Helena Ignez em "Copacabana Mon Amour" (1970), de Rogério Sganzerla

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Helena Ignez em "Copacabana Mon Amour" (1970), de Rogério Sganzerla
"Eu também acho que o cinema é inferior. Eu não chegaria a dizer que o cinema é uma arte, entende? Qualquer cineclubista diria: Não, Millôr, o cinema é uma arte. Eu, inclusive, gosto no cinema desse lado, panfletário, esse lado quase vulgar, esse lado popular, visionário, o lado que eu vi muito no cinema americano. Eu acho também inferior e por isso eu faço filmes inferiores. Quando eu faço um filme eu tenho mil problemas de subdesenvolvimento da produção e tal, então, eu escolho o subdesenvolvimento não só como condição, mas, também, como escolha do filme. Então, os filmes são subdesenvolvidos por natureza e por vocação. Você falou em cinema inferior, eu faço cinema inferior, acho perfeito. Acho que obra-prima não existe, não."
Rogério Sganzerla
bressane x sganzerla
bressane: é desse ponto de vista que eu hoje olho para o cinema, a partir disso, o que no fundo é uma formulação antiga do abel gance, um desses grandes metteurs-en-scène.
sganzerla: "o cinema é a música das imagens", ele dizia.
bressane: que é a música da luz, não é? o cinema é a música da luz, era isso que ele dizia. essa formulação não só é a mais inteira, mas é belíssima. o filme é constituído de um fotograma transparente, branco. o que escreve a imagem, o que organiza a imagem é a sombra, que é aquilo que organiza o que não é nada.
sganzerla: você não obtém o branco se não tiver também o preto.
bressane: por isso é música. porque tudo o que se organiza é música.
sganzerla: godard disse na década de 1950: "o verdadeiro cinema consiste em pôr os seres e objetos diante da câmera". depois, num filme de 1965, a mulher casada, ele disse: "o cinema é um mistério". mais tarde, foi aquela frase do lumière em o desprezo: "o cinema é uma invenção sem futuro", "senza avenire". ele colocou em italiano porque foi filmar na cinecittà, os estúdios em roma.
Diva e Divo do cinema brasileiro #cinemanacional #cinemamarginal #bocadolixo #sganzerla
Luz nas Trevas
visto no cinema em 13 de maio
o incrível filme de Mario Ignez antropofagia, na melhor tradição oswaldiana, boa parte do cinema marginal brasileiro, da Nouvelle Vague, das histórias em quadrinhos, dos road movies de baixo orçamento americanos.
o filho do Bandido da Luz Vermelha segue o caminho do pai, assim como as filhas do Rogerio Sganzerla (Djin e Sinai), que estão envolvidas no filme.
é um cinema tão antigo e tão inovador, que não é um respiro na mesmice naturalista, é um esbaforido. é provável que faça anos que as telas de cinema não tenham se enroscado em um material tá caótico, divertido e empolgante.
não bastasse isso, ainda tem Ney Matogrosso como o Bandido da Luz Vermelha.
é claro, não faltam as frases feitas, tão autênticas quanto Q-suco. o texto todo não se preocupa em parecer natural e real - mais que isso, ele se exige falso. e é uma delícia de se ouvir. há grandes frases e grandes sorrisos.
esse entrou na lista de filmes que eu gostaria de ter escrito.