Não conheci o JAGUAR. A culpa foi toda minha. Não sou de escrever pela passagem de ninguém em especial, mas o Jaguar me pegou um pouquinho. Vai uma historinha, tosca como qualquer outra.
Meu pai era professor, por isso eu sempre tinha uma estante grande de livros que ele recebia pra folhear. Os livros da Ed. Codecri e as publicações do Pasquim chamavam minha atenção pela séria contestação e o indefectível Sig, do Jaguar, capturou minha atenção. Com o Jaguar aprendi que o importante era deixar no papel o seu desenho. Além do bonito ou do feio, a sua marca, como uma assinatura. Com as chamas saindo da bunda, o mais divertido de tudo.
Mais de duas décadas atrás, eu vi o Jaguar no extinto Bar Getúlio, da Rua do Catete, essa última ainda tá lá, deitada na frente do Palácio idem e cateteando os passos de todos. Anoitecera e eu estava cansado e desanimado depois do trabalho. O bar vazio era a oportunidade de me sentar um pouco antes de padecer no transporte público. Sentei numa mesa qualquer e depois de recuperar o fôlego passei os olhos pelo lugar. Um sustinho agradável se seguiu quando identifiquei na mesa do fundo um senhor de cara rosada, bebericando solitário e sempre de boina - a boina identifica os mestres desenhistas, hoje eu sei. Cara! Aquele ali é o Jaguar! Do Pasquim! Do Sig! Porram, que demais! E foi só isso. Fiquei observando de soslaio um cara que admirava desde pequeno e sem coragem de me aproximar, desleixado, e entabular um: E aí cara, você não é o Jaguar? Depois que conversas? Eu não tinha estofo pra ficar cinco minutos com um cara que considerava genial. Deixei minha memória cristalizar a lembrança de bar e foi só.
Muito anos depois, fui convidado pra participar de uma antologia pela Editora Mórula. Uns poetas beberrões, que compilaram um livro inteiro sobre porre e versos. Meus haicais foram selecionados e quando me enviaram as provas meu coração sincopou quando vi que o Jaguar fez uma ilustração pro livro. Minha glória pessoal. A partir dali eu havia cumprido uma missão secreta de escritor que é estar nas mesmas páginas de um artista que lhe antecedeu e que se admira.
Valeu Jaguar!
Não deixem de visitar o perfil deles, que o livrinho está baratinho! Diminutivos à gosto, tá aprazível. Aqui ó:
No mais, eu me eximo, eximam-se porque esse país nos obriga a beber.














