O encontro dos silêncios
No princípio, o céu era vasto demais para qualquer encontro. Ainda assim, o Sol e a Lua aprenderam a se amar onde ninguém via: nos intervalos dos seus silêncios.
Ele chegava ardente, inteiro, impossível de tocar sem ferir. Ela vinha depois, fria na superfície, mas carregando uma luz que não era sua — era dele, guardada como segredo. Nunca podiam permanecer juntos. Quando um surgia, o outro já partia. Era a regra antiga do céu.
Mas havia um instante — breve, quase inexistente — em que o mundo hesitava. Um suspiro entre a despedida e o retorno. Nesse intervalo, eles se encontravam.
Não havia palavras. O Sol diminuía seu fogo, como quem aprende a tocar sem destruir. A Lua deixava cair sua máscara de distância, revelando o brilho que só existia por causa dele.
E então, por um fragmento de eternidade, eles eram um só horizonte — luz e sombra misturadas, começo e fim indistintos.
Mas o céu nunca permite excessos.
Ele partia primeiro, como sempre, deixando vestígios de calor no que já não podia alcançar. Ela permanecia um pouco mais, sustentando o silêncio que ainda vibrava com a presença dele. Era assim que sobreviviam: não no encontro, mas na lembrança do quase.
Dizem que, às vezes, o mundo inteiro escurece de repente. Chamam isso de eclipse.
Mas poucos entendem: não é ausência de luz — é quando o Sol e a Lua finalmente se permitem ficar.













