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O fogo do sol nas vidraças de quartos pendurados em edifícios. Meu corpo sente o vermelho, o amarelo sujo. A vida explode em todo canto. Tudo é morte também. Vês quanto brilha o astro sol solitário em cemitérios e enfermarias, entre berçários e túmulos. Onde brota uma estrela, um universo inteiro se apaga.
às vezes soam musicadas as buzinas ou a freada do busão o berro do cara aqui na esquina o helicóptero, a passeata, o avião outra broca pendurando quadros mais um motor subindo a Itu outro é difícil construído sombra e cimento rebocando o céu só não ouvimos a aorta explodindo nos subgraves do coração nem a paixão descendo a Paulista é que os ouvidos, esses dois furinhos, só andam a pé
Lembra? A gente chegava cedinho não tinha gente ainda mas tinha lixo. O sol nem ardia, cê armava a cadeira e sentava eu vasculhava tudo: sempre um barquinho, uma perna de plástico, um saco de leite vazio. Derrepente chegavam: aravam a areia, varriam tudo. Nossa pequena praia; da mureta à água, uns 5 passos grandes, e se molhava as canelas. Tive medo de crescer e esquecer como era. O tempo a gente não sabe, né... Mil enganos, a praia cresceu comigo. Tem muita areia dentro de mim e, por mais que eu ande, não consigo chegar na água.
Estico a vida - disse, tal qual a lesma e o caramujo; o que restar de mim tem que brilhar no sol.