A/n: Oi gente! Então chegou minha primeira fic em português... eu não escrevo na minha língua nativa há muitos anos, então por favor me perdoem por qualquer erro, estou bem enferrujada hahaha. Eu estou completamente viciada em Garota do Momento e por isso decidi escrever esse AU com a minha personagem original. Se quiserem saber um pouco mais sobre ela é só clicar aqui. Para efeitos narrativos, por favor ignorem barreiras linguísticas XD espero que gostem e se quiserem ler a versão em inglês, é só clicar aqui. Beijosss
[Masterlist]
"O que você está me dizendo, Nathan? Nunca vamos nos ver de novo? Você não gosta mais de mim?"
"Eu gosto, eu gosto muito, mas não posso fazer isso. Isso foi um erro, o que nós fizemos."
"Foi só um beijo… Me desculpa, eu nem queria ter feito, mas não pude evitar, eu tinha bebido demais pra me controlar."
"Eu sei, não me orgulho disso, mas… eu gostei. Nós somos amigos há tanto tempo e eu tentei ignorar, porque da última vez que algo assim aconteceu foi um desastre.
"Não quero perder você como amigo."
"Eu sei, também não quero isso, mas o problema é que eu gosto de você de verdade."
"Então fica comigo! Não precisa ser assim…"
"Eu sou casado, tenho família! Eu costumava dizer que seria um fodido até os trinta, mas o que eu diria pra Marnie? Ela não pode ficar sozinha com o Junior."
"Olha, eu não sou destruidora de lares, mas caramba, Nathan! Eu te amo!"
"Eu acho que te amo também, mas é uma situação de pessoa certa no lugar errado. Estamos em momentos tão diferentes da vida, eu sei que vai achar alguém da sua idade, espero que ele seja mais legal e mais bondoso que eu. Eu diria que espero que ele seja mais engraçado, mas isso é pedir demais… nós dois sabemos que isso não é realista. Você não ia passar o verão no Brasil? Quem sabe você não encontra seu príncipe encantado?"
"Eu não quero qualquer cara que seja mais gentil ou fofo, eu quero você."
"Eu também te quero, Lollipop… É por isso que acho melhor se a gente não se falar mais."
"Então é isso? Um adeus?"
"Eu acho que sim. Talvez haja outra vida em que nós ficamos juntos, desculpa por não ter dado certo nessa daqui."
"Eu vou achar essa outra vida."
Lydia balançou a cabeça tentando ignorar aquela memória, já tinha duas semanas que tudo aconteceu, mas ela não conseguia parar de pensar no quão doloroso foi aquele momento. Ela estava de coração quebrado, mas nunca diria isso em voz alta, ela já se odiava o suficiente por abaixar a guarda e se apaixonar por alguém como Nathan Young. Por que justo o amigo idiota do seu irmão mais velho?
Ela se odiava por ter beijado um homem casado, por ter destruído sua amizade com ele, por ter machucado a Marnie, que apesar de bem chata, não merecia isso e não fez nada de errado além de chegar primeiro no coração de Nathan. Lydia Bellamy não é o tipo de pessoa que faz isso.
Ela não tinha mais nada a perder, então estava organizando suas coisas em uma mala grande. Levava dinheiro, algumas roupas, remédios, seu velho MP3, laptop com fotos, anotações importantes e outras coisas que ela julgava essenciais. Ela ia voltar para 2009.
Depois de uma grande tempestade de granizo alguns anos atrás, pessoas atingidas por um raio em Wertham, uma partezinha de Londres, ganharam estranhos superpoderes que pareciam corresponder com suas maiores inseguranças ou questões mal resolvidas. Nathan era um deles, ele se tornou imortal. O irmão de Lydia, Simon, era outro, que ganhou o poder de ficar invisível.
Um tipo bem suspeito acabou ganhando o poder de transferir poderes de uma pessoa para a outra e tornou isso seu ganha-pão, comprando e vendendo habilidades como se fosse um sebo humano. Exatamente esse homem que Lydia procurou quando vendeu sua guitarra Fender clássica e conseguiu dinheiro suficiente para comprar algo que a levasse para o passado.
"Tenho viagem só de ida no tempo. Pode usar para quando quiser, mas apenas uma vez. Não tem volta," o homem disse e ela aceitou, sem ter escolha ou perspectiva melhor.
Com a mala pronta, Lydia fechou os olhos e focou na data exata para quando queria ser transportada. O problema é que ela não sabia a data exata, ela lembrava pouco daquela época já que tinha apenas 12 anos em 2009, exatamente há dez anos atrás.
"Verão de 2009," ela murmurou pra si mesma, mas quanto mais ela tentava focar na data, mais tonta ela ficava. Sua visão foi ficando turva e os olhos pesados até que ela sentiu um puxão, como se alguém tivesse arrastado ela de um canto ao outro do quarto.
Só que… quando ela abriu os olhos, não estava mais no quarto. Estava quente, um calor de rachar que ela não sentia há muito tempo, e olhando pra cima viu o letreiro de uma loja: Perfumaria Carioca.
"Carioca? Rio de Janeiro?"
**
Beto é jornalista, estava cobrindo a folia dos blocos de rua, fazendo dele o único ali vestindo calça de alfaiataria, camisa social e gravata. O calor era de lascar, mas ele queria ser profissional mesmo assim. Ele só precisaria aguentar até a noite, quando ia para o clube Gente Fina com sua namoradinha, Beatriz.
"Beto! Chega de trabalhar!" Ulisses, melhor amigo do rapaz, foi atrás dele pelo meio do bloco de carnaval.
"É pra capa do jornal! Além disso, tenho que escrever a matéria, hoje não tem folia pra mim," Beto olhou pelo visor da câmera pra tirar as fotos. Ele foi fotografando várias cenas até que sua lente focou em uma moça desorientada que usava a fantasia mais estranha que já tinha visto. "Ulisses… olha lá."
"Quem é o broto?"
Lydia tem longos cabelos ondulados azuis com as pontas roxas, usava uma regata do Panic! At The Disco, saia xadrez rosa bem curta estilo Avril Lavigne, cinto cheio de correntes, gravata preta com um nó frouxo, brincos enormes de raio além de diversos anéis e pulseiras no mesmo estilo, meia calça toda rasgada e bota coturno com spikes prateados.
"Oh for fuck's sake…" ela murmurou. "Nem o Doctor Who na TARDIS errava tanto o destino assim. Que merda é essa?"
"Olha, mas que pedaço," um rapaz se aproximou. "Mostrando as alcinhas do sutiã, que sapequinha!"
"Me deixa em paz," ela tentou se afastar.
"Não, meu amor, dá pra ver que você é farinha fina, vem curtir com a gente, coisa linda," outro homem se juntou ao primeiro.
Beto notou a comoção da moça tentando se afastar enquanto um grupo de homens a cercava e tentava alguma coisa. Ele correu pra socorrer.
"Deixa a moça em paz!" Ele gritou, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, Lydia acertou um dos homens com um soco, seus anéis tornando o impacto ainda mais potente. O homem caiu e os outros acabaram saindo correndo. "Carambola…"
"O que foi? Você também?" Ela levantou a mão pra ele que se acuou.
"E-eu só estou tentando ajudar, não me bate!" Beto riu. "Você acertou o patife bem no queixo, deve ter até quebrado."
"Ai desculpa, fiquei nervosa aqui e já achei que você ia se engraçar também."
Naquele breve momento, Lydia viu a bondade nos olhos castanhos do rapaz. Beto é alto, mais alto que ela (o que sempre foi difícil de achar), rosto com linhas fortes e belas, sardas e cabelo loiro. Lindo.
"Imagina, eu nem poderia. Estou aqui a trabalho, meu nome é Roberto-"
"Desculpa pela pergunta estranha, mas… em que ano nós estamos?"
"Ano? Você bebeu demais? Precisa de alguma ajuda?"
"Não, tô bem sim, só queria mesmo saber."
"Ué, 1958," ele deu um risinho como se fosse óbvio.
"Puta que pariu!" Ela gritou aterrorizada e saiu correndo. "Fuck! Fuck! Fuck!"
"Calma, espera! Qual seu nome?" Beto tentou seguir, mas a moça já havia sumido na multidão.
Ulisses correu em direção ao seu amigo, bobo com a cena que acabara de presenciar.
"Você viu que estouro?" Beto sorriu.
"Ela é do barulho, ia te plantar a mão!"
"A garota mais bonita que eu já vi, mais bonita que a Audrey Hepburn, que a Marilyn Monroe, que a Dorothy Dandridge. Esse broto tem um it, Ulisses, viu o sotaque que fofo? Se ela quisesse poderia ser uma estrela."
"Certamente ela chama atenção, que roupa era aquela? Nunca vi fantasia de carnaval daquele jeito, muito menos uma peruca daquelas."
"Não era peruca, aquele era o cabelo dela mesmo."
"Impossível, como assim? É uma sereia por acaso?" Ulisses riu.
"Estou começando a achar que sim."
**
Lydia andou pelas ruas do Rio sem saber como foi parar lá, e pior… a ficha começava a cair que ela nunca mais veria o Nathan, nem seus amigos, seus pais nem eram nascidos e ela não tinha como voltar, nunca mais. Estava presa e sozinha pra sempre.
"Como se eu tivesse recebido o toque do Anjo Lamentador," ela se entristeceu e sentou na calçada ao lado de sua mala.
"Anjo o que?" Uma mulher parou na sua frente.
A mulher era linda, sua pele negra brilhava na luz do sol e seu penteado era de parar o trânsito.
"Nada… eu estava pensando alto."
"Que cabelo lindo, boneca! Posso ver mais de pertinho?" Ela perguntou.
"Pode."
"Meu nome é Glória Regina, mas pode me chamar de Glorinha. Estou estudando pra ser cabeleireira e nunca vi um cabelo como o seu. Onde conseguiu tintas para deixar assim?"
"Se eu te contasse, você nunca ia acreditar… então pra simplificar, vou dizer que são de Londres. Acabei de chegar de lá. Sou Lydia, aliás, Lydia Bellamy."
"Muito prazer, e seja bem vinda ao Rio."
"Obrigada," ela riu ironicamente. "Não era pra eu estar aqui, errei meu destino. Já tive que bater em uns idiotas que queriam tirar vantagem no bloco… a recepção está bem calorosa."
"Ai tadinha! Olha sua mão! Vem, boneca, vou te levar até a pensão pra colocar um gelo nisso. Eu moro numa pensão em Copacabana só de moças, você vai gostar de lá."
"Sabe se tem algum quarto vago? Não tenho nem onde ficar e só tenho libras comigo."
"Claro, Dona Iolanda sempre arruma espaço."
Lá na pensão, dona Iolanda estava ralhando com a filha, Ana Maria, como sempre por conta da roupa que escolheu usar no baile do clube Gente Fina, que aconteceria em algumas horas.
"Não vai assim nem morta, menina! Vão falar o quê? Que você não tem mãe!" Iolanda perseguia a filha por entre os móveis. "Arruma essa saia!"
"Mas mãe! Todas as meninas estão usando assim!" Ana Maria choramingou e assim que viu Glorinha entrar com Lydia, ela apontou. "Olha lá! Olha a saia que a moça está usando, muito mais curta que a minha!"
"Mas essa juventude está perdida mesmo…" Iolanda murmurou vendo o estado da garota. "Menina, o que aconteceu que rasgou toda sua meia calça? Foi algum acidente?"
"Não, eu já comprei assim," Lydia riu.
"Então alguém te engambelou, minha querida, onde já se viu?"
"Dona Iolanda, a Lydia precisa de um lugar pra ficar e um pouco de gelo pra mão dela. Uns patifes tentaram se aproveitar dela,” Glorinha explicou.
"Lógico que tentaram. Sem querer te ofender, meu amor, mas com essa roupa? Nem na praia eu vejo alguém usando uma coisa tão curta…" ela foi logo pegar o gelo. "O quarto nós temos, o preço fica um pouco menor se pagar pelo mês, o café da manhã já está incluso e as outras refeições são à parte."
"Sim claro, acho melhor já pagar pelo mês mesmo, não tenho como voltar pra casa," Lydia suspirou, deixando que Iolanda colocasse gelo na sua mão. "A senhora aceita libras?"
"Libras? Libras assim da Inglaterra?"
"Sim. Acabo de chegar de lá."
"Claro!" Os olhos dela se iluminaram pensando no luxo de mostrar a todos que tinha dinheiro internacional pra trocar no banco. "Só preciso ver direitinho a conversão pra não sair no prejuízo né… sem querer ser gananciosa, mas ninguém me dá um bife!"