O salário mínimo, ele é ajustado normalmente uma vez por ano, só que os preços, eles vão aumentando toda semana, todo mês, ou, dito de outra forma, o dinheiro perde valor constantemente e não apenas numa janela anual de dezembro a dezembro, de janeiro a janeiro.
Então, durante esse processo de perda de poder de compra do dinheiro, aqueles que não tiveram seu salário reajustado, e a maior parte das pessoas não tem o salário reajustado todo mês, vão empobrecer ao longo desse processo.
Então, a inflação, perda de poder de compra do dinheiro, é um processo que redistribui riqueza. Empobrece uns, enriquece outros. Normalmente, aqueles que são assalariados e que não têm como se proteger da corrosão do poder aquisitivo da moeda.
Este é um problema. O outro é que, na maior parte dos casos, é utilizado o próprio IPCA como a referência para se reajustar o salário mínimo. Só que cada um tem a sua inflação. A minha inflação em Porto Alegre, com meu padrão de consumo, é diferente da sua, que está em São Paulo, que está no Nordeste, em outra cidade. Varia para cada pessoa.
E eu garanto que os índices oficiais de inflação subestimam a perda do poder de compra do nosso dinheiro.
Então, é bem provável que o salário mínimo reajustado não esteja repondo a perda de poder de compra da moeda. Então, significa que o assalariado, o trabalhador, sim, está perdendo, está empobrecendo. E, se considerarmos que muitos nem são trabalhadores formais, não estão reajustando o salário com base no salário mínimo, alguns não têm carteira assinada, a situação pode ser ainda pior.
Então, sempre a inflação representa um custo, é um imposto oculto. É o imposto cobrado pelo governo porque é ele que emite a moeda, é ele que gasta demais, é ele que se endivida e assim vai desvalorizando o nosso dinheiro ano após ano.