a pior parte e o maior medo que o luto nos dá é a sensação de que a outra pessoa nunca mais irá existir; como se numa fração de segundo a saudade pudesse ser acumulada e sentida na maior intensidade que se pode ocorrer.
a falta é real. ela dói, ela é um pesadelo. mas não, a morte física não nos apaga. o tempo nos mostra que isso é improvável. os dias continuam, mas não são tão completos. para todo sempre, as pessoas amadas que partiram estarão conosco. numa pequena e numa gigante memória. num cheiro, num lugar, numa sensação.
é de se desesperar pensar que nunca mais existirá o abraço, o toque, a presença física. a saudade pode ser perturbadora. mas o tempo, graças a deus que ele existe, e essa dor inconsolável, arrebatadora, abre espaço para a gratidão, se torna um alento diferente, graças a deus pude ter o presente de vivenciar com esse alguém; e para todo sempre, não existirá vida ou morte que apague esse laço em mim; portanto, enquanto vivo, esse alguém também estará aqui. e quando eu me for, me deixarei em algumas pessoas, eu e todos que ficaram comigo… e assim, a morte nunca será o fim.
talvez essa sensação só encontre nosso coração dez anos depois, ou mais, muito mais… mas um dia ela encontra. ela pode continuar sem fazer sentido algum, não faz… e mesmo depois, com o coração maduro e entendedor, a morte, o luto, ainda tem o poder de nos dilacerar.
{escrevo pra me lembrar que a morte não é o fim. todos por quem meu coração amou, em mim serão eternos. a dor ainda está aqui, se multiplica, mas se faz alento, a morte não é o fim.}