Um pai azarado que, devido a um erro fatal, leva sua família e uma cidsde inteira à ruína. Um filho que busca a vingança, encontra a miséria e, através de um embuste para sobreviver, involuntariamente devolve a vida à cidade fantasma. Uma história que bebe da fonte do realismo fantástico para criar uma trama brasileiríssima, que fala de destino, de tempo, de como tudo se ajeita. Daria uma minissérie divertidíssima. Há um otimismo na Socorro que consola. Acho que é uma característica dela. O que me leva a uma história pessoal que tive com a autora, muito antes de saber que ela escrevia livros: há uns 11 ou 12 anos, eu tinha acabado de ter minha filha e estava sofrendo de ansiedade aguda e síndrome do pânico. Meu cérebro interpretava isso como ameaça e eu tinha a sensação de que a qualquer momento iria morrer. Na época, eu participava de listas de discussão sobre parto natural, aleitamento e maternidade empoderada e desabafei sobre isso. Uma mãe de Fortaleza me respondeu com uma mensagem alentadora, praticamente uma crônica sobre o Paranjana, um ônibus de lá que vivia lotado. Infelizmente eu não salvei o e-mail em arquivo e não me lembro mais dos detalhes, mas lembro do sentido: o que ela queria dizer, e o que ficou para mim, é que tudo iria ficar bem. Que independente de qualquer coisa, o cotidiano iria continuar o mesmo e, assim como aquelas pessoas, eu iria sobreviver. E seguir em frente. Que por mais que a depressão fosse paralisante, se manter em movimento, cuidando da rotina diária, iria me afastar dos pensamentos ruins. Eu guardei comigo essa imagem do Paranjana lotado. Até hoje penso nisso quando preciso colocar algumas coisas em perspectiva. Daí que fiquei muito impressionada quando há algum tempo soube que Socorro Acioli era uma escritora premiada, badalada e elogiada. Faz sentido. Fui perguntar a ela se era a mesma pessoa que participava daquelas listas. Nós não tínhamos ficado amigas depois daquilo, mas nunca me esqueci. Demorei um pouco a ler o livro, não sei por que. Mas tá lá: a leveza, o otimismo, o humor, o lado positivo das coisas. Leiam. Minha escolha de autora nordestina para o #desafiolendomaismulheres2017 #leiamulheres #socorroacioli













