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e continuo me afogando em mim

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eu nado, nado, nado
e continuo me afogando em mim
O encontro dos silêncios
No princípio, o céu era vasto demais para qualquer encontro. Ainda assim, o Sol e a Lua aprenderam a se amar onde ninguém via: nos intervalos dos seus silêncios.
Ele chegava ardente, inteiro, impossível de tocar sem ferir. Ela vinha depois, fria na superfície, mas carregando uma luz que não era sua — era dele, guardada como segredo. Nunca podiam permanecer juntos. Quando um surgia, o outro já partia. Era a regra antiga do céu.
Mas havia um instante — breve, quase inexistente — em que o mundo hesitava. Um suspiro entre a despedida e o retorno. Nesse intervalo, eles se encontravam.
Não havia palavras. O Sol diminuía seu fogo, como quem aprende a tocar sem destruir. A Lua deixava cair sua máscara de distância, revelando o brilho que só existia por causa dele.
E então, por um fragmento de eternidade, eles eram um só horizonte — luz e sombra misturadas, começo e fim indistintos.
Mas o céu nunca permite excessos.
Ele partia primeiro, como sempre, deixando vestígios de calor no que já não podia alcançar. Ela permanecia um pouco mais, sustentando o silêncio que ainda vibrava com a presença dele. Era assim que sobreviviam: não no encontro, mas na lembrança do quase.
Dizem que, às vezes, o mundo inteiro escurece de repente. Chamam isso de eclipse.
Mas poucos entendem: não é ausência de luz — é quando o Sol e a Lua finalmente se permitem ficar.
Amare est ad ruinam ambulare
cum corde ardente.
Nostalgia secat — non ob absentiam, sed propter id quod adhuc in me manet.
Vale… domui quae fuit, et discedere recusat.
Por fora
uma ausência que não cicatriza, que respira sob a pele como febre contida.
você saiu inteira, sem olhar pra trás, como quem leva a casa e deixa só o eco.
e eu fiquei — mal costurado, transbordando em silêncios que ninguém vê.
há dias em que ainda escuto teus passos naquilo que já não existe, como se o tempo fosse um erro insistindo em repetir você.
e o pior não é a falta — é essa presença torta, esse resto de você em mim que se recusa a morrer.
Me and my soul mate in the past life
Satis
Chamam de acidente quando duas almas se encontram sem pedir licença ao destino.
Mas não é acidente.
É uma falha na solidão.
Algo em mim abriu e você entrou como quem atravessa uma porta que nunca deveria ter existido.
Depois disso o mundo ficou pequeno demais para dois fantasmas que aprenderam a se reconhecer.
E então vem a pergunta cruel:
como retroceder depois de pertencer?
Como desaprender o cheiro da alma do outro?
Não se retrocede.
Apenas se vive com a amputação invisível de quem já foi casa para alguém.
Café
Entre o silêncio do teu nome e o rumor lento da minha respiração, acende-se um fogo antigo.
Não te toco — mas em mim todas as portas se abrem para ti.
Há um vinho secreto no encontro das nossas ausências, e bebemos dele sem mãos.
Se me pensas, já me tens. Se te penso, ardes comigo.
Porque o amor, às vezes, não é possuir — é incendiar o invisível entre dois.
Ditos e escritos
Ver o mundo não é apenas contemplar paisagens. É permitir que a realidade desmonte as narrativas confortáveis que criamos para sobreviver.
As coisas perigosas por vir não são somente guerras, perdas ou fracassos. São também as decisões que exigem maturidade. Os “sins” que nos transformam. Os “nãos” que nos libertam. O perigo maior não é o que pode nos ferir — é o que pode nos mudar.
Ver por trás dos muros é um gesto de consciência. Muros não são feitos apenas de concreto; são feitos de orgulho, traumas, ideologias, vaidades e medos não resolvidos. Quando atravessamos esses muros, deixamos de ser reféns da superfície. Descobrimos que o outro não é um inimigo, mas um espelho. E o espelho sempre revela algo que preferiríamos não encarar.
Aproximar-se é um ato de vulnerabilidade deliberada. Toda aproximação carrega a possibilidade da rejeição. Mas também carrega a única possibilidade de comunhão. Quem não se aproxima nunca é ferido — mas também nunca é tocado.
Encontrar o outro é confrontar o próprio ego. Porque no encontro verdadeiro, nossas certezas são testadas. Somos obrigados a ouvir, a ceder, a rever, a amadurecer. O encontro é uma espécie de lapidação invisível. Dói, mas refina.
E sentir… Sentir é a evidência de que estamos vivos. A dor confirma que algo importa. A alegria confirma que valeu a pena. A angústia revela profundidade. A esperança revela transcendência.
O propósito da vida talvez não seja controlar o mundo, mas atravessá-lo com lucidez. Não é construir fortalezas impenetráveis, mas desenvolver uma estrutura interior capaz de permanecer inteira mesmo quando exposta.
Viver, então, é um risco consciente. É escolher a experiência em vez da anestesia. É aceitar que a existência não é um território seguro — mas é um território significativo.
E no fim, talvez o verdadeiro propósito não seja apenas ver o mundo…
Mas tornar-se alguém capaz de suportar a própria visão.
" Eu sei, é um doce te amar O amargo é querer-te pra mim Do que eu preciso é lembrar, me ver Antes de te ter e de ser teu O que eu queria, o que eu fazia, o que mais? Que alguma coisa a gente tem que amar, mas o quê? Não sei mais" LH
"Você assim e eu, por final, sem meu lugar" LH
" Eu só aceito a condição de ter você só pra mim Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir" LH
Sentimentos impetuosos rasgam o silêncio; mesmo encarcerados, são livres — porque existir já é sua maior vitória.
" Amar é perceber a essência não a forma " Victor Hugo