Muito mais que um Teorema
O modo surpreendente de como um livro de infanto juvenil pode nos ajudar e ensinar a reparar a nossa volta e a nós mesmo
Certa vez uma amiga da escola reparando nos livros que sempre leio nos intervalos perguntou porque eu gostava tanto de ler livros de infanto juvenis, eu não precisei pensar para responder que sinceramente eu via algo neles que me fascinava, algo que nenhum outros livros me mostravam de forma igual. Se você lê qualquer que seja o livro consegue tirar a essência do que o autor aprendeu na vida e quis passar a diante, o importante não é o que você lê, é o que você absorve da leitura.
O teorema de Katherine não é apenas um teorema, é preciso ver algo além, algo que talvez sem querer John Green esteja querendo nos transmitir. O livro -O teorema Katherine- nos descreve Colin um jovem garoto que teve dezenove namoradas, todas chamadas Katherine, e todas pelo que ele até então se lembra terminaram com ele.
Colin, um garoto que sabe bem a diferença entre ser gênio e ser prodígio, tem o lado emocional muito afetado, principalmente quando se trata da ultima Katherine que o deixou sem mais nem menos. Como a maioria dos prodígios Colin tem apenas Hassan seu melhor e único amigo que resolve "ajudar" a sair da fossa. No livro Hassan a todo momento fala quando o Colin deve parar o assunto que está porque as pessoas já pararam de prestar atenção, ou então se afastaram.
Atualmente pessoas que tem algo interessante quase não são ouvidas em lugar nenhum, são sempre caladas por outros que se acham superiores, ou muitas vezes suas ideias são roubadas pelos que fazem questão de se mostrarem o tempo todo, são ignoradas não por usarem termos desconhecidos e/ ou técnicos, mas também porque os assuntos atualmente interessantes passam a ser visto de certa forma banais, chatos ou até incomodador para a maioria das pessoas.
No fundo Colin desejava ser gênio, queria criar um teorema matemático que mostrasse como iria se iniciar e acabar um relacionamento, queria criar para ser famoso, ser admirado pela Katherine XIX mas também pelo motivo de ser reconhecido.
Todos querem reconhecimento, se você chegar em uma escola de ensino fundamental ou médio e perguntarem o que as pessoas querem, a maioria vão dizer querer reconhecimento, querer de certa forma ficar famosa, sem nem saber o que isso significa ter fama, mas de certa forma é o que Colin bem no fundo também vai desejar.
Se pararmos para pensar, todo mundo que é conhecido também será esquecido, talvez daqui 2500 anos, ninguém se lembre dos Mamonas Assassinas/ Cazuza/ Elvis Presley. A antropologia nos ensina que a cultura vai se inovando, as coisas vão se perdendo, tudo vai se transformando porque o tempo e as pessoas fazem isso, elas precisam de criar novas expectativas, novos amores, novas formulas, novas perguntas, novas soluções e principalmente novos métodos de sobreviver.
Colin no inicio acha que se ficar famoso com seu teorema mudaria o mundo e que dessa forma iria ficar com o nome na eternidade, porém mais tarde ele vai perceber que o t-e-m-p-o é o melhor remédio para tudo, para curar, para viver, para ser feliz e que ninguém garante o futuro.
“O futuro vai apagar tudo – não existe nenhum nível de fama ou genialidade que permita a alguém transcender o esquecimento. O futuro infinito torna esse tipo de importância impossível.”
Seu teorema poderia se perder assim como seu nome ou então sua invenção iria valer mais que ele, mais que o próprio criador, e se pensarmos bem é o que vem acontecendo. Atualmente as pessoas estão dando mais valor para carros, celulares, maquinas do que as pessoas, se esquecem que as pessoas são que tem a capacidade de criar o que lhes trazem conforto, tudo vai se perdendo e se inovando porém as pessoas estão deixando a essência, e o humanismo das outras de lado para dar lugar a objetos que trazem uma suposta alegria que é momentânea.
Porém ao mesmo tempo não faz sentido as pessoas ficarem paradas esperando a vida passar, porque no livro John Green também diz:
“Qual o sentido de estar vivo se você nem ao menos tenta fazer algo extraordinário?”
Se começarem a notar, as pessoas tem desistido facilmente das coisas, jovens não sonham mais com um futuro promissor porque alguém lhe disse que era impossível chegar lá vindo de onde supostamente se vem, antes o futuro era desejado, agora ele é adiado, tudo está ficando para o amanhã e esse amanhã está se tornando o nunca.
Estamos desse modo caminhando para algum lugar? Estamos progredindo de fato ou estamos vendo o tempo passar?
Tudo que se cria, tudo que se transforma vale a pena, talvez não para os outros mais para si mesmo, talvez o que achamos insignificante ou idiota é o que precisa para fazer do primeiro passo ser a escada que vai nos levar até o topo.
“Eu serei esquecido, mas as histórias ficarão. Então, nós todos somos importantes – talvez menos do que muito, mas sempre mais do que nada.”
Quando cheguei em casa pensei naquela pergunta da minha amiga, e naquele momento eu pensei em todos os livros que eu já li, e vi que com certeza eu aprendia mais sobre mim e sobre os outros neles do que em qualquer outro. Naquele momento eu peguei outro e comecei minha leitura.