Olá novamente, Tumblr! Feliz Natal.
Estamos em clima natalino, isso me deixa muito feliz. É a festividade do ano que mais gosto. Tamanha a minha felicidade, só falta me vestir “à caráter” com agasalho. Dessa vez não vou usar HTML porque ele só me traz confusão. Quando eu estiver mais inspirada ou cuidadosa, posso cogitar usar as letras coloridas. Por enquanto, isso não vai acontecer.
Esse meu texto vai ser bem mais simples que o anterior, tenho menos coisas para dizer, seja isso bom ou não. Eu só queria criar algo sobre esse filme esquecido, mostrar que ele existe. Não é um filme perfeito, ele só serve para certas pessoas. Mas foi uma boa experiência para mim, e foi meio nostálgico relembrá-lo, revê-lo. Ele faz várias questões passarem pela minha mente, sem exatamente eu saber como solucionar cada uma.
Dado esse motivo, gostaria de lhes apresentar o longa animado Anina- estilizado como AninA.
Direção Alfredo Soderguit
Produtoras Rain Dogs Cine/Palermo Estudio/Antorcha Films
Fonte Livro infantil de Sergio López Suárez, “Anina Yatay Salas”
Aqui, a personagem cuja construção importa é somente a protagonista, então não vou me estender em apresentações detalhadas do mundo em que se passa essa história, e nem das pessoas. Até porque o filme se passa no mundo real, igualzinho ao nosso.
A sinopse está nessa realidade, acompanhando a vida da personagem principal no que pode ser tanto o Uruguai quanto a Colômbia. Mais especificamente, acompanha a trajetória dela a partir de certo evento que acabou mudando sua concepção sobre o mundo, trazendo à tona diversas memórias e problemáticas pelas quais passou como estudante, filha, garota...
Mas quem é essa Anina tão importante? Em primeiro lugar, o próprio nome dela já a define como pessoa, não em questão de significado, mas de como ele a afeta. É um palíndromo completo: Anina Yatay Salas, três termos que podem ser lidos de trás da frente da mesma forma que de frente para trás. Por isso, na escola, ela é chamada de “capicua”, que significa cabeça e cauda, tanto em razão do nome quanto da aparência física. A garota está constantemente frustrada com os pais e não entende como deram a ela um nome palíndromo, além dos dois sobrenomes comprometedores. Por vezes, Anina encontra conforto na tentativa de animá-la da avó, que é uma lista dos nomes mais feios do mundo. Sendo que seu nome não está lá, não haveria motivo para se preocupar. Mas a insegurança sempre acaba voltando.
Apesar dessas particularidades, ela ainda é uma menina comum que ama sua família. Anda sempre com a melhor amiga Florencia e está apaixonada pelo colega de classe Yonatan. É curiosa e determinada, mas um tanto medrosa. Também possui grande criatividade e imaginação, o que rende várias cenas fantasiosas ao passar dos acontecimentos, frutos de situações que surgem na mente dela.
A partir daí começa o argumento de que este não é um filme para qualquer um. A olhares frios, os momentos de “alucinação” e reflexão, frequentes na obra, podem soar extremamente bregas ou infantis. Existe até mesmo um número musical, propenso a desagradar aqueles que buscam algo mais sério, sutil. Muitas das cenas que mostram ensinamentos são bem diretas, o que não é um defeito, só um jeito particular de expressar as ideias de uma narrativa para o público-alvo. Podemos saber da discussão explícita sobre métodos de educação antiquados e modernos, bem pertinente em nossos tempos. Mas somente vendo o filme para contemplar a celebração das mudanças nessa área.
Eu falei que muitas das cenas possuem significado explícito e nunca escondido. Existem mais delas, que tocam em diferentes pontos. Porém, uma parte do que é mostrado acaba sendo mais subjetiva, para interpretação de cada espectador. Essa reflexão sobre o que realmente a história quer dizer é uma das melhores qualidades dela. Afinal, ela também pode ser sobre autoaceitação, sobre a aceitação do próximo, sobre entender pontos de vista distintos, sobre como empatia e compreensão são mais eficientes que crueldade para se ter respeito... Ele é um filme detalhista, que comprime tudo que permeia nosso cotidiano pelo olhar de uma criança.
A trama do conteúdo do envelope e da quebra de expectativa que ela cria é nada menos do que excelente. Além do mais, a verdade sobre a lista dos nomes nos faz pensar no objetivo da avó de Anina ao fazê-la. E a mensagem transmitida no final pode ter múltiplos significados. “As coisas boas da vida são de ida e volta”, o que pode-se entender disso? Temos que praticar o bem para ele retornar a nós? Os momentos bons e ruins são passageiros? Todas essas alternativas são possíveis. As discussões trazidas no longa, ora de forma caricata, ora de forma delicada, compõem seu aspecto mais forte e criticam elementos repreensivos de nós mesmos. Muito necessário.
Para quem não entendeu bulhufas do parágrafo anterior, é praticamente indispensável que você assista Anina para entender as menções. Ainda existem outras razões para isso, apresentadas a seguir.
A animação foi uma ótima escolha para contar as cenas da narrativa, igualmente ao estilo do livrinho original. Talvez por isso ele não foi tão popular, uma pena, mas em compensação ganhou vários prêmios cinematográficos na América do Sul. Ele foi esteticamente fiel às ilustrações de sua fonte, os personagens são “chapados”, sem profundidade, dando aquela impressão de que eles estão literalmente em cima do cenário. Interessantíssimo. O estilo adotado é super cartunesco, talvez não agradável para alguns devido ao exagero, mas certamente é intrigante e cumpre bem o seu propósito. Há uma certa irregularidade e até “feiura” intencional no traço para existirem certos momentos de associação de ideias colocados de modo pertinente. Por exemplo, quando as pessoas de certo local subitamente se transformam em porcos na mente da protagonista.
Uma nota que considero legal de lembrar é que o ambiente desse filme é mais identificável para nós, brasileiros. Não totalmente, certas nomenclaturas e frases são muito mais comuns para nativos de língua espanhola, mas ainda existem elementos muito mais próximos da nossa realidade do que existiriam em uma produção americana qualquer. Situações de Anina podem algumas vezes nos passar um sentimento familiar, ainda que o cenário seja um país aparentemente desenvolvido.
Mais aspectos técnicos e de distribuição: a trilha sonora desse filme conta com umas lindas canções em espanhol, principalmente a que toca de fundo no flashback de um aniversário da Anina. Vamos agora falar da exibição no Brasil. O filme ganhou duas dublagens diferentes, acredite ou não. Infelizmente, não posso afirmar qual dublagem é exclusiva de qual lugar ele já passou, pois muitas dessas informações não conseguem mais ser encontradas. Mas o fato é que houve a exibição nos cinemas, no canal infantil fechado Discovery Kids- famoso por cortar cenas das produções cinematográficas, como ocorrido em Ponyo, fazendo essas dublagens caírem em desuso a fim de exibir as obras na íntegra-, e na Netflix por um bom tempo, até o filme eventualmente sair do seu catálogo. Mas não se preocupe, a qualidade de ambas as adaptações está minimamente satisfatória. Só há diferença de vozes, estrutura das frases e pronúncia de nomes, mas o sentido aplicado nas falas nunca se perde.
Foram citados apenas motivos para ver essa produção latino-americana de tanta qualidade. Como dito, não é um filme para todos, pois pode ser visto como superficial a uns, ou tenebroso demais para crianças a outros. Eu o considero uma pérola desconhecida. Isso é o que é Anina. Uma experiência diferente, que pode te ajudar a conhecer mais histórias da língua espanhola. Ou mesmo aprender o idioma. Filmes infantis em geral são fascinantes; são sinceros, com lições de vida mais escancaradas. Algo que pode ser um defeito na visão de certos públicos, mas evita que haja uma moral meio duvidosa em uma história de estrutura rica. Tem esse tipo de coisa por aí.
Também achei esse filme quatro estrelas! Muito merecidas mesmo.
Aqui está uma resenha alheia provavelmente melhor que a minha. Vou manter a tradição: https://ruidomanifesto.org/copa-do-mundo-anina-uruguai-por-wuldson-marcelo/
Bem, encerrando a postagem, só tenho a dizer que as resenhas não vão ter periodicidade definida, porque não consumo histórias com uma periodicidade definida. E vai que assisto uma série enorme que no final não tem nada de conteúdo, nada para falar sobre! Será um problema. Então não vou prometer nada. Aguardem pacientemente a próxima análise, por favor. Nem eu mesma sei sobre o que ela vai ser.
Entretanto, existem duas opções fortes... A primeira é outro filme infantil, dessa vez francês. A segunda é um jogo DIVO com estética retrô. Mas ainda estou considerando cada uma.
Novamente, um feliz Natal, boas festas e abraços!