Algo que eu acho que aconteceria se todos tivessem saído do Hexatombe...
Remi: Que esquisito... quando eu não lembrava quem era no corpo do Labirinto, eu tinha a sensação de não ter gênero, o que faz sentido já que eu não tinha memórias... mas mesmo agora no meu corpo original e lembrando de tudo, essa sensação continua...
Após o retorno da missão e o retorno com sucesso do time para seus corpos, Maria vem evitando Remi. Tuco percebe e decide entender a situação.
Contém: Remaria/Labyoon, hints de polysangue, insegurança corporal, gordofobia internalizada implícita, angústia mais leve, hurt/comfort, conotações sugestivas mais pro final mas nada explícito
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-Maria?
Ele se surpreende de repente e olha por cima do ombro. Tuco se escora na porta, e seu rosto parece estranhamente preocupado. Desde que voltaram, Maria aprendeu que isso é bem incomum para o homem.
-Oi?
-Quero falar contigo.
-Ah, tá. Claro.
-Cê não tava fazendo nada não, né?
O olhar de Maria se volta para o espelho. Não estava fazendo nada, só... olhando. Mesmo depois de terminar a troca de roupa, continuou a olhar.
Elu balança a cabeça e responde:
-Não, entra.
Tuco se senta ao seu lado, suspira e pergunta:
-Porque você tá evitando Remi?
-...hã? Do que você tá falando? – merda, ficou tão óbvio assim? Ela costumava ser melhor em fingir. Ser Jae levou qualquer coisa que não era ele para bem longe.
Ser... Jae...
-Ah, por favor, né? Ontem você quase se quebrou todo caindo da escada só pra não ficar na mesma sala que ele. – ah. É. Teve isso. Seu joelho ralado ainda doía. – Sem falar nas desculpas de merda que você inventa quando escuta que ele tá chegando perto de ti.
-...ah. – Maria diz de modo estúpido. O murmúrio mal escapa de sua boca, sentindo uma coisinha que não experimentava já fazia algum tempo: vergonha.
-O que tá acontecendo? Rolou alguma coisa entre vocês dois? Cês terminaram ou alguma coisa assim?
-Não é bem um namoro...
-Tanto faz, tá na cara que tem alguma coisa esquisita acontecendo aí. Então, o que que é? – e o encara.
Merda.
Apesar de às vezes não parecer, Tuco é bem perceptivo, e pode ser muito incisivo quando quer. Maria não vai conseguir enganá-lo ou sair dessa situação sem falar sobre o que ele quer saber.
-...não precisa ficar assim. Não é nada demais.
-Você não me respondeu.
-Tá, é que... – ela suspira. – A gente se conheceu de verdade durante a missão, né? Não antes.
-É, foi.
-E naquela hora, a gente tava nos corpos de outras pessoas.
-Tava.
-Eu... comecei esse relacionamento com o Remi... no corpo de Jae.
-Tá, e daí?
-Quando eu tava lá, eu... me sentia bem. Livre. Podendo fazer tudo. Podendo ser quem eu queria, sem fingir. E eu fiquei tão feliz... que ele gostava de mim... por quem eu realmente era.
-Você não me parece muito diferente agora. O que é que mudou?
-Tuco, eu... – ele morde o lábio. Porra, isso é difícil. – Eu tô ficando longe do Remi porque... não quero que ele me veja muito assim.
-Assim, como?
-Assim – e gesticula para o próprio corpo. – No corpo da Jae, eu... me sentia tão bem. Era forte, bonita, impositiva e... desejável. Eu conseguia ser sensual. As pessoas... me levavam a sério. Ninguém me achava inocente ou... ninguém me tratou diferente pela minha aparência. – ela engole em seco. – Agora... porra, olha pra mim. Gorda, desengonçada, infantil, esquisita. Quem... ia me querer assim depois de ficar com Jae?
Leva um momento até Tuco dizer algo.
-Maria, essa foi a coisa mais idiota que você já falou.
Ela pisca.
-...quê?
-Tá, primeiro, você acha mesmo que o Remi vai deixar de gostar de ti só porque você voltou pro seu corpo? Ele sempre soube que o corpo do Jae não era o seu mesmo e que você ia voltar pro seu, além disso, ele não se apaixonou por um corpo, e sim por você, Maria, entendeu? – o homem dá um longo suspiro antes de prosseguir. – Segundo, cê realmente acha que ele não gosta desse seu corpo?
-...porque gostaria? – é a primeira vez em muito tempo que Maria se sente... acuada. Tão pequena.
-Tá na noia? Cê é linda, caralho! Seu rosto, cabelo, corpo, pernas, tudo é bonito, ele tem é que saber o quanto é sortudo de tá com uma pessoa tão bonita desse jeito! Eu diria que cê é bem desejável.
...oh.
Maria sente... algo. Talvez seja vergonha. Ou timidez. Ou só não saber como lidar com a situação.
Mas o modo como Tuco fala com ênfase e sinceridade, a intensidade e o brilho em seu olhar e o movimento de suas mãos, quase como se desejasse tocar o corpo dela, faz com que elu não consiga duvidar de sua honestidade, nem se quisesse.
E talvez isso tenha feito seu estômago revirar e seu rosto esquentar, sim. E daí?
-Enfim... – Tuco inspira fundo mais uma vez. – Só conversa com ele. O cara tá ficando neurado achando que fez alguma merda, e você sabe como ele fica insuportável quando tá desse jeito.
Uma risadinha escapa de seus lábios, e Maria concorda:
-É, fica mesmo... tá, eu vou falar com ele. Brigada, Tuco.
-Imagina. É bom que eu ajudei nessa coisa de vocês aí.
Há algo esquentando em seu peito. Mas ela pode resolver isso depois. Todos eles podem resolver isso depois.
Por agora, ela tem que falar algumas coisas com seu emo favorito.
–
-Remi!
O músico se surpreende ao ter seu nome chamado, se virando lentamente, como se quisesse ter certeza que não se confundiu com a voz.
-Maria? – ele aparenta estar estranhamente cauteloso, parecendo se aproximar de um animal selvagem que pode fugir a qualquer momento.
-Eu quero pedir desculpa. – ele diz, inspirando fundo. Se vai falar, melhor ir de uma vez, sem tentar enganar.
-Pelo quê?
-Por tá te evitando.
-Então você tava me evitando? – ele parece um pouco indignado com essa confirmação.
-É, foi mal. Eu só... quero explicar o porquê.
-...tá, vai. Fala. – e cruza os braços, esperando a explicação com uma expressão quase fofa de irritação. Ele praticamente não tinha dessas quando habitava o corpo de Labirinto.
Maria gosta delas.
-Eu não queria que você me visse muito porque... tava com medo que você não tivesse mais interesse em mim agora que eu voltei pro meu corpo.
Ele pisca, e então a encara com indignação.
-Essa é literalmente a coisa mais idiota que eu já ouvi.
-É, eu sei.
-Você acha mesmo que eu gosto do Jae? Eu gosto é de você. – ele bufa, parecendo quase com raiva, e então se aproxima. – E porque é que eu não ia gostar de ti nesse seu corpo gostoso, hein?
A mão de Remi pousa logo atrás dos ombros de Maria, passeia por suas costas e termina em seus quadris. Um arrepio percorre o corpo da mais baixa.
Atraente.
-Tu acha mesmo, é? – ela pergunta baixinho, mas dessa vez em um tom provocativo.
-Tá brincando? Com esse rosto lindo, o cabelo todo cheiroso e esse quadril e essas pernas? Só sendo burro pra não te querer...
Desejável.
-Sabe, a gente ainda não fez nada desde que voltou daquele inferno... – murmura Maria, inclinando o corpo contra o delu e fazendo pressão no pescoço do parceiro com os lábios, marcando-lhe um beijo.
-Vai querer? – a pergunta faz a de óculos sorrir, e ela afasta um pouco o rosto apenas para olhar a face de Remi.
-Vou.
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E isso, mis amigues, é como eu faço coping com o episódio 9
Calígrafo no revelando me deixou maluca com a informação que ele teria ido pros vampiros se Maria tivesse morrido no circo, então toma aí a porra da au
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