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É como se eu ganhasse aquelas caixinhas de musica e descobrisse uma coisa que nunca ninguém viu nelas. Foi minha vida assim que te conheci, achei que tinha acabado que não era mais essa coisa que eu queria sentir por alguém. Culpa de mim, culpa de outros, culpa de todos, eu acho... Minha caixinha de musica, Minha caixinha de surpresas, Minha caixinha de Pandora com outros sentimentos dentro... Não tem como agradecer, acordamos, liberamos a ocitocina e começa tudo de novo de um modo diferente com pessoas diferentes.
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Foge comigo, amor – eu te canto Beija-Flor
Quem sabe a gente foge com o pouco dinheiro que tem e fica longe dessa cidadezinha por um tempo. A gente pode trabalhar nuns bares e tomar a cerveja que sobrar no final da noite ou trabalhar em alguma lanchonete e se entupir de hambúrguer todos os dias – como tu preferir, meu bem. Podemos ir de cidade em cidade, tateando esse Brasil a fora com pouco dinheiro e muito amor.
Podíamos juntar um dinheirinho, embaixo dum colchão de alguma dessas pensões pelas quais nós passaríamos, pra poder sair do Brasil e conhecer aquelas praias da Colômbia das quais tu tanto me falou. E de lá a gente pode ir pro México. E depois, para onde, amor? Londres? Ou seguiríamos o meu sonho de conhecer a Grécia?
Não importa para onde, eu iria com você para qualquer lugar. Uma mochila nas costas, uma barraquinha pra dormir e muito amor pra dar. Não é tentador?
O mundo pode ser nosso, se quisermos. O céu é o infinito pra quem ama e o dinheiro pouco vai importar se eu puder ver esse sorriso lindo sempre estampado no seu rosto.
Foge comigo, amor. Não te prometo muito luxo, mas prometo “ser teu pão, tua comida, todo amor que houver nessa vida e algum veneno anti monotonia”. Prometo que as canções do Cazuza vão continuar embalando o nosso romance – assim como todas aquelas outras canções que ouvimos certo dia, antes de dormir.
Foge comigo, amor. Que eu não preciso de mais nada além de ti, uma barraca e um cobertor.
Pelo direito de sentir, doer e ser leve
A dor, finalmente, foi sentida. O choro, finalmente, me engasgou. A dor do término, finalmente, me perfurou como facas. Me sinto leve. A maquiagem, finalmente, borrou. Estou, finalmente, escrevendo clichês sobre você. E eu me sinto leve. A bebida, finalmente, foi usada para lhe esquecer, juntamente com todos os corpos e bocas que usei pelo mesmo motivo. E a leveza tomou conta de mim.
Demorei para entender que sou melhor sozinha e que essa liberdade é a melhor parte de mim. A liberdade é o que eu sou, quero e preciso. Sempre. Doeu perceber que eu não mais precisaria de seus beijos e carinhos para viver. Sim, para viver, porque eu amo todo esse exagero.
Exagerada, jogada aos teus pés sem nenhuma sequer rosa roubada, fui tão intensa quanto as tantas músicas do Cazuza que embalaram o nosso romance. E foi essa mesma intensidade que me deu um tapa na cara, a qual me fez chorar durante tantas noites, que finalmente me libertou. Obrigada, amor, por essa dor.
(Sobre eu e você – Júlia Fleck)
Motoqueiro fantasma
A gente se encontrou na esquina da tua casa e ninguém disse nada. Ambos não sabiam o que falar. Tu tava usando aquela jaqueta de couro e aquele moletom (que eu adoro) por baixo. Tava lindo, pra variar. E eu ali, de pantufinha, indo no mercadinho da tia Inês.
Tu finalmente quebrou o gelo perguntando o que eu tava fazendo ali e eu me limitei em dizer que tava indo buscar leite condensado na tia pra fazer um bolo na casa da vó daquela minha amiga que mora aí perto. Minha voz quase não saiu. Já faz tanto tempo e minha voz quase não saiu. Me senti uma idiota. Tu se limitou em dizer um "então tá", me olhou e eu assenti com a cabeça. E tu seguiu o teu caminho. E eu segui o meu.
Já faz tanto tempo e eu ainda me sinto uma idiota toda vez que penso em ti. Idiota por ainda gostar, ainda querer, ainda sentir, justamente porque já faz tanto tempo. A vida poderia vir com um manual de "Como Esquecer o Cara Com o Qual Você Perdeu a Sua Virgindade". Que bela bosta.
"É uma bênção abrir os olhos e ser você a primeira pessoa que eu vejo no dia. Te ver ali dormindo, com a respiração ora fraca e ora forte, tão sereno, é bom demais. Eu poderia ficar te olhando dormir sempre. Deveria ser proibido ser bonito até dormindo. Isso é um golpe baixo. Assim como deveria ser proibido ser bonito sempre. Se tu te olhasse com os olhos que te vejo, talvez veria tudo isso que digo. Talvez entenderia o porquê de eu te achar areia demais pro meu caminhãozinho. Você fica bonito apenas com aquela camisetinha branca de gola V e uma bermuda, enquanto eu corro pra entupir minha cara de maquiagem. Você é bonito por dentro e por fora e isso é o que mais me deixa apaixonada. Então, depois de muito te olhar, adormeço com o pensamento de (quase) todos os dias: "Que dure, que dure, que dure!".
Mas daí, numa madrugada dessas que tu veio dormir no meu humilde colchãozinho no chão, acordo e te vejo me observar. Olha só esse guri, tá pegando minhas manias! E ouço de ti que eu sou linda e que me ama. E me observa mais. E me faz dormir em paz, bem aconchegada em teu peito. Te digo com toda a certeza do mundo: não há melhor lugar para estar do que em teus braços.
Desde que você chegou não existem mais dias ruins e é contigo que quero estar. Num colchãozinho na sala, dentro do carro jogando conversa fora ou em qualquer outro lugar."
Sobre eu e você, Júlia Fleck.
"Gosto de ficar te olhando, te admirando. Você não pode ver um espelho (ou algo que dê reflexo) que já fica mexendo em seu cabelo. Você olha em meus olhos enquanto fala e alterna esses olhares para minha boca enquanto eu falo. Você se estica todo, cheio de preguiça, e estrala o pescoço (e eu te invejo mentalmente por isso). Você me dá um abraço apertado, até que os ossinhos da minha coluna estralem, mas faz isso com cuidado porque tem medo de me machucar. Você não se contenta em beijar apenas minha boca e adora me dar beijinhos no nariz. E nas bochechas. E no pescoço. E na testa. Você me aperta mais do que o normal quando está com saudade. Você me chama de “meu amor” e fala que sou tua (e mal sabe o quanto isto me agrada). Você põe meu cabelo para trás da orelha e fica me olhando, parece me analisar, exatamente como faço contigo. Você faz um cafuné tão bom que dá vontade de ficar ali deitada ou recostada no teu peito e não sair nunca dali. Me sinto tão segura. Desde que você chegou não existem mais dias ruins."
— Sobre eu e você, Júlia Fleck.
"Eu poderia dizer que gostaria que você tivesse entrado na minha vida antes. Mas não. Acredito que você veio no momento certo. Corrigindo: acredito que você voltou no momento certo. Eu estava me sentindo um lixo e parecia que nunca conseguiria sair daquele abismo em que me encontrava. Mas aí veio você, com esse sorriso sempre no rosto, e me mostrou que havia vida fora daquele abismo. Você é como o sol que aparece após aquela tempestade medonha. E eu quero que esse tempo bom permaneça."
— Sobre eu e você, Júlia Fleck.