revisitei meu passado ontem. ele me bateu de novo. ele me disse as mesmas coisas e eu senti a mesma dor como de primeira. a dor de parecer objeto, de parecer descartável, inútil. percebi o quanto fui madura em lidar com aquela conversa. mas, madura por fora igual fruta que engana quando se olha superficialmente. por dentro eu estava verde. verde, seca e dura, não sabendo como eu iria reagir às consequências de ser arrancada fora de hora e não servir pra nada. de novo. estava com medo do futuro previsível que eu estou vivendo hoje. eu sabia. pensei que se eu pudesse voltar, me avisaria que se envolver era um descuido com si própria, "fique atenta aos sinais" eu diria. ou talvez não. talvez eu não dissesse nada. só deixasse acontecer. porque era necessário que houvesse a ferida. e que ela doesse, sangrasse e te deixasse forte depois da cicatriz. você não passará por isso de novo. não tropessará na mesma pedra, porque na ida você já caiu. na volta você se lembra e talvez consiga desviar. talvez.











