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Manifesto, 2017. . Xilogravura em papel cartão vermelho
secundaristas 3e80 ninguém aguenta
arte digital arte digital
fotografia de Isabela Baptista fotografia autoral
abril de 2016 janeiro de 2016
Pros anons preocupados com o bolsonaro nas eleições de 2018, toda vez que eu me apavoro pensando que muitos dos bolsomitinhos irão votar pra ele na próxima eleição, eu tento lembrar de como os secundaristas estão se mobilizando agora. Aqui no Paraná, tivemos mais de 800 escolas ocupadas e muito debate político. Esses jovens se mobilizando agora pelo não sucateamento da educação também estarão votando nas próximas eleições e, sim, eles são muitos e podem fazer a diferença
Sim, o pouco consolo que eu tenho é que a juventude também está mais inteligente e mais politizada desse lado. Resta saber se em número suficiente...
Secundaristas e o dividir para governar...
A velha observação da Maquiavel continua atual, dividir para governar, para isto bastam simples estratégias para levar à uma polarização. Mas não é só isto, outras técnicas básicas estão sendo usadas por aqui.
Antes de mais nada, vamos voltar um pouco no tempo, lembrar dos tempos dos cara pintadas, aqueles que serviram para legitimar o impeachment do Collor, quem viveu deve lembrar dos eventos, eu nunca me esqueci de dois detalhes:
Você deve lembrar que antes das manifestações dos cara pintadas, a Globo estava exibindo um seriado chamado Anos Rebeldes, uma série emocionante sobre a juventude que lutava contra a ditadura, juventude esta que a Dilma e o Lula e até o Serra fizeram parte, a juventude que assistia do lado de cá da telinha emocionava-se com a coragem daquele jovens corajosos, imagine ir as ruas novamente para lutar pelo país!
E foram! Lá estavam os cara pintadas nas ruas, jovens lutando por um Brasil melhor, e que foram rapidamente chamados de massa de manobra pela oposição... Veja que interessante: Na semana seguinte a Globo exibiu um Globo Reporter sobre a Juventude, mostrando como o jovem tem maturidade para tomar decisões sobre si e sobre a sociedade e seu país...
Voltemos ao presente, após sofrer um golpe de estado, o Brasil adota uma agenda retrógrada, e pautas extremamente conservadoras ganham evidência, e surge a proposta de "reforma" do ensino médio, fim da universidade gratuita e vários retrocessos e medidas austeras referentes à educação e pesquisa científica. Até mesmo a incrivelmente bizarra ideia da escola sem partido ganhou força. Escola sem partido? Como assim? Filosofia, história e sociologia são matérias partidárias? Na verdade são matérias que nos ensinam a pensar, mas querem mudar o sistema educacional, focando num modelo da era da revolução industrial, criando cidadãos com baixa capacidade cognitiva e alta produtividade e foco profissional, igual a um país lá do norte, onde a devastadora maioria das mentes brilhantes são de imigrantes...
Como se não bastasse vem a PEC241 agora PEC 55 no Senado, que pretende congelar os gastos públicos por 20 anos, em mais de 30 anos de vida profissional nunca vi estabelecer uma meta financeira desta envergadura para mais de 5 anos. Em 20 anos a população do Brasil terá aumentado 50%, e os serviços essenciais como saúde e educação terão entrado em colapso.
Greves começaram a pipocar pelo país, mas a imprensa local escondeu, dai os estudantes secundaristas, os jovens, começaram a ocupar as escolas contra estas pautas, e para garantir a continuidade do ensino gratuito. A belíssima atuação da jovem Ana Julia, que certamente surpreendeu não só os parlamentares como o país, e o seu vídeo viralizou a ponto de não dar mais para a mídia esconder as ocupações, até porque os jornais estrangeiros davam uma cobertura jornalística do evento, colocando em cheque a credibilidade da mídia local, que logo reagiu tentando proibir os jornais estrangeiros de publicar em nosso idioma.
Obviamente uma eficiente estratégia foi colocada em ação, a polarização, assim fica fácil deixar a população se digladiar e mais fácil ainda seguir em frente governando com as pautas da "Ponte para a idade média".
Então começou o processo de desqualificação da ícone do movimento dos secundaristas, com a noticia de que ela era filha de um militante petista, como se isto por sí só fosse algum problema, mas surtiu efeito, efeito manada, a primeira casca de banana fora lançada.
O próximo passo era dividir os secundaristas, ai surgiu o discurso do "quero estudar e vocês não deixam", e frases de efeito do tipo "Estude para mudar o futuro" ao invés de lutar por ele, como se a ameaça iminente fosse acontecer daqui há 20 anos.... Mas colou, mesmo tendo aulões nas escolas ocupadas, e até mesmo muitas delas tiveram até eleições, sim o TSE não foi impedido de usa-las para instalar suas seções eleitorais.
Com base nisto os bad boys do MBL se sentiram no direito de partir para a agressão aos secundaristas que estão ocupando as escolas.
Agora o processo de divisão chega nos país, com a máxima de que os jovens que ocupam as escolas não fazem ideia do que estão fazendo, e esta colando... Mas me explique uma coisa, há 24 anos o Globo Reporter foi convincente de que a juventude tinha maturidade, agora com uma juventude muito mais informada e engajada você quer que eu acredite que eles não tem maturidade? Então que tal dar uma olhada no novo estudo da BOX1824, a mesma que há alguns anos atrás publicou o incrível estudo O Sonho Brasileiro, agora pública O Sonho Brasileiro na Política, falando do engajamento jovem no tema, e não esqueçam de uma coisa, esta mídia em quem você confia te enganou estes anos todos....
Resposta a Carta Aberta da Família Imperial sobre o Colégio D. Pedro II Prezada Geração Monarquia (que diabos é isso?) Ou seria melhor me dirigir aos signatários da missiva, Rafael de Orleans e Bragança, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, Gabriel de Orleans e Bragança e Pedro Alberto de Orleans e Bragança? Não importa. Me dirijo a vocês para dizer-lhes que me sinto um tanto quanto estupefato com sua manifestação. Não compreendi bem o que lhes fez crer que tem algum direito para se manifestar? O fazem como cidadãos da República? O fazem como herdeiros dos títulos e corolários que um dia foram de sua família? O fazem como príncipes da (extinta) Casa Imperial brasileira? Em nome de que raios o fazem? O que os leva a crer que sabem a que fim se destina uma escola? Acaso algum dentre vós é pedagogo de formação? Contra o que se insurgem? Contra estudantes auto-organizados que decidiram não esperar mais por políticos, por seus professores ou por seus pais para assumir a defesa do ensino que recebem? Vocês foram criados tão distantes da realidade que se encontram impedidos de opinar sobre a vida dos plebeus. O que exatamente quiseram dizer com esta frase: "Que o regime vigente prefere agrilhoar nossos jovens no ostracismo destrutivo da ignorância, já é senso comum."? Acaso se referem ao regime republicano? Vocês acham que o regime republicano mantém nossos jovens no ostracismo destrutivo da ignorância? Sendo vocês membros da (extinta) família real, acreditam que a Monarquia dispensava um tratamento melhor aos jovens? Vocês dizem que a instituição D. Pedro II foi "prostituída por desideratos espúrios" e que isto dói, não apenas em vocês, mas em toda a nação. Acredito que a palavra "prostituída" é completamente descabida, além de revelar um claro preconceito. Igualmente, quero Informar que sou parte da nação, e não me dói nada o que ocorre no D. Pedro II. Portanto, não os autorizo a falar em meu nome. Por fim, quero acrescentar que o motivo que me fez deitar ao papel estas poucas palavras inspiradas, foi de lhes fazer recordar duas coisas: 1) em 15 de novembro de 1889 o nefasto regime monárquico e escravista de sua família foi alijado do poder. Sem participação popular. Mas ainda assim, alijado. 2) que em 1993 fomos as urnas e rechaçamos a volta da Monarquia. Se não sabiam, olhem lá no Wikipédia. Portanto, diante do exposto, recolham-se a sua total insignificância e deixem os assuntos republicanos para serem discutidos por republicanos. Não alimentem esperanças de que a atual crise política seria a brecha para a volta de sua família ao poder. Não somos franceses nem russos. Mas sabemos o que aconteceu com os Bourbons ou os Romanov..
Ass. Artur Barcelos, cidadão da República
Um conceito teórico-prático e ético político relativo ao direito de aparecer
"Ocupar é o conceito político mais importante do momento. Sobretudo porque, sendo um conceito, não é um conceito puramente teórico, é altamente prático. Não faz apenas pensar, não apenas leva a agir, mas é a própria ação, é mais ainda, o acontecimento político transformador. Não serve, portanto, apenas como descritor de uma situação, mas é um conceito prático de poder. Em termos mais radicais, da potência implícita no simples fato de ocupar um lugar no espaço. Ocupar é poder. Poder é ocupar."