Sobre Elas #2 - Moraes, G.
Dedico meu primeiro artigo à Ela, senhorita Moraes, G.
Lá estava ela, com os cabelos embalados pelo vento e um sorriso discreto no rosto. Sempre soube que ela era o amor de minha vida, a famosa alma gêmea, aquela pessoa entre 1 bilhão, ela pensava como eu, falava como eu, sonhava como eu, e era espetacular a forma como ela era exatamente do jeitinho que sempre sonhei, na verdade, ela era muito melhor que qualquer sonho que eu tivesse tido. Ah aqueles beijos... Aquela voz, aquele amor...
Desde a primeira vez que a vi eu soube, na primeira conversa eu soube, no primeiro encontro eu tive certeza, no primeiro beijo eu senti e não duvidei mais. Lembro do jeito que ela me olhava e como segurava minha mão, sabia que ela se sentia segura junto a mim, mas ela não sabia que, na verdade era eu que buscava refúgio e lá estávamos nós, ao lado do Forte do Castelo ou mais conhecido como Forte do Presépio.
Ali me sentia o rapaz mais feliz do mundo ao lado da moça mais espetacular do mundo, lembro que queria que cada momento fosse para sempre e como fui agraciado naquela tarde, porque cada minuto tinha exatamente os seus devidos segundos. Sabe quando o tempo passa rápido demais? Então, não foi assim. Sabe quando o tempo passa devagar demais? Então, não foi assim. Foi o tempo devido, cada segundo tinha um significado único.
Ela era meu norte, e ali eu soube que eu daria meu coração para essa garota.
Sonhadora, valente, inteligente e incrivelmente linda. Eu não precisava de mais nada, não queria nada.
Mas era eu, para mim tinha de ter algo errado, devia estar errado, estava tudo perfeito demais, e eu até então sempre assumia que deveria haver algo errado, então pus a culpa no tempo e disse que não era tempo. Disse que não estava pronto e que não era hora e que não dava e qualquer desculpa idiota e completamente arrogante porque algo tinha de estar errado.
Nada estava errado, ela era um presente do destino.
“ (...) E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. (...)”
- Fernando Pessoa, Poema em linha reta.
E ela tão perfeita, não me cabia, não me pertencia, não sentia-me digno de tão grande sorte.
Hoje, porém, não passa um dia sem que não pense nela.
Quero tanto dizê-la que sinto muito, que me perdoe e que uma vez mais me ame.
“A lembrança do teu jeito me faz querer te amar uma vez mais”
- Tiago Iorc, Você Pra sempre em mim.
O tempo passou, as coisas mudaram, mas a certeza sobre ela ainda me tira o sono.
Este é minha declaração final para este amor perdido em minhas falsas convicções e incertezas.