Ahhh, se você soubesse o que sinto quando ouço e vejo o clipe dessa música. O seu coração não aguentaria, você não se contentaria e ia se conformar que ela foi escrita pra você.
- Clean Dream
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Ahhh, se você soubesse o que sinto quando ouço e vejo o clipe dessa música. O seu coração não aguentaria, você não se contentaria e ia se conformar que ela foi escrita pra você.
- Clean Dream
(...)Enquanto eu passava minhas horas ali com o Rafael, eu sentia que ele me tratava como se estivesse com saudades de mim, como se eu tivesse viajado por anos e tivesse voltado agora. Ele me curtia como nunca curtiu, nada incomodava ou virava desculpa pra nos afastar um pouco, era ali, sem cansar, parecia ser tudo que ele queria. Eu tentava seguir o mesmo ritmo só que mais lento, bem mais lento. Eu insistia em criar motivos que algo me provasse que eu não deveria estar com ele. Era um absurdo, eu tremia de lembrar do seu passado e de todas as coisas que atormentavam minha cabeça. Eu insistia em dizer que eu era especial, porém nunca, jamais, de forma alguma, em momento algum, de jeito nenhum, eu dizia ser única. E ele era. Isso me doía. E se eu lembrar, ainda dói. - Ste… – estávamos abraçados em silêncio quando ele chamou o meu nome. - Oi Rafa… - Eu… – silêncio. – Ste, eu acho que… Eu acho não, eu… – silêncio. Respirei fundo e permaneci quieta até ele terminar de falar. - Eu te amo, Stephanie. Eu te amo! – ele disse com a voz tremula, baixa e emotiva. Não tive reação. Parecia até uma promessa de amor. Como alguém que tinha acabado de chegar à minha vida tão de repente, já segurava minha mão com firmeza e garantia a calmaria que só um mar, de uma praia abandonada, poderia oferecer? Eu não sei como, aquilo pareceu tão natural, parecia que eu já tinha ouvido antes, parecia que eu já tinha respondido, mas eu não tinha nem coragem de acreditar. Eu me sentia com 15 anos na cara e 80 nos pés. Porque ele me rejuvenescia e ao mesmo tempo eu sentia que a gente se conhecia e se reconheceria por toda a eternidade. Era tão lindo e ridículo o jeito que meu cabelo, as nossas roupas, a cama, na verdade tudo, ficava bagunçado e não ligávamos pra nada disso. E eu acreditava. Acreditava, mas não confiava. Eu o abracei forte, sem responder, sem nada. Só pensava e tremia. E continuei com pensamentos assim, até o amanhacer…
Bons dias. (sterlisboa) Partes de um livro que você ainda não leu.
O ínicio
Capitulo 2
(...) Descobri que o pipoqueiro era o Rafael, e como era minha casa, minha panela, meu fogão eu fui ajuda-lo. Como também eu sou muito esperta o coloquei pra lavar a panela que tinha sujado. Eu só sei que quando eu fui ver, nós estávamos sujos de manteiga e sabão, rindo e abraçados. Ele começou sujando a ponta do meu nariz de sabão e eu revidei. Depois a esponja cheia de detergente já entrou no meio pra lambuzar a cara inteira. Coloquei a Suellen na brincadeira, mas ela logo deu o fora. Depois veio a manteiga. E a gordura dela se espalhou pelo cabelo, orelha, braço, rosto e achei até no pé. Parecia cena de filme, isso me deixou muito sem graça. Aquele carinho de amiga parecia que tinha aumentado simplesmente do nada, depois de um abraço sem jeito. Eu combinei com o Rafael de separar bastante pipoca pra nós dois, porque segundo minhas ideias nós merecíamos por ter feito e lavado a louça. Ele riu e concordou. Mesmo assim a gula sempre era maior de roubar a pipoca que tava no pote pros outros. Mas ok. Sentamos no meu quintal, comendo pipoca e decidimos brincar de detetive até a hora de ir embora. Brincadeira de criança, como é bom, como é bom.
Chega ser difícil até de descrever como terminou esse dia, mas fazer pipoca foi a melhor ideia que alguém já teve.
No dia seguinte, acabamos indo para uma nova praça com as mesmas pessoas e com a mesma bebida. Eu estava prestes a pedir desculpas pelo dia anterior até descobrir que ele estava o tão confuso quanto eu. Lembro que era véspera de páscoa ficávamos juntos pela praça e fomos até a padaria abraçados. Quem via achava que realmente éramos namorados. Lembro que quando deu meia-noite ele me deu o primeiro beijo no meu rosto, me desejando “feliz páscoa”. Lembro que após isso, no outro fim de semana nós estávamos em um churrasco do meu pai e por pouco não ficamos neste dia, até porque não nos desgrudávamos um minuto. E se, por algum motivo ele sentasse longe de mim, eu ficava fazendo carinho no pé dele com o meu pé sem ninguém perceber. E seguindo esse ritmo, tudo começou a se tornar desculpas para nos vermos. Eu descia até o trabalho dele, falava pra minha mãe que tinha que fazer alguma coisa de importante – não que não era importante vê-lo – ia ler suas redações da faculdade ou ele subia até minha casa dizendo que não estava atrasado pra ir pra faculdade, e eu fingia que eu estava escutando alguma coisa do que me contava, quando na verdade, estava reparando nos gestos que ele fazia. Trocávamos mensagens o dia todo, só que sempre acabava o meu crédito antes do dele, e ele insistia pra deixá-lo colocar doze reais no meu celular só pra ficarmos conversando. Como eu não deixava, ficávamos no Facebook, mas não parecia ser a mesma coisa, ainda mais pra mim.
16 de abril de 2012, 16h14min.
Rafael Ramires Nai: volti '-' Stephanie Riccetto Lisboa: aee Rafael Ramires Nai: ficou com saudades né? Stephanie Riccetto Lisboa: fiquei, voce não voltava Rafael Ramires Nai: owwn '-' ai meu e queria que hoje fosse sexta rsrs Stephanie Riccetto Lisboa: a semana ta passando rápido, relaxa Rafael Ramires Nai: ah é que agora é a hora que eu mais preciso e quero você Stephanie Riccetto Lisboa: sabado ta ai e vai fica tudo bem, ok? Rafael Ramires Nai: Eu vou ter calma se eu ganhar bastante carinhos RS Stephanie Riccetto Lisboa: voce vai ganhar, pode deixar... Rafael Ramires Nai: mas pqe vc quer ou pqe eu sou um chato pidão? Há Stephanie Riccetto Lisboa: os doooooooois kkk mais pq eu quero Rafael Ramires Nai: ah sua viadinha, e eu te enxo pqe eu adoro há Stephanie Riccetto Lisboa: 'IUASHDSDH primeiro me chama de viadinha depois fala que adora, af hein Rafael Ramires Nai: é kkkkkk poxa, eu queria ter mais tempo com vc hoje rsrs apesar de tudo, eu acho que estou feliz Stephanie Riccetto Lisboa: se eu não tivesse que vir cuidar da vovó teria ficado mais tempo Rafael Ramires Nai: você vai ter que me aguentar muito dia 21 Stephanie Riccetto Lisboa: acho que vai ser ao contrário, voce que vai ter que me aguenta Rafael Ramires Nai: mas eu sou muito chato Stephanie Riccetto Lisboa: qm vê pensa q eu tbm sou muito legal kkk Rafael Ramires Nai: Eu acho, e sabe, eu amo carinhos até mesmo no pé rsrs Stephanie Riccetto Lisboa: primeira vez que faço carinho no pé UIASDHIAUSHDUIAS Rafael Ramires Nai: er estava muito gostoso há Stephanie Riccetto Lisboa: tava msm haha Rafael Ramires Nai: Jaja eu saiu daqui do trampo, ai vc fala no cel cmg né? Stephanie Riccetto Lisboa: se o sinal resolver pegar, mas qualquer coisa eu vou lá fora, sei lá Rafael Ramires Nai: ai meu, eu estava lembrando quando vc enconstou sua cabeça no meu peito na frente da mãe da Debora, tava tão bom RS Stephanie Riccetto Lisboa: tava lembrando agora? ah ué, quis deitar um pouco u.u Rafael Ramires Nai: sempre que vc quiser eu vou adorar viu rsrs Stephanie Riccetto Lisboa: bom saber haha, porque eu também gostei. Tá vendo? Não é de agora que eu digo que seu peito é o melhor travesseiro.
Depois de tudo isso e de alguns dias eu tive que tomar uma decisão terrível entre a festa de aniversário dele e o da minha irmã. Escolhi os dois, porém o dele. Ai, o famoso dia 21. Aconteceu tanta coisa nesse dia, mas a melhor parte foi quando ficávamos fazendo carinho um no outro no sofá, também sem ninguém ver. MINTO, a melhor parte foi ele me levar em casa sem nos soltarmos por um minuto. Eu só não digo que a melhor parte de todas foi à hora que ele me deixou no portão de casa e disse que queria me beijar, porque acabou não acontecendo nada pelo fato de estarmos em frente ao meu portão. Porém, eu não me contive em dar um selinho nele. Aliás, se meu pai aparecesse na janela todas as chances acabariam em um minuto. Mas que seja foi bom.
— CleanDream (sterlisboa)
Dia vinte e dois de abril de dois mil e doze
Capitulo 3 Acordei com um frio na barriga. A Patrícia, tia da Suellen tinha nos convidado para ir a uma apresentação de teatro que ela faria na Zona Leste. Chamamos alguns amigos, inclusive o Rafael que estava me deixando ansiosa. Como no dia anterior tudo caminhou para ficarmos juntos e uma coisinha de nada impediu, no dia seguinte não ia ser diferente. Eu tomei um dos banhos mais rápidos, porque eu ainda tinha que dar um trato no meu cabelo, no meu esmalte, nas minhas olheiras, comer, arrumar um pouco a casa, carregar meu celular, ver a roupa que eu ia me vestir, opinar na roupa da minha prima, colocar água pra cachorrinha, falar com a minha mãe, pegar documento, bolsa, carteira, dinheiro e... Relaxar. É, relaxar. Consegui tudo, menos relaxar.
- Prima, o Rafa mandou mensagem dizendo que tá chegando no ponto aqui embaixo. Vamos descendo? – a Suellen me disse isso totalmente apressada.
- Espera prima, to procurando um perfume que eu possa usar aqui.
- Pra que, menina? Se você ficar espirrando na cara do Rafa ele não vai querer mais te beijar – brincou.
Não respondi, só refleti e concordei. Peguei minhas coisas, me despedi dos meus pais e descemos a rua em passos grandes.
- É o Rafa e o Neno vindo ali? – perguntei com a voz tremula.
- É. – disse rindo - Tenta relaxa pri, o Rafa vai perceber sua tensão.
Quem disse que eu conseguia ficar calma? Eu soube disfarçar, mas teve uma hora que eu até suei. E o pior, eu não sabia o real motivo de tudo isso até que nos beijamos. Foi na estação da Sé, fazendo a baldeação sentido Corinthians – Itaquera, na terceira plataforma do lado esquerdo esperando o metrô chegar. Não parece ser muito romântico, eu sei. Mas foi. Eu estava gostando dele, eu o queria e eu estava ficando totalmente assustada com isso.
Depois do beijo, entramos no trem. Eu estava envergonhada, não fazia ideia de como tinha que ser o pós primeiro beijo. Se eu o beijava de novo, se eu fingia que nada aconteceu, se eu perguntava se estava tudo bem, se ele tinha gostado... ahhhhh! Não sabia, não sabia e não sabia. Eu queria ficar ao lado dele, mas também queria fugir. Eu já percebi que um dos meus maiores defeitos é ser transparente. Se eu estou apaixonada, eu sou apaixonada, se eu estou triste, eu sou triste, se eu estou feliz, eu sou feliz, se eu estou com medo, eu sou medrosa e por assim vai. Eu estava com medo. Medo de ser só aquilo, ou de me apaixonar mais ainda e continuar sendo só aquilo. Eu queria me auto defender e da forma errada.
Ele ficou praticamente até a estação Artur Alvim – que era a qual íamos descer - olhando pra janela do trem. Eu sabia o que o Rafael estava pensando, só fantasiei pra pior. Achava que ele estava tendo um arrependimento imediato de ter ficado comigo, mas não era e eu sabia disso.
Chegamos ao nosso primeiro teatro e eu não prestei atenção em metade da peça. Várias vezes eu me desencostava do banco tentando olhar pro lado pra ver pra onde ele olhava, o que estava fazendo e quais eram suas expressões. Coisa boba, eu sei, mas era inevitável.
Resumidamente, após isso, como ainda estava cedo, a Suellen deu a ideia de irmos ao supermercado, comprarmos pães, frios e refrigerante pra comermos em seu apartamento antes de ir embora. Um dos nossos amigos ficou carregado de fazer os lanches, outro de ficar no notebook, outro de ligar a televisão e eu e o Rafa de ficarmos nos beijando. Eu sei que eu estava na cozinha dizendo como eu queria meu pão, quando ele chegou me empurrando na parede pra me beijar. Depois no sofá. Em sequencia cama da Su - só no beijo, claro - embora ele tenha me deitado em cima dele. No fim, ele percebeu uma grande quietude em mim nessa hora e no caminho de casa dentro do metrô. Eu não queria falar pra ele, eu já estava imaginando muito mais do que aquele dia, eu só achava que não iria ser recíproco. Eu estava pensativa e apressada descendo a escada do metro ao encontro do meu pai quando de repente escuto: - PRI! – Era a voz dele logo atrás de mim, me chamando pra mais uma despedida. – Espera rapidinho. – Não deu tempo nem de responder quando ele me deu mais um beijo. – Tchau – disse sorrindo e finalizando a despedida. - Tchau... Me virei e fui embora totalmente sem graça e com cara de boba alegre. É, e eu me perdia e tentava fugir...
— CleanDream (sterlisboa)
Por mais que eu sinta vontade de correr, eu sempre quero correr para perto de você. E se eu correr pra longe, eu quero que você sempre corra atrás de mim. Por mais que eu sinta vontade de sumir, eu sempre quero que você suma comigo. Eu vou lutar por você, até você me provar que pode ser muito mais feliz sem mim. E ainda sim, eu vou lutar pra que você não encontre alegria maior do que estar comigo. Você nunca vai andar sozinho, nunca vai se sentir como tal. Minhas grosserias, minha frieza, meu jeito duro de ser não vai me impedir que eu realize o maior sonho da minha vida de ficar sempre com você. Eu vou te conquistar, vou te amar, vou cuidar, vou até te esquentar nos dias mais frios das nossas vidas. Como nessa tempestade, que já vai passar...
Meu sonho não é casar. Ou pode até ser...
Mas meu maior sonho mesmo é você.
— CleanDream (sterlisboa)
Não fale neste tom, não fale assim. O seu sussurro no meu ouvido é muito mais alto do que seu grito. Eu não sou ninguém pra falar, eu não sou ninguém pra te julgar. Mas eu sou alguém, que se sente ninguém.
Eu não sou feliz.
Essas seriam as últimas palavras direcionadas aos teus olhos, que se tornam vidrados ao encontrar os meus. Tenho de volta a malícia que me arrancou naquela noite chuvosa e vazia. Tenho, também, as as suas bagunças em cima da minha cama e algumas sujeiras que fiquei com preguiça de varrer.
Me encontrei num escuro, onde meu coração pulsava pra fora e não me deixava dormir de dor. Acordei no claro, porque não fechei a janela, só pra ver se sua alma estava no meu portão. Vi a bina do telefone da minha casa, chequei o celular. Você não ligou e nem ia ligar. Já eu, também não queria te ligar por sentimento de culpa, e sim por sentimento de perda, de solidão, de amor. Eu pude confessar pra mim mesma, que era errado eu sentir dor. Era errado eu te esperar. Era errado eu te ligar, ia piorar. Eu tinha medo de ser a última vez que íamos nos ver.
Eu fui feliz.
Olhava o relógio a todo momento e a hora não passava. Sentia teu cheiro na minha cama e ouvia no fone de ouvido músicas que certamente eram suas. De repente conferia ao meu redor se os passos que eu ouvia eram seus vindo me buscar. Apertava o pause da música e sentava na cama assustada porque em segundos parecia que na porta do meu quarto estava o seu vulto me observando. Em seguida, olhava pra nossa foto e desejaria estar dentro dela só pra lembrar que eu sei te fazer feliz. Pensei em tudo que estava fazendo e repensei. Escrevi, li, chorei. E a hora não passava, e a hora de você chegar, não chegava.
Não me prometa nada, eu não quero ouvir. Só faça, porque eu só quero você aqui. Desconfiei que esse silêncio seria a nossa melhor escolha. Acredite em mim, eu mudei muito mais do que você enxergou. Minhas intenções, não conseguem ser minhas ações. Algumas promessas, alguns encantos, alguns desejos causou-me umas centenas de cicatrizes. Me entreguei e não me entrego. Me esquivei e não me esquivo mais. Deitei e sem você, eu não levanto mais. Só você pode me fazer feliz.
Sabendo que por mais potente que seja o frio, o gelo ainda há de derreter. Deixo de ser a pedra, pra ser água. E isso, sim, é culpa tua. É culpa tua todas essas palavras dançando na minha língua, é culpa tua os meus lábios entreabertos quando você se aproxima, é culpa tua – também – eu não conseguir sair da sua rua. É culpa sua eu querer ser toda sua.
Não me diga de novo, o que você me disse ontem com aquele papo de eu estragar sua vida. Nasceu um gelo, nasceu um frio dentro de mim. Isso não é você, não somos nós. E eu ainda sou uma criança perdida brincando de ser mulher.
Enquanto isso meu amor, não vou dizer que te amo quando você achar que é da boca pra fora. Enquanto você não esta lá fora, enquanto você não vem me salvar.
"ALL I KNOW IS I LOVE YOU TOO MUCH, TO WALK AWAY THOUGH" Essa foi a frase que o Eminem gritou quando passava num carro pela minha rua. E por um momento, eu desejei que fosse a sua voz.
Não vou embora, mas por favor, também não vá. Se me quer longe, que me jogue longe logo.
Quero viver com você.
Quero viver por você.
E neste momento, eu estou morrendo de você. Não deixa.
Eu não consigo suportar a ideia de que existe alguém, além de mim, que daria o mundo por você.
Clean Dream (sterlisboa)
Gerações futuras vão saber sobre mim e você.
CleanDream (sterlisboa)