❥ 𝐒𝐨𝐟𝐢𝐚 & 𝐌𝐢𝐥𝐨. /
「 𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑖𝑛𝑒'𝑠 𝑑𝑎𝑦 」
Tem gente que amanhece com você.
Tem gente que é o seu amanhecer.
Tem gente que acontece e nada a ver.
Tem gente, e tem eu e você.
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❥ 𝐒𝐨𝐟𝐢𝐚 & 𝐌𝐢𝐥𝐨. /
「 𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑖𝑛𝑒'𝑠 𝑑𝑎𝑦 」
Tem gente que amanhece com você.
Tem gente que é o seu amanhecer.
Tem gente que acontece e nada a ver.
Tem gente, e tem eu e você.
Anxiety starts kicking in to teach that shit a lesson
— Sofia Sainz
Novembro de 2024, Qatar.
Assim que Milo saiu para trabalhar, Sofia permaneceu na cama, imóvel, sentindo o peso dos próprios pensamentos. Tigre sempre parecia adivinhar quando algo estava errado, se enroscava mais em seu colo. O ronronar dele ecoava pelo quarto silencioso, mas, ao invés de acalmar, parecia intensificar o barulho em sua cabeça.
Ela deveria estar bem. Tinha entendido as razões de Milo na noite anterior – ele não queria aquele emprego agora porque sabia que exigiria mais viagens, mais horas de trabalho, mais distância entre eles. E por mais que fosse algo grandioso na carreira dele, Milo havia escolhido priorizar o que os dois tinham. Isso deveria bastar, mas não bastava.
Porque ela sabia que eles dariam um jeito. Já faziam isso. Viagens, mudanças, algumas semanas longe um do outro – aquilo já fazia parte da dinâmica deles. Era cansativo. Óbvio, mas eles sempre encontravam um ponto de equilíbrio. Com o próximo ano, isso seria ainda mais fácil.
Londres parecia um novo começo. Ela tinha o filme pra promover, o projeto com a Disney começava a engatinhar e algumas músicas pra tirar do papel, isso sem contar os convites para colaborar com outros artistas.
Por isso, a decisão de Milo conseguia deixar ela ainda mais ansiosa. Ela não estava abrindo mão de nada. E aquele…. Era um sonho dele. Sainz não conseguia entender completamente como alguém poderia abrir mão de algo assim sem ressentimentos futuros. Ela sabia o quanto ele amava o que fazia – amava o desafio, a adrenalina, o ambiente das pistas. Negar isso parecia grande demais, até para ele.
Sofia passou a mão pelo pelo macio de Tigre, tentando afastar a espiral de pensamentos que insistia em crescer. Claro que era cansativo. Mas inevitavelmente sua mente começava a vagar. “E se?” era a pergunta que ecoava com mais força. E se, com o tempo, ele se arrependesse? E se ele começasse a se sentir limitado, como se a escolha tivesse sido uma obrigação e não uma decisão?
Ela respirou fundo, sentindo um nó formar na garganta. O pior medo, no entanto, era o que vinha por último. E se Milo começasse a perceber que ela não era tão perfeita assim? Com o tempo juntos, com a calma que o próximo ano parecia prometer, ele teria mais espaço para perceber suas falhas, suas inseguranças.
Ela fechou os olhos, mas as imagens continuaram vindo – cenas hipotéticas, impossíveis de evitar. Ele cansado de tanta proximidade, ele enjoando dela. Ele decidindo, que já tinha dado o suficiente.
Tigre se mexeu em seu colo, como se notasse a tensão crescendo nela. Mate, também estava ali e fez um movimento de se aproximar. Sainz esticou a mão para acariciar o cão, mas o gesto foi automático, vazio. Ela ficou ali por mais tempo do que deveria, paralisada entre pensamentos e realidade ate finalmente ter energia para se mover.
Pegou o celular e tentou distrair a mente. Abriu conversas com Olive e Catarina, e por um tempo funcionou. Sofia interagiu, respondeu, mas logo a ansiedade voltou com força. Ela sabia que não conseguiria deixar aquilo para lá sem alguma ajuda.
Stormy tinha deixado algo com ela na noite anterior. Algo que ela havia pedido. Sofia riu na hora, mas agora, mexendo no estojo, não achava mais tão engraçado. Depois de uma pausa longa, decidiu que precisava daquilo para lidar com o que estava sentindo.
Acendeu o baseado com mãos um pouco trêmulas e tragou devagar, sentindo o calor familiar se espalhar por seu corpo. Tigre, que ainda estava em seu colo a olhou com uma expressão que, se ele fosse humano, seria o retrato perfeito do julgamento. Sofia soltou uma risada baixa, o som soando fora de lugar no quarto silencioso.
— Não olha assim pra mim — ela murmurou, tocando na cabeça do gato, que continuou a encarar como se realmente estivesse condenando sua escolha.
A mente, tão caótica há poucos minutos, começou a desacelerar, como se alguém tivesse apertado o botão de pausa. Encostada na janela, com Tigre agora enrolado em um canto da cama e Mate deitado aos pés dela, Sofia olhou para o céu, tentando convencer a si mesma de que tudo ficaria bem.
Ela sabia que Milo a amava, sabia que ele sempre escolheria ela, assim como ela escolheria ele. Mas, mesmo assim, não conseguia evitar o medo do que o futuro traria. Do que eles poderiam perder – ou descobrir – com o tempo. Tragando mais uma vez, ela chegou à conclusão de que deveriam superar aquilo juntos.
73 Perguntas com Sofia Sainz
As câmeras começam a gravar enquanto Sofia Sainz, estava um pouco mais do seu natural, cabelos curtos e um jeans e uma camiseta ajustada ao seu corpo, ela se ajeitava no sofá da sua sala iluminada. Mate estava deitado nos seus pés, e Tigre provavelmente deitado na cama da mulher. Ouvia as instruções sobre a entrevista e como poderiam fazer aquilo acontecer.
[...]
Relacionamento de Sofia & Milo pelos fãs dela no Twitter.
@bellaplots
Tem gente, e tem eu e você.
— Sofia Sainz
Setembro de 2024, Los Angeles.
Sofia estava a caminho do aeroporto, o carro se movendo suavemente pelas ruas enquanto o sol da tarde começava a se pôr. Tigre, estava aninhado ao seu lado e Mate descansava tranquilamente ao seu lado no banco traseiro. Ela passava os dedos pelos pelos macios de Tigre, mas sua mente estava a mil. O telefone vibrava com mensagens de Milo, e fomentava ainda mais a ansiedade por querer o ver mesmo que um riso e as piadas sobre pintar o cabelo estivesse mais presente.
Olhava pela janela, observando o mundo passar enquanto tentava processar tudo. Mesmo que já estivesse com Milo a alguns meses a ideia de que um amor tão intenso e significativo como o deles talvez nunca houvesse uma forma de o expressar corretamente, mas uma frase continuava a martelar na sua mente desde o dia anterior. Tem gente, e tem eu e você.
Ela pegou o telefone novamente, perguntando se podia pintar o cabelo dele e querendo ver as fotos dele mais novo, mordendo o lábio inferior ainda rindo baixinho, mas em seu coração, essas palavras continuavam a crescer, exigindo ser escritas.
Apesar de todas as diferenças e desafios, o que ela e Milo tinham era único. Mesmo no caos do calendário e na vida cheia de compromissos dos dois lados, havia algo de profundamente reconfortante em saber que ele estava lá, com ela, sempre.
Enquanto o carro se aproximava do aeroporto, Sofia se inclinou para a frente, buscando seu caderno na bolsa. Ela sabia que precisava colocar essas palavras no papel antes que a sensação escapasse. Ali, no meio de tudo, no breve momento de paz entre as viagens e os reencontros, ela começou a esboçar a música, sentindo que estava capturando algo essencial, algo que apenas ela e Milo entendiam.
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