Era pequenino como a palma da minha mão e vivia entre as flores. Belo elfo com o poder da terra, guardião da chave do jardim mágico, visitava o meu jardim todos os dias, saudando dálias e petúnias com sorrisos carinhosos e olhinhos de berlinde brilhantes.
Quis guardá-lo num potinho, engraçadinho como era e com medo que os males do mundo o levassem; mas o pequenino disse ter grande missão e que a chave do jardim mágico não podia ficar perdida para sempre dentro de um pote de compota.
Quando perguntei onde ficava esse tal jardim ele riu primaveras, deixando os olhos quais duas meias-luas encantadas.
“Humanos não o podem encontrar.”
“E porque não?”, quis saber.
“Porque têm a tendência a destruir tudo onde tocam.”
E se eu prometesse não colocá-lo num potinho de compota, ele prometia vir todos os dias com uma flor banhada pelo luar, as quais eu deixava numa jarra de porcelana, e elas não murchavam nunca. E a salinha rápido de tornou num jardim de begónias, jasmins, hortências, lírios e crisântemos, paredes revestidas de trepadeiras em flor. E quando me trouxe dois brincos-de-princesa falou bem perto do meu ouvido:
“O teu próprio jardim mágico.”
— marta em “Hávarðr, elfo guardião do jardim”. (2020)