A conversa com Amélia saíra melhor do que o esperado. Durante o café, conversaram sobre vários assuntos, como sempre costumavam fazer. Até que Dorothea tomou coragem para abrir o jogo e contar a verdade, ou pelo menos parcialmente , sobre o que estava acontecendo. Disse que gostaria de conhecê-la em outro momento pois estava gostando muito de sair com ela. Mas com a aparição de uma pessoa do passado as coisas mudavam um pouco e não gostaria de incluí-la nesse fogo cruzado. Era visível a decepção no olhar da loira, que levou tudo de uma forma muito leve e amável, assim como ela. Parecia simples... Estar com Amélia e talvez pensar em um relacionamento deveria ser a saída mais fácil. Porém, Dorothea Jenkins nem sempre seguia o caminho mais fácil. Era coração de mais, impulsiva de mais para se pautar em uma decisão puramente racionais. A reaparição da ex em sua vida mudava absolutamente tudo. Parte de si estava irritada, outra sentia-se empolgada e outra completamente confusa. Por isso precisava encara-la de frente.
Já na porta do hotel, entrou e saiu do lobby de entrada pelo menos umas três vezes. Tinha a cabeça coberta pelo capuz do moletom, e andava de cabisbaixa , afim de não chamar muita atenção. Não era tão conhecida quanto a escritora, mas não podiam se dar ao luxo de estarem nos tabloides de fofoca antes mesmo de conseguirem resolver a própria relação, se é que ainda existia alguma. Deu o próprio nome para a recepcionista, como se estivesse fazendo algum escambo ilegal. Falando quase sussurrado, olhando em volta enquanto o fazia. Jenkins era péssima nisso. Com a autorização, subiu até o andar indicado sentindo um frio na barriga, e o coração batendo acelerado devido a adrenalina. Bateu na porta esperando ansiosa para que a mesma abrisse. No elevador, travava uma briga interna entre a ira e a culpa. Quando a porta se abriu, não disse nada por alguns segundos. - Oi, posso entrar? - claramente, a culpa havia ganhado.











