Capitulo 02
2.
(Da série ...)
- Vinheta de entrada –
Alice POV
Eu olhava para Bella sentada a mesa, tomando seu café da manhã normalmente. Sua expressão tão calma e serena me dava até um pouco de medo, pois para quem tinha passado por algo como Tânia fez, não poderia estar tão normal como ela estava ali, comendo. Até dava pequenos sorrisos como se nem estivesse abalada ou qualquer coisa.
Se fosse eu não teria coragem de aparecer na escola ou muito menos na cidade por um bom tempo, pois além de ser humilhada por Tânia, Bella ainda se expôs semi-nua quando o roupão abriu. Isso me faria ficar trancada no quarto por um bom tempo, só chorando. Mas Bella estava o oposto do que eu imaginava. E havia algo em seus olhos verdes que me incomodava. Eles pareciam ainda mais duros do que quando eu os vi pessoalmente no aeroporto. Alguns riscos em azul estavam mais em destaques hoje, deixando-os como o de um felino.
Admito, ela estava me assustando.
– Se você parasse de me olhar assim, Alice, eu agradeceria. – Bella falou e eu arregalei os olhos.
– Desculpe. – pedi, encarando meu prato. – É que ainda estou preocupada com você, Bella.
– Já disse que eu estou bem, garota. Olha para mim! – apontou para si com um sorrisinho brincando nos lábios. – Não pareço bem?
Yeah, ela parecia muito bem, e era isso que mais me preocupava. Que tipo de pessoa ficaria assim depois do que aconteceu?
– Parece. – eu falei. – Mas mesmo...
– Relaxa, Alice, ok? Eu estou mesmo bem, não precisa mais se preocupar. – deu de ombros. – Essas coisas não me abalam.
– E porque não? – soltei rápido.
O sorriso que Bella tinha nos lábios se desfez, ficando em uma linha fina de tensão. Ela apertou um pouco os olhos em minha direção, o que estranhei.
– Porque garotas como Tânia não merecem atenção de ninguém, entende? – novamente deu de ombros.
– Hm. – fiz.
Bella não era exatamente o jeito que eu imaginava quando Esme falou que ela viria para cá. Eu achava que seria como uma adolescente normal, talvez uma lider de torcida como Rosalie, já que veio do vale do sol, ou uma revoltada com a vida que só veste preto e corta o próprio cabelo pintando-o depois de preto. Mesmo usando coturnos e jaquetas de couro. Ela nem se encaixava em ser adolescente. Tudo nela praticamente gritava que a sua mente ia além dos trinta anos, como uma mulher adulta. Era impressionante para mim alguém assim.
Será que todas as garotas do (procurar a região) do Estados Unidos eram assim?
– Vamos pra escola? – perguntou, já levantando.
Vi um pequeno brilho em seus olhos, que me deu calafrios.
– Vamos sim. – assenti, ignorando o que sentia.
Bella POV
O estacionamento hoje estava mais lotado que ao dia anterior, e na minha cabeça só tinha uma resposta para aquilo: eles estavam me esperando. Mas isso era bem claro, pois seus olhos seguindo o carro de Alice quando entrou no estacionamento indicava. Essa estava no banco do motorista, me encarando com olhos em expectativa.
– Você vai mesmo entrar? – perguntou mais uma vez.
– Vou sim. Porque não iria?
– Por ontem? – soltou com uma voz ironica. – Bella, você está fazendo como se nada tivesse acontecido.
– E você não controla essa sua lingua. – soltei sem pensar, e ela arregalou os olhos. – Olha, Alice... – suspirei. – Desculpa por falar assim, é que você está insistindo tanto em algo que está começando a ficar irritante. Eu me lembro muito bem do que aconteceu ontem, e eu realmente não me importo. Essas pessoas podem falar o que quiserem, mas eu não vou fugir da escola ou da cidade por causa de algo tão besta. Eu preciso terminar esse ano escolar, e aqui em Forks, por enquanto, está parecendo ser um bom lugar para isso. Eu só vou ignorar eles e pronto.
Alice assentiu devagar, dando um sorriso triste.
– Me desculpe por ficar te enchendo. – murmurou baixo.
– Não, você não está me enxendo. É legal você se preocupar comigo, sério. Mas quando eu lhe dizer que estou bem, confie em mim.
Novamente ela assentiu com a cabeça, agora sorrindo mais abertamente. Seus olhos azuis brilharam de excitação.
– Vamos mostrar para esses idiotas que você é melhor que tudo isso?
– Isso mesmo. – soltei uma risada com sua animação. – Vamos lá.
Nós saimos do carro. Logo eu senti meu corpo inteiro formigar com toda a atenção que se virou na minha direção, e os murmurios que tomou conta do lugar. Todos ali estavam falando do que aconteceu ontem, apontando para mim e dando risadinhas – alguns me olhavam com pena também. Eu ajeitei minha mochila nas costas e comecei a caminhar, com Alice ao meu lado, agindo normalmente e cumprimentando as pessoas que conhecia.
Ouvi piadinhas até o caminho da sala, algumas muito indecentes sobre eu ter ficado semi nua, mas nenhuma sequer me atingiu. Alice encontrou umas amigas no meio do caminho que lhe puxaram, e ela queria continuar comigo, mas eu insisti que falasse com elas. Decide então passar no banheiro para molhar um pouco a nuca, que parecia pegar fogo de tão quente que estava. Assim que entrei, tinha umas meninas saindo, e quando me viram, deram risadinhas. Ignorei, indo até a pia e me olhando no espelho. Eu estava vermelha no rosto inteiro, um rubor por causa do que eu sentia.
Mesmo tendo passado de cabeça erguida por todas aquelas pessoas imbecis, por dentro eu morria de vergonha do que tinha acontecido. Não queria demonstrar, e nem iria. Era só colocar na cabeça que não importava, que tudo isso diminuiria até não ter mesmo importância.
Meu celular vibrou no bolso da minha jaqueta, o que estranhei. Peguei, vendo no visor o nome de Jane piscar. O que ela queria?
Jane me saudou de forma animada quando atendi. Tive que engolir em seco para tirar o caroço que se formou na minha garganta ao ouvir sua voz, e fazer um esforço grande para colocar um pouco de animação na minha voz.
– Bom... Dia, Jane. – fracassei horrivelmente. – Fazer chamada de video? Pra que? – ela me respondeu com a voz menos animada. – Eu estou bem, de onde que tirou o contrário? Não precisa, Jane... Eu não quero fazer... OK!
Passei a ligação para uma chamada de video, e pude ver Jane deitada em sua cama com uma cara horrivel de sono. Seus cabelos loiros todos desgrenhados.
– Meu Deus, o que aconteceu com você? – ela perguntou de olhos arregalados.
– Qual é, sem brincadeiras. – revirei os olhos.
– Não estou brincando. Olha para essa sua cara de quem... De quem... Tem algo acontecendo! O que é?
– Não é nada demais, é só cansaço mesmo. Hey, que horas que são ai?
– Alguma hora da madrugada que eu não quero saber. Queria lhe dar bom dia, sabe. Estou com saudades... – fez beicinho.
– Você é uma idiota pra acordar essa hora e me ligar. – fui sincera.
O sino tocou alto.
– Você me magoa assim, sabia?
– Bem, é triste. Agora eu preciso ir para a aula. Tchau, Jane.
Desliguei sem ela se despedir e fui rápido para a sala, pois quanto mais cedo chegasse, mais vazia a sala estaria e eu poderia ir para meu lugar sem olhares em cima de mim. Tive algum sucesso com esse plano, pois quando cheguei tinha na máximo umas cinco pessoas, e esses eram os nerds que não deram importância para mim. Ainda tinha pessoas menos estupidas naquela escola.
Assim que sentei em meu lugar, comecei a bater o pé impacientemente no chão, querendo que passasse logo os horários e eu pudesse ir para casa.
Vi Alice entrar na sala com Rose, que deu um pequeno sorriso para mim. Emmett e Jasper entraram atrás, rindo de alguma coisa, e logo atrás deles um Jacob emburrado. Meus olhos fugiram deles, indo para a mesa. Eu me lembrava muito bem a reação de cada um ontem.
– Hey, Bella! – a voz grossa de Emmett foi alta perto de mim, me fazendo encolher na cadeira.
Por que ele tinha que chamar tanto a atenção?
Ergui minha cabeça, lhe lançando um sorriso de canto. Ele estava encostado na minha bancada.
– Oi, Emmett. – disse até um pouco animada.
Ele piscou um olho para mim, passou a mão na minha cabeça e foi se sentar em seu lugar atrás de mim. Admito que estava torcendo para que ele fosse muito legal, pensasse e se sentasse ao meu lado, impedindo que Edward fizesse isso.
– Como sempre é o ultimo a chegar. – Jacob falou.
Ele não precisou nem dizer o nome que minha mente já foi logo pensando na imagem de Edward, dele ontem quando apareceu na sala. Mas essa imagem se transformou em outra, dele no estacionamento, segurando Emmett. Torci a boca em desagrado.
– Sabe porque isso, Jake? Ele quer ser o centro das atenções.
Então agora é só andar comigo que consegue, pensei ironicamente e revirei os olhos para mim mesma vendo que o que pensei era um reflexo do que eu queria. Era estúpido e estava fora de cogitação.
– Até que você é bem inteligente, Emmett. – ouvi sua voz rouca assim que senti sua presença perto.
– Mais que você, com certeza eu sou.
Os três riram da coisa mais idiota que podiam rir, pois aquilo não tinha graça. Senti o meu lado direito formigar assim que Edward se sentou ao meu lado, assim como também um calor corporal. Grunhi baixinho para mim, percebendo algo tão idiota como esses pequenos detalhes. Mas talvez não foi tão baixo quanto pensei, porque senti Edward cravar seus olhos em mim. Pela minha visão periférica vi ele me olhando, e querendo que ele parasse com aquilo, o encarei. Assim que fiz tal ato, lentamente e tão atraente para meus olhos eu vi seus lábios repuxarem de canto, em um sorriso torto. Devolvi na mesma forma, com cinismo.
– Bom dia, amiguinha.
Ele não estava sendo educado, dava para perceber em seu olhar. Edward queria me cutucar, como se esperasse que eu fosse fazer algo que mostrasse que eu estava ressentida com ele por ter rido do que aconteceu. Eu sentia que Edward tinha percebido meus olhos demorados nele quando estava naquele chão.
Mas Edward estava enganado sobre mim, pois eu não iria dar o que ele queria.
– Bom dia, Edward. – falei de forma lenta, no final passando a lingua nos lábios para umedece-los. – Tudo bem?
Edward desviou os olhos dos meus lábios, e sorriu mais abertamente.
– Sempre bem. – respondeu.
Assenti para ele e me virei para a frente, ao mesmo tempo em que o professor entrava na sala. Aquela mesma bagunça do dia anterior começou novamente, e eu apenas soltei um suspiro entediada. Decidi ignorar todos ali e fui jogar qualquer jogo idiota no meu celular.
(...)
– Isso não está lhe encomodando? – Alice perguntou baixinho para mim enquanto seguiamos pelo corredor.
Dei de ombros para ela, querendo mostrar que não, mas que na verdade eu queria poder socar e cuspir na cara de cada idiota que me encarava enquanto seguiamos para o refeitório. Parecia que eu tinha alguma praga ou algo pior, porque quando eu passava eles se afastavam e ficavam me olhando, entre cochichos e risadinhas. Mas eu estava com o queixo levemente erguido e um pequeno sorriso nos lábios.
– Mesmo não sendo comigo, está me irritando. – Alice continou no murmurio dela, perto do meu ouvido.
– Apenas relaxe, Alice. Isso tudo vai passar. – falei para ela, passando um braço por cima de seu ombro.
– Eu espero.
Eu também, torci, fechando os olhos lentamente e logo os abrindo para dar com a visão mais triste que alguém poderia ter. Tânia e suas seguidoras paradas no final do corredor, bem nas portas do refeitório. Ela tinha as mãos na cintura e um sorriso vencedor nos lábios. As pessoas tinham aberto caminho entre nós, nos olhando em expectativa.
– Olha, olha quem foi corajosa de aparecer aqui hoje. – comentou alto o suficente para atrair atenção para nós.
Me aproximei mais, parando na sua frente.
– Hey, Denali! – sorri amigavelmente.
– E parece que de muito bom humor, ainda. – ironizou. – Você é muito sonsa.
O sorriso animado falso que tinha nos lábios se desfez, passando para um tão cinico quanto era possivel. Cruzei os braços e ergui uma sobrancelha.
– Sonsa? Mas porque eu seria isso, Tânia? – questionei.
– Por aparecer ainda nessa escola, Swan. Eu achei que depois da lição que lhe dei ontem você iria voltar para seu ninho de vadias.
Com essa tive que gargalhar alto com sua ofensa banal.
– Achou muito errado, Tânia. Aquilo de ontem não me fez nem cócegas. Aliás, não querendo lhe deixar ainda mais pra baixo, mas só pra deixar claro, não me fez também nem derramar uma lágrima.
– Isso é verdade. – Alice ao meu lado falou e eu revirei os olhos.
Tânia lhe lançou um olhar furioso e depois desviou para mim.
– Da pra perceber que você tem pouca inteligencia, garota. Para não entender o recado. Eu acho melhor você sumir dessa escola.
Dei mais um passo, ficando cara a cara com ela.
– E perder a diversão que é te ver furiosa e com medo de mim? Não, Tânia, obrigada. – sorri para ela e passei a mão em seu braço. – Prefiro ficar mesmo, gatinha. – pisquei um olho e passei por ela, entrando no refeitório com Alice atrás de mim.
As pessoas me deram espaço para passar, o que me irritou. Mesmo com vontade de socar cada um ali, eu não iria fazer isso. As aulas estavam apenas começando, e um novo FHS para eles também.
Eu vi Rosalie e Emmett em uma mesa, os dois conversando algo animado. Alice e eu compramos coisas para comer e seguimos até lá, nos juntando a eles.
– Vocês viram que bagunça era aquela ali na porta do refeitório? – Emmett perguntou com descaso. – Só vi tanta gente assim acumulada quando Jacob e Tyler brigaram daquela vez.
– Não era de mais, apenas Bella e Tânia. – Alice fez pouco caso e eu sorri para ela, aprovando aquilo.
Minha prima não era nenhuma fofoqueira ou uma aumentadora dramatica.
Rosalie e Emmett trocaram olhares, sem saber o que falar. Neguei com a cabeça e ri comigo mesma, pois as pessoas podiam serem muito bestas quando queriam. Eu parecia alguém que estava mal a ponto de ninguém sequer tocar no nome de Tânia?
– Olá, pessoal! – Jasper se jogou ao lado de Rosalie, com um sorriso animador. – O que está pegando nesse silêncio?
Alice sorriu para ele, como se nem fosse tão importante a resposta. Rosalie se voltou para sua salada com molho branco em cima, ignorando. E Emmett deu mais uma mordida enorme no seu hamburguer, balançando a cabeça. Jasper, estranhando eles, se virou para mim com uma sobrancelha erguida.
– Estavamos falando de Tânia e o grande fuzuê que ela fez na porta do refeitório. – respondi por todos. Ignorei as batatas fritas na minha bandeja e peguei o potinho com o bolo de chocolate. Abri, logo sentindo o delicioso cheiro, que me deu água na boca. Parecia estar maravilhoso aquele pedaço de bolo. – Você não viu? – questionei para ele, desviando os olhos do bolo e direcionando para ele. – Parecia que a escola inteira estava lá assistindo.
Jasper negou com a cabeça, uma expressão confusa.
– Não... – murmurou devagar. – E com quem era que ela estava implicando?
Sorri de canto para ele e apontei para mim.
– Eu! A sua mais nova diversão e passa tempo, afinal, ninguém quer comer ela! – sorri sarcasticamente.
A mesa foi tomada por gargalhadas altas e divertidas, e eu revirei os olhos. Não era uma piada o que eu tinha falado, fui ironica e sem nenhuma vontade de fazer graça. Ignorei eles rindo e voltei para o bolo, que me seduzia com seu cheiro bom. Peguei o garfinho de plástico e o cutuquei, vendo que estava bem fofinho. Aquilo só aumentou ainda mais meu apetite. Afundei o garfo, logo tirando um pedaço e levando á boca.
- Hmmmmmmmm. – murmurei, fechando os olhos em apreciação. Assim que a masso tocou minha lingua, foi como se milhões de organismos prazerosos explodissem na minha boca e espalhassem pelo meu corpo. – Meu Deus, que delicia!
Quando abri os olhos, percebi que as gargalhadas tinham cessado e quatro pares de olhos me encaravam.
– O que? – perguntei sem entender.
– Eu quem perguntou aqui. O que aconteceu com você pra parecer que teve um orgasmo com esse pedaço de bolo? – Rosalie questinou.
Olhei para o potinho a minha frente, esperando que eu continuasse comendo ele. Depois para minhas calças, voltando novamente para eles.
– Olha, Rosalie, você não vai entender. – falei por fim, dando uma risadinha. – Mas não se preocupe, minhas calças estão secas, então eu não tive nenhum orgasmo. Mas juro que quase cheguei perto.
Apenas Jasper e Emmett riram, me acompanhando. Alice soltou uma risadinha e bebeu do iorgute dela, enquanto Rosalie negava com a cabeça na minha direção.
– Sabe, Bella, você é uma pessoa mais legal do que eu imaginava. – Emmett falou sincero. – Sabe levar assuntos de forma diferente das outras meninas.
– O que você quer dizer?
– Que nem Alice ou até mesmo Rosalie falam orgasmo tão naturalmente e tão divertido como você falou. – Jasper quem respondeu, com uma expressão entendiada. – Traduzindo: como nós falamos.
Com essa tive que rir.
– Mas porque não falar? É tão normal. – dei de ombros.
– E também porque você não age como elas, sabe? Você é... Mais forte na queda, pelo que parece. Porque ontem se fosse outra garota teria chorado, e você... – Emm arregalou os olhos como se lembrasse e quisesse interpretar sua surpresa. – Wow, ficou louca! Sério, gritando e xingando daq... AI! – ele deu um pulo na cadeira e alisou o braço que Rosalie beslicou. – Qual é o seu problema?
– Você ainda pergunta? – ela soltou com um sorriso cínico.
Emmett resmungou emburrado.
Com um sorriso divertido, peguei mais um pedaço de bolo e o levei a boca. Tive a mesma sensação quando foi o primeiro, mas me segurei para não fechar os olhos novamente. Fazia tanto tempo que eu não sabia o que era um bolo de chocolate que aquele era como se fosse meu primeiro pedaço em toda a minha vida. Alías, fazia muito tempo que eu não sabia o que era chocolate.
– E não tinha como não ficar nervosa naquela hora? – soltei para eles, que me encaram confusos. – Odeio qualquer tipo de brincadeiras, ainda mais essas de boas vindas que dão. Sério, são irritantes. – revirei os olhos.
– Concordo com você. – Jasper me apoiou.
Assenti para ele, e continuei a comer meu bolo. Percebi que os três ainda me encaravam, e dei um pigarro querendo que eles parassem com aquilo.
– Bella... – Alice me chamou, insegura. Eu a olhei. – Você faz parte do nosso grupo agora, e saiba que se precisar vamos estar aqui, ok?
Olhei para os outros três ali, que assentiam dando apoio as palavras de minha prima.
Algo estranho tomou meu corpo, uma sensação tão desconhecida por mim. Era quente e confortável, apenas olhando para aquelas pessoas ali fazendo algo que eu nunca tinha recebido em minha vida. Era novo ter pessoas do meu lado, falando essas coisas como "estamos com você".
– Er... – cocei a garganta, me sentindo sem jeito. Olhei para o potinho a minha frente e o futuquei. – Obrigada, galera.
Senti uma mão quente cobrir a minha que estava na mesa, e quando olhei vi que era de Alice, e a dela foi tomada pela de Emmett, em seguida a de Rosalie e por fim a de Jasper. Sem desviar os olhos das nossas mãos, eu sorri para mim mesma, gostando daquilo que eu estava recebendo.
(...)
– (pensar em um grito de guerra)
Olhei entediada para um grupo de garotos que gritavam loucamente no corredor, torcendo pelo time de futebol da escola que nem tinha jogado ainda para eles estarem tão animados. Pelo que Jasper havia me explicado, a escola FHS e uma em uma cidade perto gostavam de começar o ano com uma pequena competição de futebol entre elas. E ali eles tratavam aquilo tudo como se fosse a coisa mais importante de suas vidas mediocres e idiotas. Era tão patético a forma como esses adolescentes agiam com algo tão besta.
Nunca gostei desses jogos que escolas inventavam para poder divertir os alunos. No reformatório também inventavam esses campeonatos, mas nunca dava certo. Acredite, ninguém ali sabia levar as coisas na esportiva.
Toda a animação daquele pessoal também se devia ao fato de que amanhã era sexta, acabaria as aulas, começaria o jogo e logo sabádo a noite teria uma festa para eles encherem a cara, se drogarem e tirarem o atraso. Isso os faziam parecer ainda mais idiotas, ao meu ver.
Fechei meu armário, carregando nas mãos apenas um caderno fino que eu iria levar para a aula de álgebra apenas para desenhar, pois odiava a matéria e ainda mais a professora. Foi quando eu vi Alice passando por ali, com uma expressão carrancuda para meu lado. Decidi insistir mais uma vez e faze-la ficar melhor.
– Hey, Alice! – a chamei e essa nem sequer virou na minha direção.
Com uma revirada de olhos e um suspiro eu corri até ela, a pegando pelo braço.
– Da pra você parar um pouco com esse assunto? – ela perguntou brusca para mim.
– Qual é, Alice. – a soltei. – Você fala para mim me afastar das pessoas e quando eu pergunto o motivo, você fica toda tensa e decide me ignorar o dia inteiro. Quero dizer, isso não faz sentido.
Alice cruzou os braços e fez uma tromba de elefante com os lábios, olhando para o lado. Ela estava disposta mesmo a me ignorar e não falar sobre nada.
O segundo sino da troca de aula tocou estridente perto de nós, e aos poucos as pessoas foram se dispersando sabendo que se não fossem logo, algum inspetor apareceria. Mas Alice e eu continuamos ali, paradas no meio, sem falar nada.
Decidir que teria que usar outro método que não fosse a insistencia.
– Tudo bem, ok? – ergui as mãos como se me rendesse. – Não vai falar? Então guarde seus conselhos para você porque não posso me afastar, sem saber o motivo, do meu parceiro de mesa na aula de Cálculo. E se eu falo com ele, também falo com o amigo dele, que senta ao lado de Emmett. Não posso me afastar de pessoas que me parecem legais... Algumas vezes.
Com um dar de ombros, eu comecei a me afastar, até ouvi-la me chamar novamente.
Desde ontem, depois da aula de cálculo que eu passei rindo e conversando com Emmett, Edward e Jacob, Alice me olhava de forma estranha e quando teve tempo sozinha comigo me pediu para me afastar de Jacob e Edward. Eu perguntei porque e ela se negou a responder, então eu estava até agora insistindo para isso.
Dei um mínimo de um sorriso, depois mudei a expressão para uma série e me virei para ela.
– Olha... Confia em mim, por favor. Sei que eles são legais, os conheço a muito tempo, mas não é o tipo de pessoa a qual você deve se juntar. Edward e Jacob tem algo neles que... Atraem as pessoas.
Ergui uma sobrancelha, sem entender.
– Eles não parecem muito isso, porque pelo que percebi, são apenas eles dois sem mais amigos.
– É... – ela suspirou. – Eles são bem difíceis na seleção de pessoas que decidem andar com eles. Não é qualquer pessoa que eles escolhem.
Soltei uma risada divertida.
– Então se é assim, Alice, você devia se preocupar menos, porque eu não pareço ser do tipo especial que vão os fazer decidirem me incluir no grupo especial deles. – ela fez uma careta com minhas palavras divertidas. – E também, eu não quero isso.
– Hey, mocinhas, já para a sala! – uma voz suave ecoou pelo corredor.
Olhei para atrás de mim e havia um inspetor parado um pouco mais a frente, com uma expressão séria. Me virei para Alice.
– Você não me disse porque eu deveria me afastar, Alice, então... – sorri para ela e voltei a andar, seguindo para minha aula.
Só dei uma última olhada para trás, e Alice estava lá parada me olhando, com uma expressão entre nervosismo e tristeza.
Eu não a entendia, mesmo, para agir assim quando eu não via nada de errado com aqueles garotos além de serem um tanto imbecis em algumas coisas. Seu pedido foi estranho, e eu odiava mistérios. Nada podia ser tão ruim a ponto de Alice querer evitar me contar. Mas agora que ela tinha colocado essa dúvida na minha cabeça, eu ia dar uma forma de descobrir. E eu sabia muito bem como, no momento que eu mais me perguntava aonde Edward e Jacob andavam.
Edward POV
Olhei para o fim do pátio aberto, vendo Jacob sentado em um banco olhando para o nada. Assobiei para ele, que lentamente virou a cabeça na minha direção e sorriu para mim. Um sorriso preguiçoso demais para uma pessoa que tinha chegado animado de manhã. Mesmo de longe eu podia ver seus olhos vermelhos.
Jacob acenou, me chamando para ir me juntar com ele no banco. Neguei com a cabeça, e ele percebendo minha expressão séria, suspirou e se levantou, vindo até mim. Perto eu pude ver ainda mais os efeitos.
– E ai, cara! – bateu no meu ombro com uma força exagerada, e soltou uma risada alta.
– Mais uma vez, Jacob? – cruzei os braços.
Ele arregalou os olhos, sorrindo.
– Foi mais forte que eu dessa vez, entende? Os caras estavam lá, e eu só peguei alguns. Aliás, você quer?
Jacob enfiou a mão no bolso da blusa e quando tirou, tinha nas mãos um potinho de cor laranja e meio transparente, como de remédios. Pude ver lá dentro os comprimidos brancos e longos. Estava cheio, diferente do que eu tinha visto hoje mais cedo.
– O que eu lhe falei sobre tomar isso na escola, hein? – o encarei.
– Relaxa, cara, que ninguém vai me pegar dessa vez. – ele revirou os olhos.
Jacob estava tão grogue que eu quase achei que as iris dele ficariam lá em cima quando fez isso. Dessa vez, ele exagerou.
– Ah, claro, não vai. – ironizei. – Jacob, você está sorrindo como um imbecil e com os olhos vermelhos, sentado em um lugar que não tem ninguém. Acha que se alguém passar aqui, lhe ver assim, e como conhece sua fama, não vai perceber?
Jacob deu uma gargalhada e eu suspirei, não querendo perder o controle e aumentar meu tom de voz. Já estavamos sob vigia, qualquer coisa fora do normal chamando a atenção ali era perigoso.
– Relaxa, cara! – falou mais uma vez, passando a mão no meu cabelo.
Ele foi até o pequeno muro e sentou, se encostando na parede. Com um sorriso de quem estava na maior curtição, e de olhos fechados. Sabia que ele aproveitava os efeitos, e era muito suspeito ele ali daquela forma.
– Jacob, da pra você ficar melhor logo? – perguntei para ele, que riu.
Só mais um pouquinho e eu já vou, Edward.
Esperei alguns minutos e logo Jacob estava novamente em pé, com os olhos arregalados e sorrindo.
– Espero que ninguém pergunte sobre seus olhos vermelhos, e se perguntar, você quem invente uma boa desculpa porque eu estou sem. – apontei para ele, que assentiu, e então seguimos para longe dali.
– nota sobre o ambiente -
Bella, que tinha seguido Edward até ali, estava no outro corredor, sentada no chão, com uma mão na boca e não acreditando no que tinha descoberto sobre a dupla.
Alice POV
O sino da última aula tocou e eu guardei meu material na mochila, soltando mais um dos vários suspiros de preocupação sobre aonde Bella estava. Ela não apareceu na hora do almoço, e nem Jasper, Emmett, Rosalie e até Edward a tinham visto. Com toda essa confusão dela com Tânia, era perigoso deixa-la sozinha, pois eu não sabia o que podia acontecer e estavamos apenas na primeira semana de aula.
– Tchau, Alice. – Angela, minha parceira de mesa, murmurou tocando meu ombro ao seguir para fora da sala.
Olhei para a mesa vendo se não estava esquecendo nada, e constatando que não, eu sai da sala. O corredor tão apinhado de alunos eufóricos por mais um fim de dia pulavam e se empurravam para sair logo. Com esperança fiquei olhando para os lados, torcendo para encontrar Bella no meio daquela muvuca. Mas a única pessoa que encontrei foi Rosalie, que parecia nervosa.
– Hey, Rouss! – a chamei, indo até ela. – Você está bem, garota?
Rosalie olhou para baixo, suspiro e depois me encarou com um pequeno sorriso.
– Estou sim, All. Você quem não parece. Ainda não achou a Bella?
– Não. Eu não vi ela em nenhuma aula depois que nos encontramos no corredor, e nem um sinal...
– Talvez ela esteja já lá fora esperando você no carro.
– É. – assenti, torcendo que Rosalie tivesse razão.
- Eu tenho que ir pro treino das líderes daqui a pouco, mas se você quiser posso espera-la com você.
– Seria ótimo!
Passei meu braço com o dela e nós seguimos para o estacionamento. Nós paramos perto do meu carro, logo Emmett se juntando a nós. Parecia também preocupado com o sumisso da Bella.
– Edward! – Emmett gritou o ruivo que passava naquela hora.
Esse se virou para nós com uma expressão séria, e se aproximou.
– Fala? – perguntou curto.
– Cara, eu sei que você tem a ultima aula com a Bella. Ela apareceu?
– Não, Emmett. Não vi sinal dela lá no Ginásio.
Com um suspiro, eu olhei para a entrada do prédio principal, e meus olhos bateram na garota de moletom preto que vinha furiosa empurrando as pessoas. Os olhos de Bella se encontraram com o meu, e ela marchou até mim, parando bem na minha frente.
– Porque você quis esconder aquilo, hein, Alice? – perguntou furiosa, apontando o dedo para mim. – Você... Você não precisava fazer tudo aquilo!
Emmett, Edward e Rosalie nos olhavam confusos, sem entender sobre o que ela falava. Ergui uma sobrancelha, ainda meio confusa também, mas tendo alguma idéia.
– Bella... – murmurei entredentes, dando uma olhada rápida na direção de Edward.
– Foi idiota o que você fez, sabe porque?! Porque... Porque... – Bella rosnou como se não conseguisse colocar para fora o motivo. – Não devia ter escondido de mim por esse tempo!
– Eu te alertei, Bella, não precisava falar. Tenho culpa que você é uma teimosa?
– Eu achei que era algo estupido! – jogou as mãos para cima.
Olhei para os lados, vendo que as pessoas em volta prestavam atenção em nós. Agora tudo que Bella estivesse envolvida eles iriam ficar de olho, pois esse povo era um bando de urubus atrás de tragédias e brigas na escola.
– Bella, chega. – pedi baixinho.
– Chega nada, Alice! Você não sabe a seriedade desse assunto, ok? – negou com a cabeça, uma expressão meio torturada no rosto. – Eu vou embora andando.
– O que? Mas você nem sabe o caminho!
– Me viro sozinha.
Sem dizer mais nada Bella nos deu as costas e seguiu para a saida do estacionamento, passando entre os carros. Fiquei ali parada, estatica, sem saber o que falar. Primeiro porque Bella explodiu assim quando parecia tão calma, e segundo que só agora percebi que ela falava como se soubesse o que era...
– O que eu perdi? – Emmett perguntou lentamente, ainda olhando para o lugar que Bella estava alguns segundos atrás.
Então os três se viraram para mim, esperando uma explicação.
– Nada demais. – dei de ombros. – Só uma Bella possessa porque... Nem sei porque.
Soltei uma risadinha para descontrair a fazer eles esquecerem, e adiantou porque Emmett gargalhou e dai Rosalie já foi tirar uma com a cara dele por ser idiota e rir de uma coisa que nem teve graça. Edward ao meu lado deu de ombros.
– Vou indo.
Edward saiu rápido sem nem dar tchau ou qualquer coisa, ele parecia aborrecido. Se não estava com Jacob, era algo entre eles. Isso acontecia algumas vezes, e como eles sempre andavam juntos, era fácil deduzir quando dava algum rolo entre eles.
– Eu também preciso ir, hoje mamãe quer dar um jeito em casa e precisa dos meus músculos para ajudar. – Emmett flexionou os biceps e quando reviramos os olhos, ele riu. – Até depois, meninas.
Ele entrou no Jipp que estava ali perto e saiu. Ficamos apenas Rosalie e eu.
– Não quero ir pra casa agora. – admiti para ela, que fez uma careta. – Bella parece estar mesmo nervosa.
– Verdade... – murmurou baixo. – Mas sobre o que ela falava, Alice?
Olhei para os lados, vendo aos poucos o estacionamento ficando vazio. Não sabia para aonde poderia fugir agora, até que me lembrei de um bom refugiu. Comecei a andar, e Rosalie mesmo sem entender, me seguiu.
– Você sabe da minha preocupação de por ela ser nova acabe se encantando com Jacob e, principalmente, com Edward. Não quero que eles a levem para o caminho errado, entende? Então, pedi para ela tomar cuidado e Bella queria saber o porque, não contei porque não é nada que eu tenha que comentar, mas ela é teimosa e disse que não ia se afastar quando não tinha motivos. E bem... Eu acho que... Que...
– Que ela descobriu. – Rosalie concluiu por mim.
– É. – assenti. – Só não sei como.
– Do tempo que ela ficou sumida, ela achou uma forma de saber. Alice, eu sei que é de sua natureza se preocupar com as pessoas, mas não encha muito as paciencias de Bella, sim? Da pra ver de longe que ela não gosta disso. Bella parece ser do tipo mais direta, que diz uma coisa e pronto.
Rosalie era muito perceptiva nas coisas, pois ela deduziu sem nem trocar muitas palavras com Bella algo que eu tinha que aprender depois de levar umas patadas da minha prima. Eu já tinha entendido seu jeito, mas eu ainda me preocupava com ela, era uma coisa que não conseguia me segurar.
Nós chegamos no prédio da biblioteca, e eu parei ali.
– Porque estamos aqui? – perguntou.
– Preciso continuar sendo a melhor aluna daqui, não acha? – brinquei sem um pingo de divertimento. – Vamos ter uma avaliação de geografia geral na semana que vem, algo como revisão sobre tudo que já aprendemos. Vou aproveitar que voltar pra casa agora não é bom, e estudar um pouco.
Rosalie fez uma careta.
– Toda essa sua vontade de ser muito inteligente me faz pensar até demais para meu gosto quando eu não quero. Vou para meu treino de lideres com aquelas garotas burras e sem noção que é melhor. Até depois, Alice.
– Até, garota. – eu disse, rindo.
Rosalie passou a mão no meu rosto em um gesto de carinho e seguiu em frente para o Ginásio. Eu entrei pelas portas duplas da biblioteca, comprimentando Jéssica, a aluna que trabalhava ali. Mal saia da escola e já ia trabalhar com horas extras. Segui para a parte aonde ficava os mapas e livros sobre geografia, procurando algum que me ajudasse.
Eu era considerada na FHS a aluna mais dedicada e inteligente, com as melhores notas e sem nenhuma reclamação na minha ficha ou qualquer coisa que prejudicasse. Desde que tinha passado para o High School tinha usado como meta deixar mamãe orgulhosa de mim, e foi assim, dando o meu melhor que eu cheguei ao posto da melhor aluna.
Sentei em uma das mesas redondas dali, colocando minha mochila em cima e os livros, que havia escolhido, a minha frente. Abri o primeiro, começando a leitura, mas não conseguindo me concentrar totalmente.
Algo que não pude pensar quando estava com Rosalie, mas que agora sozinha dava, era o porque de Bella ficar tão furiosa sobre o que eu não tinha falado para ela. E também, como ela descobriu. Eu sabia que drogas era um assunto sério, tanto que queria ela afastada deles por isso, mas não precisava agir como ela agiu comigo.
Na minha cabeça Bella parecia uma mulher decidida, e não uma adolescente impulsiva, e claro que com certeza ela saberia o que é certo caso Jacob ou Edward ousasse tentar faze-la participar disso, mas mesmo sua maturidade não fazia o meu instindo de proteção diminuir. Uma pessoa passou para esse lado, eu não queria que outra também fizesse. Só que tentaria me controlar agora, pois como Rosalie disse, Bella não gostava de ser pressionada.
Deixando a confusão sobre a raiva de Bella, eu decidi me concentrar nos livros, e aos poucos fui conseguindo.
(...)
– Alice? – ouvi Jéssica me chamar e levantei a cabeça para encara-la. – Nós já vamos fechar. – deu de ombros.
Olhei para os lados, constatando que não tinha mais ninguém ali além de mim e ela. Não tinha percebido o tempo passar de tão concentrada que estava.
– Oh. – exclamei. – Er... Claro.
Peguei os livros que estava lendo e minha mochila, indo até o balcão. Entreguei para ela junto com meu cartão, para poder leva-los para casa. Jéssica cadastrou e logo eu estava saindo para o lado de fora da biblioteca. O frio, que tinha aumentado, passou pelos panos das minhas roupas, fazendo meus pelinhos se arrepiarem e eu tremer de frio. Me encolhi, apertando a alça da mochila. Já havia anoitecido.
Corri até meu carro, logo ligando o aquecedor. Esperei alguns minutos até sentir ele todo quente para poder tirar a blusa de frio, e o liguei. Eu estava alongando o máximo que podia até chegar em casa, mas sabia que tinha que ir, pois se Esme chegasse primeiro que eu perceberia que tinha acontecido alguma coisa comigo e com Bella. Ela nunca havia chegado primeiro que eu.
Assim que cheguei perto de casa percebi ela toda escura, e estranhei. Ou Bella não estava ou tinha se trancado no quarto e não acendido nenhuma luz. Torcia para que fosse a segunda opção, pois tinha medo de Bella ter se perdido por ai já que não conhecia nada do lugar. Mesmo que Forks fosse minuscula, ainda dava para se perder e demorava um pouco para se encontrar.
Deixei o carro na garagem e entrei pela porta que dava acesso a cozinha, acendendo a luz do comodo. Estava da mesma forma de quando tinhamos saido, com tudo limpo e guardado, sem nada fora do lugar. Deixei a mochila e as chaves do carro em cima do balcão e segui para a sala, também do mesmo jeito. Eu agora tinha que arriscar e ou levar uma resposta grossa apenas para saber se ela estava ali.
Caminhei pelo corredor, parando em frente a do quarto de Bella. Com uma careta eu dei três leves batidas.
– Bella? – chamei baixinho.
E não obtive nenhuma resposta, o que fez meu coração dar um aperto. Tentei mais três vezes, até criar mais coragem e abri a porta, porque talvez ela estivesse dormindo. Mas para minha preocupação e tristeza o quarto dela estava na bagunça de cobertas em cima da cama. Nada de mochila indicando que ela tinha passado por ali.
Fechei a porta e me encostei nela, choramingando comigo mesma.
Porque não fui atrás dela a impedindo de ir embora sozinha? Eu era uma burra que agora iria ouvir muito de Esme por ter perdido minha prima furiosa comigo. Como eu deixei isso acontecer? O que tinha na cabeça? Torcia para que nada tivesse acontecido com Bella, ou então tudo seria ainda mais pior porque a culpada ali era eu.
– Parabéns, Alice. – disse baixinho.
Rápido eu voltei para a cozinha, mas assim que peguei as chaves do carro a porta da sala foi aberta. Sorri, com a esperança de que fosse Bella. Corri até lá, mas meu sorriso morreu assim que vi quem era.
– Oi, filha. – Esme sorriu para mim.
Puxei o ar com força, sentindo o medo da furia de Esme que eu veria por ter deixado Bella sozinha. Sabia que ela queria mostrar para tia Renée que podia cuidar de outra adolescente, e perder a garota não era uma prova disso. Mesmo que a culpa fosse minha, com certeza tia Renée colocaria na mamãe. Yeah, eu tinha armado uma confusão.
– Mãe, preciso te falar uma coisa.
Ela, percebendo a seriedade na minha voz, tirou o sorriso do rosto e me olhou com preocupação.
– O que aconteceu? Cadê a Bella? – soltou, percebendo então a ausencia da minha prima.
– É sobre isso que tenho que te falar.
– Alice, pare de fazer suspense e fale logo! – exigiu, já ficando nervosa. – O que aconteceu com Bella?
Enfiei as mãos nos bolsos traseiros da minha calça e olhei por baixo dos cilios para Esme.
– Bella... Ficou nervosa comigo e saiu furiosa da escola, e... Ela até agora não chegou em casa.
– O que?! – se espantou. – Como assim até agora não chegou em casa? Alice, já são quase oito horas da noite, garota! Vocês saem do colégio as três horas.
– Eu sei. Eu sei. Mas a Bella... Ela não me deu nem tempo de falar com ela, já saiu, e...
– Eu não acredito nisso. – Esme me cortou, passando as mãos nervosas nos cabelos e no rosto. – E agora, aonde eu vou achar a Bella?
Não consegui responder para Esme, porque eu também não sabia aonde poderia encontrar Bella. Nada em Forks era atrativo o suficiente para uma pessoa ficar lá. Se tivesse uma forma de...
– Porque eu não pensei nisso?! – perguntei para mim mesma, depois me voltei para Esme. – Mãe, liga para o celular dela.
Esme fez uma careta.
– Eu não tenho o número. Esqueci de pegar.
– Droga... – murmurei.
Mamãe estava pensativa e nervosa, passando as mãos nos cabelos. Sabia que ela estava pensando em como achar a Bella, e ao mesmo tempo tentando manter a calma. Me senti ainda mais culpada por isso, pois se tivesse gritado para ela voltar, insistido e pedido desculpas, nada disso estaria acontecendo agora. Com certeza estariamos jantando alguma coisa que Esme trouxe e conversando sobre nosso dia. Mas eu era muito burra a ponto de ficar quieta e a deixar ir.
– Mãe, me desculpa. – pedi com a voz chorosa. – A culpa foi minha, que...
– Alice, agora eu não quero saber de quem foi a culpa. Só quero saber aonde Bella está e se está bem.
Assenti, concordando com ela. Era bem provavél sairmos procurando por ela por ai, ligando pra casa pra quem sabe encontrar ela ter voltando e atende. Só nos restava isso mesmo.
– Vamos ter que procurar por ai. – Esme deduziu o mesmo que eu.
– É. – concordei.
Esme jogou a bolsa dela e as sacolas em cima de sofá e saiu pela porta, com eu a seguindo.
Nos separamos para procurar. Eu passei na única lanchonete que tinha, como também no bar aonde ia algumas pessoas da escola, mas ninguém a viu ali. Fui no mercado, pensando que talvez ela tivesse passado por lá também, mas ninguém viu uma garota como eu descrevi. Liguei uma vez em casa, e só chamou. Uma segunda, uma terceira e na quarta vez, chamou várias vezes, até quando eu estava para desistir, ouvi sua voz doce e séria do outro lado.
– Bella? – perguntei com um sorriso bobo.
– Sim, sou eu, Alice. Cadê Esme que ainda não chegou?
Soltei uma risada, me enchendo de felicidade. Mesmo sua voz soando meio brusca e entediada, aquilo não me afetou.
– Nós... Nós estamos indo para casa.
– Hm. – fez.
Encerrei a ligação e avisei logo a Esme, que pareceu tão ou mais aliviada que eu, mas pude perceber uma leve irritação também em seu tom de voz. Dirigi rápido para casa, querendo logo encontrar Bella e ver com meus olhos que ela não tinha nada fora do lugar, nem mesmo um fio de cabelo.
(...)
– Bella? – entrei em casa, já a chamando. – Bella?
– O que? – ela veio do corredor.
– Ah, Bella! – suspirei, soltando ao mesmo tempo uma risada ao ve-la perfeitamente bem.
– O que foi, Alice? Por que essa cara?
Eu queria poder abraça-la de tão feliz que estava por saber que tudo estava certo novamente, com ela em casa e Esme não teria que contar nada a Renée e ouvi-la a chamar de irresponsável. Esse era um erro que eu não cometeria mais.
– Só estou fel...
– Bella! – Esme entrou dentro de casa, e parecia nervosa. – Aonde você estava, garota?
– O que aconteceu com vocês duas? – perguntou nos olhando confusa. – Qual é o problema de vocês?
Bella estava sendo grossa em seu tom de voz, mostrando o quanto ainda estava irritada. Olhei para mamãe, que parecia no mesmo humor que Bella. Isso não ia prestar...
– Qual é o nosso problema? Bella, você sai da escola sem avisar para aonde vai, não liga nem nada, e acha que vamos ficar como? Você não conhece nada dessa cidade, não pode sair por ai nervosa, como uma garota revoltada!
Bella fechou a expressão na mesma hora e me encarou.
– O que você falou para ela? – perguntou rispida.
– Eu...
– Não importa o que Alice disse, o que importa é que aqui você não pode fazer isso! Eu estou cuidado de você, e exigo que você me fale aonde anda!
Vi um brilho estranho no olhar de Bella, que me fez encolher. Ela não parecia muito na sua calma de sempre, até me lembrava de quando Tânia a tinha feito passar por aquilo.
– Esme, me desculpe, mas eu não devo satisfação a ninguém aqui. E eu não preciso de ninguém cuidando de mim, pois sei fazer isso muito bem sozinha. Se for para ficar controlando meus passos, eu prefiro ir embora, pois não gosto de ninguém fazendo isso. Não sei se Renée lhe falou algo, mas quem sempre comandou minha vida fui eu, e estou viva aqui. Não é sair sozinha numa cidade minuscula que vai dar algo errado.
Olhei para Esme, que estava estática no lugar dela com a boca aberta e os olhos arregalados. Até eu tinha me surpreendido com Bella e seu discurso sobre ser controlada. Como uma garota de dezessete anos podia falar assim?
– Interessante, Bella, você falar isso quando... – e então mamãe deixou a frase morrer ali, sem completar.
– ÓTIMO! – Bella jogou as mãos para cima, aumentando o tom de voz. – Você não tem nada haver com a minha vida, Esme!
– Não mesmo!
– Então fique jogando coisas na minha cara. Sai de Phoenix para não ter uma Renée no meu pé, e encontro outra aqui em Forks? É, ela estava errada quando disse que aqui eu daria certo.
Esme soltou o ar em um silvio baixo, passando as mãos no rosto. Ela parecia perturbada com o silêncio que ela fez, e os pensamentos que tinha. Seus olhos estavam dilatados de raiva, assim como seu rosto corado. Olhei para Bella, que parecia tremer levemente as mãos, e com a mandibula trincada.
O que eu estava perdendo no meio daquela discussão?
– Tudo bem, Bella. – Esme falou por fim, com o tom de voz baixo. – Eu não tenho que me intrometer em sua vida, você está certa. Se diz que sabe se cuidar, vou acreditar. Mas o que acontecer com você, a partir de hoje não será mais problema meu. Eu tentei ser legal e me preocupar com minha sobrinha, só que como ela é uma pessoa... Independente, é uma preocupação a menos para mim então. Está bom assim pra você, Bella?
Bella não relaxou a postura, nem aliviou o aperto da mandibula.
– Está. – foi curta e grossa.
Esme assentiu, aceitando aquilo tudo. Bella não disse mais nada, apenas nos deu as costas e segui pelo corredor.
– Bella, só mais uma coisa. – mamãe falou e Bella apeans parou, não fez questão de se virar. – Não arranje problemas, é só o que eu peço.
Depois disso Bella continuou andando e por fim só ouvimos ela bater a porta com força, mostrando ainda o quanto estava irritada.
Me virei para Esme, que estava agora encostada na parede como se tudo aquilo a tivesse cansado. Nunca vira mamãe assim. Não depois de tanto tempo.
– Você está bem? – perguntei baixinho.
– Estou. – ela respondeu rápido e deu um pequeno sorriso. – Preciso de um banho, e vou dormir depois. Se quiser jantar... Bem, está ali. – apontou para as sacolas no sofá.
Esme seguiu pelo corredor, logo subindo as escadas para o andar superior. Eu suspirei, me sentindo ainda meio tonta com toda aquela discussão que presenciei, e confusa com os pontos que perdi. Meu estomago roncou alto, me lembrando que fazia tempo que não comia nada. Fui até a sacola, vendo que hoje era comida chinesa.
Música
- –
Narradora POV
Enquanto Alice continuava tentando achar sentido nas coisas que sua mãe e Bella escondiam dela, Esme estava em seu quarto triste e magoada pelas palavras de sua sobrinha.
O que mais doeu nela foi ser comparada com uma pessoa tão cruel e fria como Renée. Ela só queria fazer com que Bella ficasse bem ali como nunca se sentiu junto da mãe. Conhecia mais que ninguém Renée, sabia muito bem como ela era, e sabia a vida que Bella tinha tido até chegar aonde estava: uma garota nem na metade da vida e já sofrido mais que um adulto.
Com tudo que já aconteceu na sua família, que viu abruptamente uma pequena fenda virar uma roptura enorme e sem concerto, ela não queria que a sobrinha virasse alguém como Renée. Ela sentia que estava tendo a chance de mudar as coisas.
Esme só queria salvar Isabella de uma vida amargurada.
Com esse pensamento, ela sentiu ainda mais a decisão se enraizar dentro de sua cabeça, e enxugando as lágrimas quentes, balançou a cabeça decidida de que faria aquilo.
(...)
A garota de pele alva e cabelos rebeldes olhava para seu celular, ainda sentindo a raiva pelo que sua tia tinha feito.
Ela não precisava de ninguém cuidando dela, sabia fazer isso só, sempre soube. Não precisou de sua mãe, que nem pode ser chamada assim, e muito menos precisaria de Esme que queria fazer esse papel. Se as pessoas dali continuassem tentando entrar mais em sua vida, e mudar o que já estava certo, ela teria que ir, pois não suportaria mais uma mudança. Mesmo que fossem pessoas boas, ela não queria.
Dizendo para si mesma para esperar mais um pouco e dar mais uma chance, jogou o celular para o lado, afastando a vontade de ligar para alguém que tinha também aprendido a conviver sem. Não é porque agora podia fazer ligações livremente que ela faria.
Se jogou na cama, e encarando o teto, se preparou para mais uma noite com pesadelos de uma noite que ela não se lembrava.
(...)
– Deixa essa careta, Edward, e aproveita! – Jacob falou alto e gargalhou em seguida, tomando mais uma dose da bebida que ele nem sequer lembrava o nome.
Edward estava ali sentado ao lado dele, no balcão, olhando para todos os lados, menos para o amigo que bebia e se drogava como se não houvesse amanhã. Já estava acostumado com essa cena, e sabia muito bem que Jacob continuaria ali, sempre chamando a sua atenção para participar da festa particular dele, sempre querendo diminuir a dor.
Ele ainda se lembrava de Alice quando entrou ali no bar, com os olhos esbugalhados e desesperados, olhando para todos os lados, mas sem realmente parecer ver o resto além do que procurava. Assim que a viu daquele jeito, sua mente já vagou para a prima dela, que tinha saído furiosa do estacionamento da escola.
Isabella Swan... Ela estava se saindo melhor do que imaginava. Para ele, aquela garota era uma caixinha de surpresas, e com certeza traria muita diversão para sua vida.
– Qual é, Edward! – Jacob deu um tapa nas suas costas, o tirando dos pensamentos. – Vamos lá, o que custa me acompanhar aqui?
Edward olhou para a garrafa de vodca em cima do balcão, e decidiu por fim que faria companhia a Jacob, pois esse não pararia de encher sua paciência até que fizesse. Pediu ao garçom mais um copo, o encheu e junto de Jacob virou o copo em um único gole. A bebida desceu rasgando por sua garganta, queimando aonde passava.
– Agora sim, estamos aquecidos! – Jacob exclamou e gargalhou.
Logo Edward teria que arrastar ele para casa... Como sempre.
(...)
Alice, sentada em frente ao balcão e com um prato cheio a sua frente, comia distraidamente sem realmente saber o que ou sentir o gosto. Sua mente viajava nos minutos atrás, na pequena discussão de sua mãe com sua prima. Ela ainda não conseguia entender sua prima, como podia ser como era. Ao tempo que parecia uma pessoa legal, ela virara outra que era quase irreconhecivel para ela. Como se aquela que desafiou Tânia, que discutiu com a sua mãe fosse um muro que ela criava sob si quando corria algum risco de sofrer.
O que ela não entendia mais era o que poderia ter acontecido para que ela ficasse assim.
Será que o mesmo quando sua mãe deixou a frase morrer?
Sim, talvez. Ela não sabia, e nem imaginava. Alice estava confusa, e agora mais do que nunca se perguntando porque Bella vir para cá. Pelo que ela capitou da conversa, precisava de um lugar que ela desse certo. Mas Bella tinha vivido dezoito anos da sua vida em Phoenix e só agora ela precisava de um bom lugar?
Essa história estava mal contada, e Alice iria descobrir o que acontecia na vida da prima.
(...)
Todos ali tão distantes um do outro, mas sendo levados pelo segredo que Bella carregava, até para si mesma. Quantas vidas um pequeno fato pode mudar?







