Sonho verde
Meu sonho verde é hoje de azul infinito, sem o menor fiapo branco a quebrar o anil celeste, quando, nesses meses de inverno, de oiro pintam os prados e os campos de Goiás.
Meu sonho é verde de amorosa constância nas regadas ao pé do capim veludo, dos quiabos da seca e das malaguetas rutilantes. E regas também não faltam nos almeirões, nas hortelãs miúdas e graúdas, nem nas plantas que não abrem nossas bocas, mas que nos arregalam os olhos de deleite visual.
Meu sonho verde é de vida grata a minha santinha vinda de Portugal, Nossa Senhora de Fátima, e à guerreira santa vinda da França, que, por ordem de Jesus, venceu batalhas pelo Rei dos reis para o bem do povo, e a Cícero Romão Batista, ladeado por um tocador de pífano do Mestre Vitalino, abençoando os moradores e os visitantes da casa 33, na rua desta cidadezinha de Leopoldo de Bulhões.
Meu sonho é verde de céu escurecido, de lua, cheia, nova, crescente ou minguante, e de estrelas cintilantes, quando lá fora cala a vida obreira para vir cantar memórias, lembranças e visões, por trás de minhas pálpebras cerradas para o negrume da noite.
Meu sonho verde é de paz e de carinho, de sossego e descanso merecido, no leito onde dormia de conchinha junto de minha amada companheira, verde de vida madura que ainda não perdeu seu viço.











