Fechei as mãos em punho, enquanto me colocava de pé, tentando ignorar a dor que começava a aumentar na cabeça. Será que nem no meu casamento eu teria paz? Aparentemente não. Respirei fundo, tomando mais um gole do coquetel de morango que estava em nossa mesa. Se não fosse pela dor, o casamento teria sido a ocasião mais perfeita que eu jamais vivi. Ver meus amigos todos juntos, minha família, meu marido. Fechei os olhos com força, para evitar um gemido de dor, me amaldiçoando por não ter trazido sequer um analgésico. A festa em si estava perto do fim, e eu agradecia por isso. Sean teria que esperar por uma noite de núpcias, pois assim que chegássemos em casa, eu iria para cama. Sorri forçadamente quando ele se aproximou, pegando a mão que meu marido estendia para mim. A última dança, eu pensei. Com aquela eu iria para casa e depois de dormir, estaria nova em folha.
NOTAS: Sean vai ao encontro de Rachel para falar algo muito importante.
Sean: "Droga." Resmungou baixinho para si mesmo ao quebrar a ponta do lápis pela a milésima vez naqueles últimos 30 minutos. Sean não admitia, mas sua mente estava ocupada demais para se preocupar com futuros projetos da empresa. Ocupada demais pensando em Rachel, como sempre. A loira não saía de sua mente desde da última noite que passaram juntos, e por mais errado que estivesse agindo, Judd não sabia como aparecer para ela como se tudo estivesse bem depois de uma transa. O moreno passou os últimos dias pensando em uma forma de falar com Lozzano, falar de verdade. Tudo o que ele mais queria era ter a garota ao seu lado novamente, mas para isso ele precisava de tempo. Tempo para pensar na melhor forma de fazer isso. Fechou o caderno de rascunhos deixando de lado tudo que tinha haver com a empresa, se direcionou ao banheiro, não demorando muito para que terminasse seu banho. Era capaz de ver seu próprio nervosismo ao se olhar no espelho, mas ele estava decidido. Pegou seu celular e as chaves do carro, dando um último suspiro ao olhar para o espelho novamente. Por mais nervoso que estivesse, ele sabia que era aquilo que faltava em sua vida. Ele precisava daquilo. Ele precisava pedir Rachel em namoro mais uma vez.
Rachel: Eu olhava mais para o vazio do que para as pessoas ao meu redor. É claro que quando um casal passava captava o meu olhar, apenas para eu sentir meu peito apertar novamente. Quando vi um beijo cheio de sentimento, baixei o olhar para a pipoca, decidindo me concentrar em comer, e não pensar em nenhuma das coisas proibidas. Nada de faculdade, nada de família... Nada de Sean. Funguei, balançando a cabeça. Eu realmente precisava superar aquilo. Logo, bem rápido. Todos sabiam que eu estava fazendo papel de boba naquela história. Mesmo com alguns dizendo que nós ainda poderíamos ter algo, eu tinha certeza de que Sean se divertia com garotas a noite enquanto eu sentia a falta dele. Ao minha mão alcançar o fundo do pacote da pipoca, amassei a embalagem, limpando as mãos na lateral da calça, me levantando. Eu não queria cair na nostalgia de novo, então o melhor que eu podia fazer era sair dali e voltar pra minha bela realidade. Onde eu era uma estudante ainda afim do ex-namorado que nunca iria voltar a ser meu. Arrumei a mochila nas costas, começando a refazer o meu caminho. Mas uma figura que não deixava meus pensamentos me surpreendeu. Minha boca se abriu em choque ao eu ver Sean, e girei nos calcanhares, sem me dar o tempo de captar os detalhes dele para mais tarde. Ele não tinha me visto, e iria ficar daquela forma. Eu não estava pronta para o confrontar, e mesmo que estar com ele fosse o meu maior desejo, eu não iria até ele novamente. Rachel Lozzano não iria bancar a pobre garota de novo.
Sean: Passou correndo pelo o saguão do prédio de Rachel, na esperança de que a garota estivesse em seu apartamento, porém, fora surpreendido pelo o gerente quando disse que a mesma não se encontrava ali no momento. “Alguma ideia de onde ela esteja? Eu preciso muito falar com ela.” O homem demonstrava incerteza sobre dar tal resposta, mas ao ver o aflição no rosto de Judd, não hesitou em lhe contar a verdade. “Talvez pelo o Central Park..” Respondeu o gerente com um tom de voz duvidoso, mas Sean conseguiu ver de relance o sorriso que se formara no canto dos lábios do tal homem, antes de correr em direção ao seu carro e ir ao Central Park. O mundo estava conspirando ao favor daquilo, ele pensou. Judd perdeu as contas de quantas vezes passou por um sinal vermelho no caminho, mas não se importou. Naquele momento só uma coisa importava, e era Rachel. Ninguém mais. Estacionou em qualquer lugar próximo do local e saiu correndo até ao parque, na esperança de que a loira ainda estivesse por ali. Demorou apenas alguns minutos para avistar a menina, mas percebeu a mesma tentando se esconder. Sean soltou uma risada baixa e planejou segui-la de forma que ela não o visse, e funcionou. “Rachel.” Disse ao se meter no caminho da garota, que se encontrava distraída tentando não ser vista.
Rachel: Eu continuei andando em linha reta, olhando de forma desconfiada pelo ombro. Era óbvio que ele havia ido pra outro lado, já que eu estava indo na direção mais esquisita do parque. Voltei minha atenção para frente, colocando as mãos nas alças da bolsa. Depois de fazer a volta em todo o círculo de caminhadas, eu pegaria meu caminho usual, subiria na moto e voltaria para casa, onde eu iria estar segura para não encontrar ele novamente. O destino não gostava de mim, aquilo era certo. Logo no momento em que eu precisava não pensar nele, eu topava com ele. Passei a mão pelo cabelo nervosamente, pronta para sair do lado escuro (da força q) do parque, e voltar pro meu caminho quando ouvi meu nome, e o face de Sean. Pulei de susto, caindo no gramado sem nem ter ao menos chance de me segurar em algo. Engoli com dificuldade, me levantando rapidamente, balançando a cabeça. "S-Sean", minha voz como uma grande traidora, falhou, não apenas pela surpresa, mas por ser ele.
Sean: Judd não podia conter o sorriso no rosto ao ver o susto que a garota levara com aquilo, mas logo o desmanchou quando vira a mesma cair no gramado onde estavam. "Você está bem?" Perguntou com um olhar preocupado mas logo se manteve firme quando vira a loira levantar-se, aparentemente bem. "Eu não sabia que tinha ficado tão feio desde da última vez que a gente se viu." Comentou, tentando quebrar o clima tenso que se formara entre eles. "De qualquer forma," deu uma leve tossida antes de continuar "a gente precisa conversar." Falou por fim, enquanto a encarava.
Rachel: Tossi ainda envergonhada por ter caído, limpando as mãos arranhadas na blusa. "Ótima, obrigada", falei, enquanto examinando minhas palmas. Eu iria precisar limpar aquilo mais tarde. Bufei, rindo baixo, voltando meu olhar para Sean, o olhando de cima a baixo, antes de o responder, dando os ombros. "Você está mais pálido. Desse ter sido isso. Te confundi com um fantasma", disse num tom leve. Franzi o cenho, respirando devagar quando ele voltou a falar. Abri a boca em choque ao ouvir aquela frase, sentindo imediatamente as mãos suarem. "O q-quê a gente tem pra conversar? Eu nã-não acho que tenha nada pra conversarmos", disse num tom baixo, sentindo os olhos incomodarem graças ao rumo da nossa última conversa.
Sean: Soltou uma risada quando escutou o comentário da garota, ignorando-o. "Eu não sei..." Disse meio pensativo. "Talvez sobre a noite em que a gente transou?" Falou por vez, direcionando o olhar para a loira novamente. "Olha, antes que você fale alguma coisa ou fuja, eu só quero que você saiba o por quê de eu ta aqui. Antes da gente entrar no seu apartamento," engoliu a seco "eu te falei uma coisa. E eu to aqui pra mostrar que não menti sobre aquilo, sobre nada daquilo." Continuava fitando a menina, esperando que ela se recordasse do que ele estava falando.
Rachel: Meus olhos ficaram ainda mais abertos, enquanto eu dava um passo pra trás. Porque eu estava tentando fugir daquilo? Não era exatamente isso que eu queria? Conversar sobre tudo? Conversar sobre o que aconteceu? Soltei um suspiro longo, passando os dedos entre os meus cabelos, o fitando com um olhar meio desesperado. "Talvez nós devêssemos conversar sobre isso. Não tenho tanta certeza", senti minha garganta seca, e e deixei minhas mãos caírem do lado do meu corpo, o ouvindo. Eu não iria fugir, eu não podia fugir. Refleti por um momento, o fitando surpresa. Uni as sobrancelhas, tentando parecer mais calma do que eu estava. "Sabe, fica difícil eu acreditar naquilo depois de você ter sumido. E por mais que eu queria me agarrar as coisas boas, eu não consigo acreditar muito naquilo. Não com você fugindo de mim cada vez que se sente no direito. Eu já estou fodida demais pra você me dar esperanças e me largar de novo", falei com uma calma desconhecida, e de forma segura.
Sean: “Me desculpa.” Disse de uma vez, por mais que demonstrasse calma. "Me desculpa, Rachel. Por tudo. Por absolutamente tudo.” Iniciou. “Eu fui um babaca e eu reconheço isso, e sei que nada do que eu falar agora vai mudar o que aconteceu, mas eu preciso tentar, eu preciso sair dessa dizendo que pelo o menos, pela a primeira vez na vida, eu fui atrás do que realmente queria. Que é você.” Se aproximou da garota, meio receoso que ela se afastasse. “Todo esse tempo, fingindo não ter mais sentimentos por você, foi por medo e vergonha. Vergonha por ter me divertido pelo os lugares que eu mais gostava enquanto você tava em uma cama em coma, vergonha por ter transado com mil e uma garotas enquanto você, mesmo que inconsciente, pensava que eu tava lá te esperando. Quando eu voltei tive medo, medo de não saber o que falar, medo de te dar impressão errada e medo, principalmente, de te perder de vez com tudo isso.” Sentia sua garganta fechar a cada palavra que dizia, mas se aproximava novamente da loira, tentando diminuir aquela distância o máximo possível. “Eu te deixei livre porque eu queria que você aproveitasse tudo o que você não aproveitou enquanto ficava em coma, eu queria que você sentisse liberdade de fazer tudo o que queria, porque você merece isso. E me afastar de ti, por mais doloroso que tenha sido, foi a melhor coisa que eu fiz por você nesses dois últimos anos.” Começou a sentir seus olhos marejarem, engoliu a seco, controlando a vontade de chorar. “Mas eu não aguento mais te ver com outros caras, eu não aguento mais te ver me olhando com desprezo por tudo que eu te fiz, eu não aguento mais não te ter pra mim, Rachel. Porque no meio de todas essas coisas que me aconteceram, eu ainda continuei te amando, cada vez mais. No fim das contas, te amar era e continua sendo a única certeza que eu tenho na minha vida." Finalizou, sentindo já seu coração bater tão forte com a tensão de suas palavras que pensava que cedo ou tarde ele iria sair pela a boca. "Volta pra mim, Rachel." Pediu em sussurro devido a aproximação que já estava da garota, ainda olhando fixamente para os olhos da mesma.
Rachel: Comprimi os lábios ao o ouvir pedir desculpas. Eu as queria, e mais do qualquer outra coisa, porém eu havia aprendido a não me jogar de cara na primeira oportunidade, e foi Sean que havia me feito aprender aquela lição. Respirei devagar, começando a ouvir o monologo que estava para vir. Tentei não desviar meus olhos dos dele enquanto ele falava, mas fiz a escutar as últimas palavras da sentença. Elas me pegaram de surpresa, assim como todas as novas ações de Sean. Meu lábio inferior tremeu, e eu senti o suor frio das minhas mãos piorarem. Abracei meu corpo quando ele se aproximou, o encarando com uma expressão temerosa. A confissão dele foi como um tapa na cara, mesmo uma parte de mim já sabendo que aquilo tinha acontecido, ainda havia aquela parte iludida. Virei o rosto, encarando as árvores, sentindo o tremor no lábio novamente, juntamente com ardor dos olhos. Ao ouvir sobre liberdade, quase o interrompi, mas esperei ele acabar. O que ele sabia sobre liberdade? Eu nem sequer me deixava aproveitar dela, já que tudo o que eu podia pensar era nele. Balancei a cabeça, voltando a olhar, graças a proximidade. Limpei uma lágrima rápido, sabendo que outras viriam a seguir. Ele não via que o tempo que eu passei longe dele foram os piores meses da minha vida? Funguei, sentindo a face molhada. Eu não tinha porque esconder meus sentimentos. Eles estavam mais do que claros para ele. Minha respiração falhou, então eu escondi o rosto nas mãos começando a chorar com mais intensidade. Livrei a face das mãos, mesmo sem com vergonha. Eu precisa o olhar pra ter certeza de que ele não estava mentindo. Rachel você precisa se controlar, eu gritava na minha mente, mas eu simplesmente não conseguia. Não com ele falando que me amar era a única certeza da vida dele. Eu o amava, sempre o amei, e sempre iria o amar, e o tempo que nós passamos separados foi prova disso. Respirei fundo de maneira entrecortada, me aproximando dele. Colei minha testa na de Sean, sussurrando. "Você sabe o que eu sinto por você, não sabe? A decisão de você ter se afastado foi idiota, e sim, tudo o que você fez foi babaquice. Mas eu prefiro passar pouco tempo com você e sofrer, do que sorrir com qualquer outra pessoa. Você é a minha droga, e eu não quero ir pra reabilitação. A cada dia que passa, ao invés de eu te amar menos, amo mais, e eu me sentia patética por isso, já que você tem me tratado como algum tipo de doença. E mesmo te amando tanto, Sean. Doí, doí saber que você se esforçava tanto pra me manter longe quando poderia usar essa energia pra me manter perto", completei, com um suspiro. "Só que eu nunca vou encontrar alguém que faça eu me sentir como você faz, e nem quero. Então sim", aproximei meus lábios dos dele, falando ainda mais baixo. "Eu volto pra você".
Sean: Sentiu um nervosismo maior que o de cinco segundos atrás ao perceber Lozzano se aproximar, mas tentou não demonstrar. Escutou as palavras vindas da garota ao mesmo passo em que permanecia com seus olhos fechados, a escutando. Sentiu um alívio percorrer pelo o seu corpo ao ouvir as últimas palavras que a loira tinha a dizer. Judd abriu os olhos lentamente afastando um pouco seu rosto do da menina, levou uma de suas mãos para a bochecha da mesma, acariciando o local, enquanto observava cada feição de seu rosto. Esboçou um leve sorriso no canto dos lábios ao perceber que estava ali, tão próximo de Rachel, e que nada o impedia de beija-la. Pela a primeira vez, depois de tanto tempo, Sean sabia o que era felicidade. E ali teve a certeza de que só era possível sentir tal sentimento com Rachel ao seu lado. "Rachel Lozzano... Você ainda vai ter que me aguentar por muito tempo." Sussurrou, enquanto passava uma de suas mãos por uma das mechas dos cabelos loiros da garota. Sorriu, e em seguida a beijou, de forma lenta. Eles teriam todo tempo do mundo para se beijarem dali em diante.
one time he came back to deloraine and took a picture of me and put it on my website and my great grandma wrote a letter to the editor about how his family were rude and nobody in town liked him and how he was a pervert and an embarrassment to the town and he hasn't come back since