Os olhos curiosos observavam o instrumento com certa curiosidade infantil, depois de duas décadas havia segurado em um novamente, era nostálgico e dolorido observá-lo com as memórias de seu pai lhe ensinando a tocá-lo lhe invadindo os pensamentos. James tocava violão na igreja, fora assim que June entrou para o coral quando pequena, ele a ensinava aos poucos com as músicas preferidas, o que era, na maioria das vezes, rock dos anos oitenta ou noventa, músicas estas que June gostava de ouvir com o pai, e, mesmo sendo horrível no violão, ela cantava como ninguém.
Assim, Evans pegou-o colocando nas costas, caminhou para fora dos prédios com o objetivo de encontrar algum lugar que não a lembra-se que morava no que parecia ser uma prisão, logo, tal lugar propício era a Área 5, pelo menos lá a mulher poderia pensar em paz sem barulhos externos. Chegando, June sentou-se cruzando as pernas uma sobre a outra posicionando o instrumento na frente do corpo. Estava meio receosa sobre tocar a primeira nota visto que não lembrava-se muito o que havia aprendido, de qualquer forma, tentar seria a melhor forma de saber se ainda recordaria. A primeira nota ecoou pelo lugar, solitária e completamente sem nexo, June não sabia mesmo como era tocar violão, mas continuou tentando sem muito sucesso. Achou que seria melhor tentar focar em uma música para fazer uma nova tentativa, quem sabe se cantasse junto poderia ser mais fácil, e assim foi feito. “There’s a lady who sure...” sussurrou lembrando-se aos poucos da música ao acertar os acordes do violão. “All that glitters is gold, and she buying a stairway to heaven.” cantou um pouco mais alto, mesmo errando o acompanhamento com o violão. “Vamos lá, June, você consegue, já tocou isso várias vezes.” murmurou um pouco irritada com a sua total falta de habilidade com o violão. June largou o violão do lado desistindo do mesmo, até ouvir um som vindo atrás de si. Virou-se rapidamente dando de cara com um dos seus companheiros de comunidade podendo assim respirar aliviada por não ser nada pior. “Droga, você me assustou!”