linguaruda:
samara ignorou a pergunta da garota, mas por dentro, aquilo ecoou. lemaire sempre notou a maneira como jenkins olhava para a melhor amiga, um tanto quanto lânguido, demorado demais, desejoso demais, diferente dos demais. tal qual uma criança observa um brinquedo na vitrine de uma loja, que nunca vai ter. por anos guardou para si a dúvida, já que dorothea nunca tinha dado nenhum motivo para alimentar ou confirmar suas desconfianças durante o longo relacionamento. mas sua intuição era aguçada, e a fofoqueira sabia ler as pessoas daquela escola como ninguém. no entanto, agora que estavam terminadas, talvez não houvesse mais nada que impedisse que a ex investisse em sula, se esse fosse o caso, se realmente quisesse. não, não haveria impedimentos, nada para barrar isso, e estaria em seu direito de fazê-lo, por mais que samara detestasse admitir. ainda assim, apenas a ideia delas juntas era o bastante para embrulhar seu estômago. tantos ‘e se’s’ invadiam seus pensamentos quando a situação hipotética a acometia: e se fosse verdade? e se estivesse certa? e se ela sempre tivesse sido apaixonada pela garota? e se sula correspondesse? e se, de fato, a melhor amiga fosse o troféu inalcançável de thea desde o primeiro instante, o que isso fazia de samara? “vem, eu te ajudo,” murmurou gentil e austera, e colocou o braço dela sobre seus ombros para conduzi-la até o portão de grade, que abriu com a chave, antes de subirem as escadas até o segundo andar. a maneira como amolecia perto dela a matava por dentro. samara tinha defesas imbatíveis erguidas contra tudo e todos, milhões de planos vis, mil e uma maneiras de destruir a vida e a reputação de quem quer que cruzasse seu caminho. mas com a ex… ela não conseguia se reconhecer. ou pior, reconhecia muito mais a pessoa vulnerável que a presença de thea trazia à tona do que a faceta maquiavélica, dissimulada e imprevisível que mostrava em east wenk high. parou frente à porta com ela ao lado, e não demorou à abrir. “pro banheiro. vai.”
Aceitou a ajuda muito bem vinda de Samara, já começando a se arrepender de ter bebido tão rápido o líquido não tão confiável do cantil. Se não fosse o fato de estar na casa da ex, com ela a carregando, a bebida cumpriria naquele momento com o propósito inicial : Não pensar em nada. Porque tudo que queria era morrer. Sentia tanto enjoo e a cabeça começava a doer e não conseguia ter ciência completa de onde estava. Era uma sensação horrível que nunca havia sentido na vida. Prometia para si mesma que nunca mais iria colocar uma gota de álcool na boca. - Eu nunca mais vou beber. - Murmurou enquanto a aguardava abrir a porta, apoiando a cabeça no ombro dela. Respirou fundo sentindo o enjoo vir com força, muito provavelmente pelo fato de ter baixado a cabeça. Não precisava nem da ordem, pois assim que a porta abriu, Dorothea disparou para o banheiro juntando todo o auto controle ainda restante para ajoelhar-se em frente ao vaso sanitário e vomitar tudo. Sentia um alívio momentâneo, poiou um dos braços na borda do vaso descansando a cabeça ali, sem forças para levantar-se ainda. Nada concreto passava pela mente, a não ser o fato de querer parar de passar mal.














