Eu que fiz, mas ele mandou.
Há alguns anos atrás, não falarei quantos ao certo senão vocês advinham a minha idade =), quando ainda estava dando os meus primeiros passos no design, não que hoje eu não esteja engatinhando ainda,bom, enfim, voltando para história…
Há alguns anos atrás, quando eu ainda estudava Design Gráfico na Spectaculu, Ong do Gringo Cardia, houve a oportunidade de fazermos um trabalho para o Festival Theaterformen Braunschweig, (para saber mais sobre o festival: theaterformen.de), o tema do Festival girou em torno da peça “Os Persas” de Ésquilo e além disso fomos brindados com a oportunidade de termos um workshop de uma semana inteira com um professor alemão de história grega, que nos ajudaria a traçar um parâmetro entre a democracia na Grécia
Clássica com a situação mundial atual.
Lógico que eu me deleitei e absorvi tudo que podia e que a minha imaturidade da época permitiu.
Essa foto aí de baixo é a galerinha que na época também teve o privilégio de participar de momento.
Na época o Gringo havia pedido para não serem feitos trabalhos com tipografia, por causa da barreira da língua, afinal de contas era um festival na Alemanha!!! Eu simplesmente ignorei esse fato, provavelmente estava devagando sobre o trabalho que faria encima da poesia do Thiago de Mello, “Estatuto do Homem”, que melhor analogia sobre toda a liberdade que permeia o ideal de democracia grego eu poderia fazer?
Enfim, no dia da primeira apresentação dos trabalhos, para darmos ideia sobre o andamento dos processos criativos, o Gringo assinalou essa observação novamente, foi com muita vergonha e com um medo surreal que eu apresentei o meu trabalho, para disfarçar, primeiro eu fiz a apresentação do desenho bordado, depois eu posto a foto, mas eu tinha que apresentar, eu tinha que explicar que independente da barreira da língua, o trabalho era viável.
Antes de mais nada expliquei a história do poeta amazonense, sobre o exílio e sobre todo o conceito de liberdade que só uma pessoa afastada contra a vontade de sua terra natal por ter propriedade para falar, foi quando mostrei a lona bordada com o trecho final do “Estatuto”. Juro que já estava preparada para um puxão de orelha, mas quando o argumento é forte, você consegue quebrar as regras.
É com muito orgulho que digo que o Gringo não só elogiou como usou o meu trabalho como exemplo de tipografia bem utilizada, afinal de contas não tinha só bordado a poesia, tinha usado caracteres gregos para bordá-las.
Depois eu posto as fotos do catálogo e dos outros trabalhos feitos para esse festival, só aguardar.