"No fim das contas, esse era o problema com romance. Era tão fácil romantizar o romance porque estava por todos os lugares. Estava nas músicas e na TV e nas fotos cheias de filtro do Instagram. Estava no ar, vivo e nítido com uma possibilidade revigo-rante. Estava nas folhas que caíam, nos batentes de madeira das portas antigas, nos paralelepípedos gastos e nos campos de den-tes-de-leão. Estava no toque das mãos, nas cartas rabiscadas, em lençóis amassados e na hora do crepúsculo. Um bocejo suave, na risada matinal, nos sapatos alinhados juntos ao lado da porta. Nos olhos que se encontram na pista de dança. Eu podia ver tudo isso, o tempo todo, ao meu redor, mas, quando eu me aproximava, eu via que nada estava ali. Uma miragem."
Que livro foi esse?!
Digo, ele não é grande coisa da perspectiva de um adulto que já entende (ainda que um pouquinho) das relações amorosas mas, ainda assim, é lindo ver o desenvolvimento de personagens que ainda estão se descobrindo. Claro, é frustrante demais (ao menos para mim, claro) ver adolescentes errando e errando e errando em coisas que achamos serem óbvias.
O problema é: essas coisas não são óbvias para eles.
E mesmo para os jovens-adultos, às vezes é complicado abordar assuntos como amizade, amor e sexo.
O que eu mais gostei aqui, por exemplo, foi essa troca de dinâmicas: grandes gestos de amor sendo feitos para seus melhores amigos e pequenos atos de carinho sendo feitos para pessoas que se amam romanticamente.
Achei a escrita excessivamente objetiva às vezes, algo com o qual não estou acostumada e me dá a impressão que não há tanta profundidade na trama. Mas, por outro lado, essa objetividade permite que a autora expresse apenas o necessário para você entender o que está acontecendo e o que se passa na cabeça dos personagens. Assim, quando algo profundo é dito, isso impacta. Isso pesa. Sem contar que é o tipo de escrita que os jovens devem gostar, eu presumo, o famoso "vá direto ao ponto".
No começo, admito ter ficado um pouco frustrada já que eu estava esperando uma reviravolta na qual a protagonista fosse acabar com alguém (afinal, de sozinha já basta eu) mas o final desse livro me derreteu de infinitas formas. Tanto pela experiência de vida quanto pela minha própria empatia, eu entendi a personagem. Eu entendi o final.
E foi um final feliz.
Foi um final que transbordava amor.
Só não amor do jeito que os livros, a televisão e as expectativas dos outros nos diz que deve ser.