Sobre Julgamentos e Comparações
As pessoas não são iguais. Todos os seres humanos, por mais que compartilhem funções biológicas semelhantes, são diferentes em sua forma de pensar, sentir e viver. Cada um tem sua maneira de enxergar o mundo e inúmeras formas possíveis de reagir a uma mesma situação.
Eu creio nisso: não somos iguais. Mas então por que nos comparamos tanto? Por que julgamos tanto os outros e a nós mesmos? Por que nos diminuímos diante de nossas diferenças, se são justamente elas que nos tornam únicos?
Você pode até negar, mas é a verdade: todos nós, em algum momento da vida, já julgamos alguém. Julgamos características físicas, comparamos nosso próprio corpo ao de outra pessoa, condenamos a forma de pensar ou agir do outro. Mas por quê? De onde vêm essas comparações? Quem criou um padrão a ser seguido? Será que ele realmente existe?
Sim, há normas morais e éticas que regem certas atitudes e pensamentos, mas em relação ao corpo físico de alguém, o que nos dá o direito de julgar ou criticar algo que sequer nos pertence? E o que nos dá o direito de condenar o nosso próprio corpo, desejando ter o tipo físico de alguém?
Por muito tempo, eu achava meu corpo perfeito. Gostava dele. Talvez criticasse um pouco minha altura queria ser um pouco mais alta, mas no geral, eu o considerava perfeito. Até que começaram a surgir as "opiniões" não solicitadas:
— Deveria fazer algo com o seu rosto, tem muitas espinhas.
— Por que não faz a sobrancelha?
— Não gostei da cor do seu cabelo.
— Fecha a boca, ou vai continuar engordando.
Nenhum desses comentários foi pedido. E ainda assim, eles vieram. O que deu ao outro o direito de julgar o meu corpo? O corpo que eu tanto amava. E hoje… hoje já tenho dúvidas. Porque todos nós temos, em algum grau, inseguranças dentro de nós. E basta um comentário. Uma pequena semente. Se você ainda não se conhece profundamente, se ainda não estabeleceu seus próprios limites, a sua mente vira um terreno fértil para essa semente da dúvida crescer.
Então começam as comparações. A tristeza. A vontade de mudar algo que antes você considerava perfeito, simplesmente porque alguém plantou em você a ideia de que não era bom o bastante.
Mas será que temos o direito de nos incomodar com os comentários alheios, se nós mesmos, em algum momento, já julgamos o corpo ou a aparência de alguém? Mesmo que de forma inconsciente? Eu confesso: já fiz isso. E ainda me pego julgando, às vezes. Mas isso não me dá o direito de verbalizar tais pensamentos para ferir alguém. Reconhecer o erro é o primeiro passo. O importante é não alimentar essas atitudes.
Quando esses pensamentos ruins surgem, eu tento colocá-los numa “caixinha mental”. Ali eu guardo essas reações negativas, tranco, diminuo até que desapareçam. Porque o corpo e as atitudes do outro não são meus para controlar, nem deveriam ser. Já tenho trabalho o suficiente com minha própria mente e meu próprio corpo. Não me sobra tempo nem vontade de me ocupar com os outros dessa maneira.
Tudo o que posso fazer é continuar me policiando, para que essas sementes não floresçam dentro de mim. Porque fazem mal, só mal. A mim mesma. E, se você também pratica isso, a você também.
A dúvida corrói a mente. Faz questionar se o que você vive é certo, se você é bom o bastante. Mas eu te digo: Você é perfeito do jeito que você é. Da maneira como nasceu. E, se os outros não pensam assim… foda-se eles.
Sempre que surgirem esses pensamentos ruins, sobre algo que não é da sua conta e que não muda nada na sua vida, coloque-os na caixa. Diminua-os até que desapareçam. Creio que sua vida será muito mais leve assim.