Festa D'Anos do Oub'Lá: alegria no coração e danos nos pés | Reportagem
O Oub'Lá é um simpático e acolhedor bar em pleno centro histórico de Guimarães no qual têm acontecido concertos e DJ Sets desde 2018. Foi nesse ano que iniciei uma relação de proximidade com o Oub'Lá e a ser visita frequente do bar, não somente em alturas de eventos.
Em 2019 aconteceu a primeira festa de aniversário com as bandas Cosmic Mass, Indignu e os britânicos Italia 90. A reportagem dessa noite pode ser lida aqui. No mesmo ano realizaram outro evento no qual receberam os Solar Corona e os japoneses Minami Deutsch. A reportagem deste evento pode ser lida aqui. Estes eventos aconteceram no São Mamede CAE e CAAA, respetivamente. Locais na cidade com capacidade para receber um número bem maior do que aquele que o bar permite. Esses são dois bons exemplos de eventos de sucesso na diferenciação da oferta cultural da cidade de Guimarães.
Vi também no próprio bar concertos de bandas bem interessantes com foram os casos dos dinamarqueses Mythic Sunship (reportagem aqui), dos espanhóis FAVX (reportagem aqui) ou dos portugueses Jesus The Snake (reportagem aqui).
O Oub'Lá na noite do aniversário // © Mariana Silva - @marianasilvax Tudo isto para chegar à conclusão de que que as propostas do Oub'Lá são aliciantes e bem animadas. Especialmente quando são as suas festas do seu aniversário. A pandemia não deixou celebrar em 2020 e 2021 e quebrou um pouco a onda em crescendo, é certo. Este quinto aniversário, neste último passado sábado dia 13 de maio, veio demonstrar um pequeno milagre. Efetivamente foi o regresso aos bons momentos e a uma felicidade reencontrada por entre amigos e gente que é frequentadora assídua do bar. Nota-se perfeitamente que é mais do apenas um estabelecimento, é também um local de (re) encontro de amigos e onde se vive um espírito familiar.
Vou agora focar-me na vivência das celebrações do 5º aniversário do Oub'Lá. Antes da noite/madrugada no São Mamede CAE houve abertura da programação no final da tarde com um concerto dos lisboetas Grand Sun no Ramada 1930. Este espaço é do tipo Friends, Food & Drinks e recebe eventos musicais com alguma frequência. Dado que possui uma ampla esplanada, parte dela coberta permite a realização de eventos diversos.
Grand Sun no Ramada durante a tarde // © Mariana Silva - @marianasilvax António Reis (voz e teclas), João Simões (voz e guitarra), João Ribeiro (baixo) e Miguel Gomes (bateria) formam os Grand Sun e chegaram a Guimarães ainda com memórias bem frescas de uma recente passagem que o quarteto fez por Nova Iorque. Naquela cidade norte-americana tocaram no The New Colossus Festival, por duas vezes em dias distintos.
O início da sua atuação foi bastante retardada. Inicialmente prevista para as 19:30h só aconteceu uns minutos depois das 20h. Tal fez com que algumas pessoas abandonassem o Ramada 1930 ainda antes do começo. Outras foram saindo durante a atuação. O “prato forte” era a programação da noite pelo que essas pessoas optaram por sair para ter um repasto com tranquilidade num local mais da sua preferência.
António e João dos Grand Sun em destaque // © Mariana Silva - @marianasilvax Efetivamente, perante essa situação menos simpática, a adesão acabou por ficar aquém da minha expetativa. Para quem tinha bilhete do evento tinha acesso livre, quem queria só assistir aos Grand Sun havia a opção de ingresso a 2€.
O palco estava encostado num canto junto à parede, numa zona coberta da esplanada. Pela primeira vez vi um concerto naquele espaço com aquela configuração, inicialmente pareceu-me uma situação algo esquisita.
A banda pediu para o pessoal presente se juntar a eles, existia um espaço em frente ao palco para quem quisesse assistir em pé. As pessoas optaram por ficar nos seus lugares, a beberem o seu drink de final de tarde ou a jantarem, devidamente sentados. Mesas bem compostas diga-se.
Já mais acostumado às condições, foi tempo para escutar o som dos Grand Sun. Eles começaram com “Ground Floor” e na setlist constaram também, por exemplo “Flowers” e Once Again”. Aproveitaram sobretudo para tocar algumas das “malhas” mais porreiras de ‘Sal Y Amore’, o álbum de estreia, falo de "Veera", "Feeling Tired", "Palo Santo" e "Circles" (a última interpretada).
Grand Sun no Ramada durante a tarde // © Mariana Silva - @marianasilvax “Conceptualize” é o single mais recente, lançado em março deste ano, foi tocado e na sua apresentação foi dedicado às mães. O tema antecipa a edição do novo trabalho discográfico, previsto para que aconteça ainda em 2023. Foi um concerto agradável com cerca de 50 minutos. O estilo descontraído da banda e o som com melodias contagiantes merecia um ambiente mais vibrante, com mais gente a assistir.
A noite no São Mamede começou a animar por volta da meia-noite, a 15 minutos do início previsto para a programação principal. Com portas abertas a sala foi, lentamente, ganhando vida. Tal fez atrasar o começo da parte noturna. Marante só entrou às 0:36h e o público imediatamente juntou-se em frente ao palco.
Aos 74 anos, o artista reapareceu nos últimos meses no contexto nacional com um enorme hype junto das gerações mais novas. Gerações que não renegam a música ligeira portuguesa e que até procuram descobrir discografias menos recentes. É algo até bastante surpreendente e igualmente curioso. Marante tem deliciado, em diversos eventos, audiências bem jovens e a noite da Festa D'Anos do Oub'Lá não foi exceção conforme presenciei. Quase do tipo “fenómeno do Entroncamento”…
A atuação de Marante foi bem animada // © Mariana Silva - @marianasilvax A carreira de Marante está, invariavelmente, ligada aos Diapasão. Esta banda foi um enorme sucesso nas décadas de 80 e 90. A sua atuação dividiu-se entre temas da sua discografia a solo e com a banda.
Atuou a solo, sem banda, fez o uso do seu inconfundível timbre e a plateia do São Mamede virou salão de baile e assim foi durante a hora de duração da performance. O ambiente de festa ficou garantido depois da interpretação de "Final de Semana" na parte inicial. Pouco depois com “A Bela Portuguesa", o super êxito que ganhou vida ao serviço dos Diapasão, contagiou toda a gente presente. Foi o momento áureo da noite e que foi repetido antes de abandonar o palco de vez.
Marante a fazer a delicias do público // © Mariana Silva - @marianasilvax Entre canções que lançou a solo ou que fazem parte dos Diapasão como por exemplo: “Será Que Pensa Em Mim”, “Madalena, Meu Amor” ou “Garçon” a noite estava ganha e as hostes animadas. Com alegria no coração e danos nos pés (cansados de tanto dançar e rodopiar) as pessoas sentiam-se felizes e soltas.
A noite prosseguiu com os Fogo Fogo já depois das 2h da madrugada. Francisco Rebelo (baixo), João Gomes (teclas), Edu Mundo (bateria), Danilo Lopes (voz/guitarra)e David Pessoa (voz/guitarra) regressaram a Guimarães depois da participação no festival L’Agosto em 2018. O sabor e o ritmo do afro e do funaná desta vez passou em sala fechada e pelo São Mamede.
Palco bem colorido durante a atuação dos Fogo Fogo // © Mariana Silva - @marianasilvax A plateia esteve, tal como em Marante, bem preenchida. A espaços ia estando um pouco menos de gente devido a pausas para fumar ou para relaxar um pouco em locais mais recatados.
A animação foi contínua com o funaná dos Fogo Fogo em ritmo bem acelerado. Desta vez na bagagem veio repertório mais recheado nomeadamente devido ao álbum mais recente ‘Fladu Fla’ editado em 2021. Deste álbum foram interpretados temas como “Ronca Baxon”, “Ca Ta Da”, Ka Bu Frontan” ou “Fladu Fla”. A performance seguia forte e em crescendo, teve um pico de emoção na interpretação de “É Si Propi” no qual o público foi convidado a subir ao palco. O público correspondeu em pleno e foi mesmo um dos momentos mais incríveis da noite.
Público em palco durante a atuação dos Fogo Fogo // © Mariana Silva - @marianasilvax No regresso para final de festa no encore tocaram “Sentimento”. David Pessoa não se fez rogado e veio para a plateia puxar pelo pessoal. Foi um fecho de atuação bonito após uma performance bem conseguida.
A noite terminou com DJ set por Bruna Campos conhecida artisticamente por Bruma.
A noite foi um sucesso na qual o Oub’Lá teve as merecidas reverências. Para finalizar resta dar os parabéns ao Oub’Lá e ao seu staff pela audácia e pela insistente persistência em querer e fazer programação cultural diferenciada. Parabéns pelo vosso 5º aniversário! Agradecimentos finais ao Oub'Lá, em particular ao Diogo Coelho, e à Mariana Silva pela cedência das fotos. Mais detalhes sobre esta noite podem ser visualizados nas redes sociais do Oub'Lá em @oubla_bar.
Público durante a atuação de Marante // © Mariana Silva - @marianasilvax Texto: Edgar Silva Fotografia: © Mariana Silva - @marianasilvax // Fotos oficiais Oub'Lá


















