Modern Family
Eu lembro a primeira vez que eu vi esse seriado na televisão, ele estreou em 2009, mas eu não tenho certeza de quando eu comecei a ver. A história, para quem não sabe, é sobre a família do Jay Pritchett, que tem sua filha Claire e seu filho Mitchell.
Jay é casado com Gloria que já tem um filho adolescente chamado Manny; Claire tem seu marido Phil e três filhos, Luke, Haley e Alex; e, Mitchell, no começo das temporadas tem um namorado, Cam, e adota uma menina, a Lily.
É um seriado muito bem escrito e com construção dos personagens. Ele conta da rotina comum, mas engraçadíssima, da família Pritchett. Ele voltou para a Netflix há algum tempo e desde então está sendo muito visto, de acordo com o site TV Time, no Instagram desse site, enquanto escrevo isso o seriado está em 4º lugar dos mais vistos nessa semana, no mundo inteiro.
O que chama a atenção, para gente, é a relação existente entre o casal homoafetivo da série. Eles têm uma vida normal e a intenção de formarem a sua própria família com a adoção de Lily e eventualmente se casando.
Jay, mesmo não sendo totalmente a favor do casal no início das temporadas, tem uma construção de personagem, e assim, percebe-se que quanto mais o tempo se passa mais esse relacionamento se torna comum para ele, e ver seu filho com outro homem não é mais tratado como o foi na primeira temporada.
E sinto que essa visão de normalidade é edificada para demonstrar como toda forma de amor é válida e a necessidade de os pais apoiarem seus filhos, não importando a idade desses.
A família tradicional, expressão que estamos cansados de ouvir desde as eleições, nunca existiu e nunca existirá, uma vez que ela é construção de uma sociedade burguesa capitalista. Mas quando retornamos a esses discursos, muitas vezes, machucamos aquelas pessoas que não se encaixam nesses papéis irreais.
Mesmo em relação ao casamento entre Jay e Gloria, uma mulher muito mais nova que ele e de cultura latina pode-se perceber a possibilidade de preconceito que nasce desse tipo de relacionamento, entretanto, quando é visto o seriado, percebe-se que é apenas amor, como todos os outros.
Voltando ao Mitchell e Cam, ambos trazem para o seriado questões da comunidade LGBTQIA+. Dificuldades de criar um filho, tal como todos os pais passam, sendo ou não homoafetivos; e eles descobrem, em um episódio, que a semelhança entre gays e lésbicas é o amor que ambos têm para com seus filhos; e, a não aceitação dos seus pais.
Discute-se esses e outros temas de modo muito leve e de forma cômica, para que prenda a atenção daqueles que estão assistindo e demonstre com naturalidade as questões dessa comunidade, para quem não a conhece de verdade ou está baseando os seus pré-conceitos em opiniões que fogem da realidade.
Normalizar tais fatos, principalmente em tempos de preconceito, é mais do que necessário para que possamos construir uma sociedade que aceita o outro, indiferente de suas particularidades.
Para quem ainda não viu, tem na Netflix, faça maratona e venha conversar com a gente sobre o que vocês acharam!
– Escrito por Marobah












