música e escrever. A proposta aqui é escrever como eu me sinto quando ouço aquela determinada música, o que eu penso, onde imagino que eu estou, qual a vibe que aquela música me passa, enfim...
Texto de hoje é inspirado em Pink + White do Frank Ocean. Recomendo que ouça a música enquanto estiver lendo esse texto.
Nostalgia
Era um domingo à tarde ensolarado. Enquanto lia um livro deitada na rede, lembranças do passado começaram a ocupar minha mente. Pensei em como estariam as pessoas que conheci na adolescência. Lembrei dos lugares por onde andei, dos amigos que fiz, das primeiras experiências amorosas, de como a vida parecia mais simples, sabe?
A gente tenta tanto entender o sentido da vida, mas ele escapa pelos nossos dedos todos os dias e estamos sempre ocupados demais para perceber. Estamos aqui pela troca. Nosso propósito é aprender a deixar o ego de lado e a conviver com o outro. Não evoluímos sem os ensinamentos que vêm da convivência, das pessoas, da arte que nos inspira e que também nasceu de outras mãos. Quando falamos de felicidade, ela sempre inclui alguém: nossa família, nossos amigos, a pessoa que amamos.
Pensando nisso, minha mente visitou aqueles que já se foram, seja pela morte ou pelo tempo. Será que dei o devido valor a eles enquanto ainda estavam aqui? Mesmo acreditando na eternidade do tempo e na imortalidade do espírito, é estranho pensar que a vida pode nos afastar em um estalar de dedos ou que nossa presença em matéria é tão breve, que, de repente, podemos olhar para o lado e não ver mais quem estava ali há um segundo.
Tentei voltar minha atenção às páginas que lia antes desse fluxo de pensamentos me arrancar do presente. Ainda assim, foi difícil. Grande parte do barulho na minha cabeça vem das dúvidas sobre o que fiz no passado. Mesmo assim, prefiro guardar as boas lembranças: o amor que recebi, as músicas que me remetem a tempos que não voltam mais. Tenho o hábito de me alimentar da nostalgia; afinal, ela é uma viagem pelas memórias mais felizes que temos, um refúgio temporário em meio ao agora. Pensar que antes as preocupações eram menores fortalece nossa mente para enfrentar as ondas gigantes que o mar da vida nos impõe.
Quando minha mente voltou para aquela rede, o livro ainda esperava por mim. Tarde demais. O interesse pela leitura já havia se perdido. Levantei-me e olhei para o céu. Ele estava rosado pelo cair da tarde, com nuvens muito brancas, como se me dissesse que era hora de me recolher e encerrar aqueles devaneios.















