CIESA - uma horta orgânica em El Bolsón
O CIESA é um projeto de horta orgânica baseada no sistema de agricultura BIOINTENSIVA que existe desde 1994 em El Bolsón. Quando eu subi até o Refúgio Frey conheci o Gaetano, outro viajante sem muito rumo como eu. Um dia enquanto pedia carona no Bolsón, foi levado por Fernando Pia, o criador do CIESA, e deixando-se levar pelo acaso, foi voluntariar na horta do Fernando. O Gaeta está lá há quase dois meses, e assim que me liberaram do outro trabalho, escrevi ao Fernando perguntando se eu poderia passar uns dias lá para conhecer o projeto.
Escolhi a dedo os dias que saberia que ia ter sol e depois de três caronas, sendo uma delas com um caminhão que levava combustível (as chances que os carregadores de combustível te levem são mínimas!) e outra com um senhor que trabalhou com cinema, cheguei na rua do CIESA e me deparei com isso:
Fui entrando e já me encontrei com Emi, um dos voluntários, meditando embaixo de uma árvore. Gaeta, o que me trouxe até a horta, estava tocando violão na janela. Já me apaixonei pelo lugar instantaneamente. Mal cheguei e já me deram comida e almoçamos junto com a Maca, outra voluntária-viajante.
Ela tinha preparado uma salada com as verduras da horta, e aquele sabor de "orgânicas recém colhidas" explodiu na minha boca, fiquei como uma criança feliz perguntando o nome das folhas para eles e eram todas folhas que eu nunca tinha escutado falar, com nomes muito divertidos: acelga arco-íris, alface orelha do diabo e flecha dourada, espinafre vermelho de montanha. Parecem nomes tirados de um livro do Tolkien.
Se bem que, agora pensando, o lugar é tão mágico como para ter saído de dentro da imaginação de alguém do tipo. Me apaixonei particularmente pela Indian Mustard, uma folha gigante com um sabor muito forte a mostarda.
Depois fui conhecer a horta, enquanto o Gaeta me explicava como funciona o trabalho voluntário: são de 4 a 5 horas de trabalho por dia, fins de semana livres. Somos responsáveis pela manutenção da casa que ele cede:
O Fernando tem um livro publicado onde ele explica com detalhes como manter uma horta biointensiva e os voluntários, podem colocar em prática toda a teoria do livro :)
Plantar as sementes desenhando um hexagono, tudo milimetricamente calculado para tirar todo o proveito da terra e evitar desperdícios de água, compost e fertilizante. Nada de maquinarias, nada de combustível, tudo na base de energia limpa. Bem sistemático, planejado e organizado. Conheci as camas, os hibernáculos e os vários vegetais que nunca tinha visto na vida que existem no CIESA.
Estava ansiosa para colocar a mão na terra, mas no meu primeiro dia de trabalho fui preparar as saladas que são vendidas para os supermecados locais com o Gaeta. Esse é uma das magias do Bolsón. Um dia fazendo compras, passamos em três dietéticas diferentes. É notável que a alimentação natural está ganhando por aqui.
Tive outros dois dias de trabalho lá, minha estadia foi curta. Nos outros dois dias plantei cenoura, rabanete e rúcula. Passei mudas de alface para as camas de terra. Limpei ervas daninhas (um trabalho eterno em qualquer plantação).
Mãe, eu que plantei!
mudas de cebola :)
O trabalho não é fácil, fisicamente falando. Posições complicadas, é inverno e o tempo estava frio, no meu último dia fomos interrompidos todo o tempo por pequenas chuvas. Mas, sabe como é: trabalhar com a terra e com as mãos, deixar cair uma semente e imaginar que daqui a alguns meses algum voluntário da Bélgica pode estar comendo uma cenoura que eu plantei, assim como eu estava comendo uma alface plantada por algum voluntário holandês alguns meses antes.
Nos cinco dias que estive lá minha alimentação foi vegetariana e um dia, resolvi acompanhar o Gaeta no crudivegan. A verdade é que estando ali é fácil, com tanta variedade de folhas mais as frutas e sementes que compravamos na cidade. Aproveitei a onda e estou continuando aqui em Bariloche sem a carne pelo menos :)
brotinhos de alfalfa
torta maravilinda preparada pela Cris feita com farinha integral, acelga arco-íris e semente de girasol. Gracias Cris (:
A permacultura é um assunto que me interessa muito. Busco me envolver em projetos que querem apresentar uma maneira alternativa de vida, ao invés de só reclamar e esperar soluções que estão fora do nosso alcance. Estou cada vez mais convicta que se todo mundo faz um pouco, como formiguinhas, lentamente o mundo vai tomando outra forma. Aquela velha história de seja a mudança que você quer ver no mundo. Ou não aponte os defeitos, dê o exemplo. E por aí vai. É isso o que estou tentando fazer, é disso que se trata essa viagem.
Sementes ♥
Na casa dos voluntários tem vários livros sobre sustentabilidade e confesso que minha vontade de aumentar minha estadia no CIESA aumentou exponenciamente quando corri meus olhos pelos títulos. Não tive tempo pra ler, mas em um dos livros me deparei com esse gráfico, e quase gritei Eureka:
Detalhe para a parte de educação que menciona Steiner que escrevi sobre não faz muito.
Foi díficil me despedir do CIESA, fui embora quando estava começando a pegar o ritmo, mas levo comigo uma pequena sementinha de como é estar em um projeto biosustentável, já que estava cheia de curiosidade.
Gracias Fernando Pia y Nati por recibirme. Gracias a Gaeta por el encuentro casual que tuve cuando me dijiste que estaba trabajando en el CIESA. Gracias Cris, Maca, Facu y Emi por los días compartidos ♥












